Seguir o O MINHO

Viana do Castelo

Comércio tradicional de Viana “nas ruas da amargura”

Reportagem

em

Foto: Tomás Guerreiro / O MINHO

O encerramento da fronteira com Espanha, assim como o reduzido número de pessoas a circular pelas ruas da cidade, são os principais motivos que conduzem o comércio tradicional de Viana do Castelo ao “desespero”.

“Tenho esta loja aberta há 30 anos e este ano estou a pensar em fechar”, comenta Aníbal Sousa proprietário da loja, de bordados e trajes tradicionais de Viana do Castelo, Arte Minho. O estabelecimento dedica-se à comercialização de trajes típicos minhotos, como o traje das mordomas de Viana do Castelo, lenços dos namorados e atoalhados bordados à mão.

“Este ano vai ser um ano para fechar e não para abrir. A quebra na faturação foi quase total e neste momento tenho de pôr dinheiro, da minha reforma, para pagar as despesas, da água e da luz. Vou aguentar mais algum tempo, mas, em princípio isto é para fechar”, desabafa Aníbal Sousa sobre a loja, que outrora era gerida pela falecida esposa.

Aníbal Sousa. Foto: Tomás Guerreiro / O MINHO

“Inventaram o estampado. Quiseram começar a certificar os trajes e os bordados, que são feitos em estampado, mas os nossos são bordados à mão”, aponta o proprietário da loja, como uma das razões que dificulta o negócio da venda de artesanato. “Antes as pessoas compravam muito, até os imigrantes levavam para oferecer aos patrões em França, agora só quase os turistas é que compram, mas com a pandemia não há turistas “, reflete Aníbal Sousa, sobre a evolução do negócio do comércio tradicional nos últimos 30 anos.

Foto: Tomás Guerreiro / O MINHO

Fernanda Barbosa é dona de uma loja de artesanato, que manufatura adereços de moda produzidos em cortiça. A loja é, em simultâneo, uma montra e uma pequena oficina. “Este ano, lamentavelmente, não tivemos apoio algum. O ano passado usufruímos o apoio extraordinário de 6 meses e por isso, este ano, não recebemos apoio. Aguento a loja aberta com dificuldade, mas se o país tornar a fechar, o pequeno comércio não aguenta”, desafoga a proprietária, a O MINHO.

Fernanda Barbosa. Foto: Tomás Guerreiro / O MINHO

“As pessoas da cidade têm pouco poder de compra e a pandemia, só agravou a situação. A reabertura do turismo (a reabertura de fronteiras) deixa-me alegre, mas é preciso que as pessoas se sensibilizem, para desinfetar as mãos e utilizar a máscara, porque não podemos voltar a fechar”, acrescenta Fernanda.

Foto: Tomás Guerreiro / O MINHO

A fronteira entre Espanha e Portugal voltará a ser transponível, através do trâmite normal de circulação no Espaço Schengen, embora com postos móveis de controlo para fiscalizar viajantes provenientes de países com incidência elevada do vírus. O turismo e o pequeno comércio da região congratulam-se, com a iminência do regresso dos turistas espanhóis.

Populares