Cientistas de todo o mundo vão trabalhar a mais de 1.000 metros de altitude na Peneda-Gerês

Projeto da Branda Científica de São Bento do Cando avança
Foto: João Ferrand / nunovalentim.com

O Município de Arcos de Valdevez assinou, esta terça-feira, dois protocolos, um com o BIOPOLIS/CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos e outro com a paróquia da Gavieira, para a implementação do projeto da Branda Científica de São Bento do Cando, no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

A assinatura dos documentos formaliza um projeto que já está a materializar-se no terreno, com investimentos na ordem de um milhão de euros já a decorrer. 

O presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, João Manuel Esteves, tem expectativa de que no espaço de um ano as instalações da Branda Científica possam ficar prontas para acolher os primeiros investigadores.

A assinatura do protocolo entre o BIOPOLIS/CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, representado pelo professor Nuno Ferrand (Universidade do Porto) e o Município dos Arcos de Valdevez, esta terça-feira, formalizou um projeto que já está no terreno, como adiantou o autarca de Arcos de Valdevez.

“Dos 3,5 milhões de euros que envolvem este investimento, já temos a concurso um milhão de euros”, apontou João Manuel Esteves.

Na mesma altura, foi também celebrado um contrato de comodato com a paróquia da Gavieira, proprietária da maioria dos edifícios onde vai ficar instalada a estação científica. “Foi uma sorte encontrar este local, em que havia várias casas de um único proprietário [a igreja] que, desde a primeira hora, se mostrou interessado em colaborar com este projeto”, referiu o presidente da Câmara.

Foto: Rui Dias / O MINHO

Uma branda é uma aldeia de montanha temporária que, em tempos recuados, era usada durante o período de verão para que o gado pudesse aceder aos pastos mais férteis. A Branda de São Bento do Cando fica situada na freguesia da Gavieira, a mais de mil metros de altitude.

Já foram lançados concursos para a reabilitação de dois edifícios, mas o projeto contempla um total de sete espaços: ‘cowork’, residência para estudantes, residências científicas e artísticas, laboratórios e laboratórios de computadores, centro de monitorização da biodiversidade e dos recursos naturais, camaratas e um edifício polivalente e de divulgação do Parque Natural da Peneda-Gerês. Este último espaço é o único que não era propriedade da igreja, uma vez que se trata de uma casa de guarda florestal que estava na posse do ICNF.

O projeto de reabilitação dos diversos edifícios é da responsabilidade do arquiteto Nuno Valentim, conhecido, entre outras obras, pela recuperação do Mercado do Bulhão, no Porto.

Foto: Rui Dias / O MINHO

Nuno Ferrand, o coordenador científico do CIBIO, lembrou que “hoje os cientistas são nómadas digitais” e que é de esperar que investigadores de todo o mundo, nas áreas da Biologia Ambiental, investigação de ecossistemas e agrobiodiversidade venham para Arcos de Valdevez fazer os seus trabalhos.

Vai nascer uma Quinta de Ciência viva

À margem da formalização destes protocolos, João Manuel Esteves anunciou a assinatura de um acordo com a Rede de Centros Ciência Viva, esta quinta-feira, para a instalação de uma Quinta Ciência Viva das Plantas e dos Aromas no espaço do antigo centro de formação profissional, na freguesia de Monte Redondo.

 
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