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Chocolates registam quebra de vendas e Avianense entra em lay-off

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Foto: CM Barcelos

A Páscoa este ano não é tão doce. Com grande parte dos estabelecimentos comerciais fechados – ou sob severas normas restritivas – e com os encontros entre famílias muito condicionados por causa da pandemia de covid-19, a venda dos ovos, coelhos e amêndoas de chocolate ressentiu-se bastante.

A Avianense, a primeira fábrica de chocolates de Portugal, com mais de cem anos de história, teve “menos 50% da faturação homóloga do ano passado” e entrou em lay-off na quarta-feira, adiantou a O MINHO o proprietário da empresa, Luciano Costa. “Este ano, a Páscoa foi toda por água abaixo”, lamenta.

O golpe é tão mais duro quando, tradicionalmente, esta é a época, a seguir ao Natal, em que mais se vendem chocolates.

Os 15 funcionários da fábrica de chocolate, sedeada na freguesia de Durrães, em Barcelos, estão em casa e, para já, sem data de regresso. Até porque o cenário futuro não é animador, dada a previsível queda no setor do turismo no qual a Avianense estava a apostar.

Páscoa tem sido “um desastre”

“Estamos a trabalhar muito para o turismo. O verão é sustentado pelos hotéis, além das feiras e dos emigrantes”, explica o empresário de 63 anos. “Vai ser muito complicado, mas temos que nos erguer e seguir em frente”, acrescenta.

Em finais de fevereiro e inícios de março, a Avianense ainda vendeu para as superfícies maiores e exportação (“o pico da faturação foi para os Estados Unidos”), mas a partir daí foi “um desastre”.

“E estava a correr tão bem. A Avianense tem vindo todos os anos a aumentar a faturação, mas este ano já será praticamente impossível recuperar”, nota Luciano Costa.

Questionado por O MINHO se considera satisfatórios os apoios às empresas anunciados pelo Governo, o empresário barcelense responde: “Essas medidas são para os grandes grupos e empresas, que vão buscar tudo, não tenho confiança que sejam para mim”.

Apesar das dificuldades por que passa o setor, sete empresas de chocolate, mas que representam ainda mais marcas, criaram uma campanha solidária que visa angariar fundos para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A Imperial (Regina e Jubileu), a Arcádia, Avianense, Binómio (Candycat), Casa Grande (Not Guilty), Ferbar e Vieira de Castro (Vieira e Aliança) foram as empresas que se juntaram nesta iniciativa solidária.

Até ao dia 19 de abril, na compra dos produtos de Páscoa (amêndoas, ovos e coelhinhos de chocolate), cinco por cento do valor reverte para a aquisição de equipamentos de proteção individual. “Partilhe chocolates de Páscoa e ajude o SNS” é o apelo de parte significativa de um setor, também ele, duramente afetado numa época bem mais amarga do que doce.

Entre Viana e Barcelos

A Avianense foi fundada em 1914, na cidade de Viana do Castelo, por António José Rodrigues de Lima e João de António Felgueiras.

A fábrica foi a falência em 2004, tendo sido adquirida por Luciano Costa que a deslocou para Durrães, Barcelos, sua freguesiade origem, e retomou a produção dos produtos mais icónicos da marca, como os bombons Imperador e a tablete 10R.

Em 2015, foi inaugurado nas instalações da fábrica o Museu Avianense, onde pode ser revisitada toda a história da marca. Nesse ano, abriu ainda a primeira loja franchisada, em Viana do Castelo, e no ano seguinte a segunda, em Barcelos.

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