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Alto Minho

Chieira da mordoma de Viana do Castelo continua viva mesmo sem Romaria d’Agonia

Tradição

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Foto: Twitter

Reportagem por Andrea Cruz, da agência Lusa 


A chieira da mordoma de Viana do Castelo mantém-se viva e ressurgirá reforçada e com mais vontade de se exibir quando passar a pandemia de covid-19, que este ano deixou a devoção à Senhora d’Agonia sem romaria.

“Em cada uma de nós a chieira [termo minhoto que significa orgulho e vaidade] mantém-se viva. A alegria que nos move está guardada dentro de nós. Para o ano, ou quando for possível, sairá reforçada e ainda com mais vontade de ser demonstrada nas ruas de Viana do Castelo”, afirmou à agência Lusa Sandra Araújo, de 36 anos.

Este ano, por causa do surto do novo coronavírus, apenas o dia 20 de agosto, dedicado à padroeira dos homens do mar, será celebrado presencialmente, na igreja de Nossa Senhora d’Agonia, mas com limitações.

Os restantes números dos cinco dias da Romaria d’Agonia, entre 19 e 23 de agosto, habitualmente vividos nas ruas da cidade, serão celebrados em formato digital, através da rádio, da televisão e de meios audiovisuais e tecnológicos, devido às restrições importas pela pandemia de covid-19.

O desfile da mordomia, que abre o programa das festas e que, em 2019, juntou mais de 600 mulheres, de sete países, envergando todos trajes de festa de Viana do Castelo, não é exceção.

Médica dentista, Sandra Araújo não tem dúvidas que a decisão é acertada, para travar a propagação do vírus, mas não deixa de sentir “uma tristeza imensa”. Desfila desde os 17 anos com o traje que mandou fazer “à medida” e com o ouro da família, tradição que este ano fica interrompida.

“Sei que não me trajarei, nem ‘ourarei’ o peito ou as orelhas e que não desfilarei pelas ruas da minha cidade, mas sei que manterei a minha chieira porque não há vírus que a destrua”, desabafou, garantindo que no dia da Senhora d’ Agonia, a 20 de agosto, vestirá “a camisa regional, o colete do traje” e ‘ourará’ “as orelhas com os brincos à Rainha” e o peito com “o colar de contas”.

Em Barcelona, Espanha, a 1.200 quilómetros de distância, Catarina Azevedo exalta a mesma “paixão” pelo traje e pelo ouro da cidade onde nasceu. Este ano, tencionava participar na mordomia para celebrar os 40 anos de idade e cumprir o “sonho”, agora adiado, de desfilar com o seu próprio traje, encomendado há vários meses.

“Encomendei uma cópia de um traje que está exposto no Museu de Viana e que é o meu favorito. Não é um investimento que se faça de ânimo leve, sobretudo se se manda confecionar algo absolutamente artesanal e cumprindo todos os requisitos da tradição”, explicou.

O traje assume-se como um símbolo tradicional da região, nas suas várias formas, consoante a ocasião e o estatuto da mulher. Em linho e com várias cores características, onde sobressai o vermelho e o preto, foi utilizado até há mais de 120 anos pelas raparigas das aldeias em redor da cidade de Viana do Castelo.

A viver em Barcelona há 17 anos, a consultora de recursos humanos começou por participar nos carros de crianças que integram o cortejo etnográfico das festas.

A partir dos 15 anos Catarina Azevedo passou, “de forma mais consciente e por vontade própria”, a desfilar, primeiro com os trajes emprestados pelas amigas e mais tarde com os fatos dos grupos folclóricos que integrou.

“Fui sempre uma adepta fervorosa de todo o programa das festas. Mesmo à distância sigo de perto o concurso da elaboração do cartaz oficial e tenho imensa bibliografia dedicada às festas, aos trajes, ao museu, ao ouro tradicional. Quando me perguntam qual é a minha religião respondo sempre: são as Festas d’Agonia”, atirou.

Aos 76 anos, Rosa Caetano “nunca” pensou que as festas da sua cidade pudessem ser canceladas.

“Estou muito triste. Nunca pensei na minha vida, com os anos tenho, não sentir as festas. Estava cheia de ideias e sonhos para este ano e, de repente, esses sonhos foram-se. Levo 64 anos a participar com os grupos folclóricos e no desfile da mordomia já perdi a conta”, desabafou a antiga costureira.

A coleção de fatos tradicionais de Rosa Caetano conta com cerca de meia centena de exemplares. Uns mandados fazer, outros feitos pelas suas próprias mãos, bordados a vidrilho, como tanto gosta. Todos os anos os empresta ou aluga para os diversos números das Festas d’Agonia ou para outras romarias das freguesias do concelho.

Os trajes de mordoma, de ‘domingar’ ou de lavradeira, são alguns dos exemplares do “tesouro” que Rosa Caetano guarda, todos “devidamente pendurados” em armários que destinou para o efeito. Este ano, pela primeira vez, não vão sair semanas antes da romaria para serem arejados e poderem “brilhar” nos corpos das mordomas.

“Este ano, ficam guardados no armário, mas tenho esperança de que, no próximo ano, vão ser usados pelas mordomas de Viana do Castelo que sairão para as ruas com mais vontade, com todo o seu esplendor”, disse.

O desfile da mordomia é o momento em que os diferentes trajes das freguesias de Viana se encontram e mostram, de uma só vez à cidade.

Uma tradição cada vez mais enraizada entre as jovens e mulheres de Viana do Castelo e que junta várias gerações, num quadro único e colorido pelos vermelhos, verdes e amarelos dos típicos e garridos trajes das diferentes freguesias.

Não faltam também os fatos de noiva mais sóbrios, de cor preta. Neste número algumas das mulheres chegam a carregar dezenas de quilos de ouro, reunindo as peças de famílias e amigos num único peito, simbolizando a chieira e outrora o poder financeiro das famílias.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 283 mil mortos e infetou mais de 4,1 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Em Portugal, morreram 1.144 pessoas das 27.679 confirmadas como infetadas, e há 2.549 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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Alto Minho

Viana do Castelo evoca obra de Ruben A. nos 40 anos de feira do livro

De 18 de julho a 01 de agosto

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Foto: Arquivos RTP

A quadragésima edição da feira do livro de Viana do Castelo, este ano em formato digital devido à covid-19, vai evocar a obra de Ruben A. para celebrar o centenário do nascimento do escritor, foi hoje divulgado.

“A nossa pequena joia da coroa da programação será, no dia 18 de julho, a apresentação da reedição do livro ‘A Torre da Barbela’, de Ruben A., por António M. Feijó, pró-reitor da Universidade de Lisboa e professor catedrático da Faculdade de Letras da mesma Universidade, e a apresentação da reedição das ‘Páginas Minhotas’, de Ruben A., editado pela Câmara Municipal”, afirmou hoje o presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa.

Ruben A. é o nome literário de Ruben Alfredo Andresen Leitão, que se estreou em 1949 com “Páginas”, obra em seis volumes, na qual o estilo diarístico e a ficção se entrecruzam. Nascido em 1920, em Lisboa, morreu em Londres, em 1975. Encontra-se sepultado no cemitério de Carreço, em Viana do Castelo, freguesia onde construíra a sua casa.

Hoje, na apresentação da 40.ª Feira do Livro, que vai decorrer de 18 de julho a 01 de agosto, com centenário do nascimento de Ruben A. em destaque, o autarca socialista, que detém o pelouro da Cultura, disse que o evento vai decorrer “em moldes diferentes do habitual, utilizando os meios digitais para a promoção do livro e da leitura, dando a conhecer os autores e novas edições”.

“Apesar das limitações do espaço público e da animação que teríamos todas as noites no jardim marginal da cidade, com todos os ‘stands’ ocupados pelas editoras não quisemos deixar de ter um espaço, a sala Couto Viana, da biblioteca municipal para fazer a promoção do livro, da leitura, para apresentação de obras, e tertúlias. Vai ser a feira possível devido às contingências que temos neste momento”, especificou.

A feira do livro vai privilegiar os meios digitais, sendo que o programa vai incluir uma conferência, a inauguração de duas exposições, teatro, a apresentação de livros, dramatizações e leituras, animação infantojuvenil, transmitindo através das redes sociais variados eventos.

Nesta edição decorrerão vários momentos na sala Couto Viana, da Biblioteca Municipal, onde o programa da 40.ª edição foi hoje apresentado, como a apresentação de livros, em conformidade com as regras emanadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

O programa inclui ainda um espaço dedicado à promoção dos jovens talentos, com a apresentação de uma publicação com os premiados dos últimos cinco anos do Prémio Escolar António Manuel Couto Viana.

“É a melhor forma de celebrar este autor português que é uma grande referência para Viana do Castelo”, referiu o autarca.

Durante a Feira do Livro estarão à venda, na Biblioteca Municipal, as edições e publicações municipais a preços especiais.

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Alto Minho

Sete detidos e droga apreendida. “Desmantelada importante rede de tráfico em Viana”

Operação “Aves Noturnas”

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Foto: DR / Arquivo

A PSP deteve hoje sete homens, com idades entre os 20 e os 30 anos, todos do concelho de Viana do Castelo, apreendeu “droga diversa” e material ligado ao tráfico e consumo de estupefacientes, no âmbito da operação “Aves Noturnas”.

Em declarações à agência Lusa, o comissário da PSP Miguel Araújo explicou que a operação hoje realizada resulta de uma investigação em curso há oito meses, adiantando ter sido “desmantelada uma importante rede de tráfico de estupefacientes que abastecia a cidade de Viana do Castelo”.

“Os detidos são todos da cidade de Viana do Castelo e arredores e já operavam com ‘MbWay’. Ainda não podemos avançar a quantidade de droga apreendida, mas mais importante foram os utensílios apreendidos no âmbito deste processo, desde balanças, estufas, vasos de canábis, plantações, viaturas”, especificou.

Em causa está a operação “Aves Noturnas”, iniciada na segunda-feira e que terminou hoje de manhã.

Operação policial em Viana do Castelo. Buscas em estabelecimento e viaturas

A ação, que contou com a participação de 45 agentes e 15 viaturas da PSP de Viana do Castelo e do Porto, consistiu na execução de vários mandados de busca e apreensão domiciliárias, em estabelecimento comercial e a viaturas, bem como a execução de mandados de detenção, todos emitidos pelo Tribunal Judicial da Comarca do distrito de Viana do Castelo.

A operação policial decorreu em várias freguesias de Viana do Castelo, nomeadamente Afife, Perre, Areosa, e União de freguesias de Santa Maria Maior, Monserrate e Meadela, em Âncora e Vila Praia de Âncora, no concelho de Caminha, e Leça do Balio, no concelho de Matosinhos, distrito do Porto.

Segundo o comissário Miguel Araújo, os sete detidos deverão ser presentes tribunal na quarta-feira.

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Operação policial em Viana do Castelo. Buscas em estabelecimento e viaturas

PSP

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Foto: DR / Arquivo

A Polícia de Segurança Publica (PSP) está a realizar hoje uma operação num estabelecimento comercial e a viaturas em várias localidades dos distritos de Viana do Castelo e do Porto no cumprimento de mandados de busca e detenção.

ATUALIZAÇÃO:

Sete detidos e droga apreendida. “Desmantelada importante rede de tráfico em Viana”

Em comunicado, o Comando Distrital da PSP de Viana do Castelo adianta que a operação “Aves Noturnas” consiste na execução de vários mandados de busca e apreensão domiciliárias, em estabelecimento comercial e a viaturas, bem como de execução de mandados de detenção, todos emitidos pelo Tribunal Judicial da Comarca de Viana do Castelo.

A operação policial está a decorrer em várias localidades do distrito de Viana do Castelo, nomeadamente Afife, Âncora, Vila Praia de Âncora e Viana do Castelo e também em Leça do Balio, no concelho de Matosinhos, distrito do Porto.

Estão neste momento em execução ações policiais nas freguesias de Areosa, Perre, União de freguesias de Santa Maria Maior, Monserrate e Meadela e Leça do Balio.

A PSP remete para mais tarde atualização da informação sobre a operação.

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