Seguir o O MINHO

Alto Minho

Cerveira insurge-se contra supressão de comboio regional. “Rude golpe”

Contestação aumenta

em

Foto: Divulgação / CM Cerveira

O presidente da Câmara de Cerveira escreveu à CP a “insurgir-se contra” a supressão de um comboio regional na Linha do Minho, alertando para o impacto negativo causado às populações, foi hoje divulgado.

Em causa está o comboio n.º 3202, cuja supressão, devido aos novos horários que entram em vigor a partir de domingo, como O MINHO noticiou, gerou contestação entre os utilizadores, com o presidente de Junta de São Pedro da Torre, em Valença, António Dias, a reclamar uma solução junto da CP, e o PS a questionar o Governo sobre o assunto.

Agora é a Câmara de Cerveira a considerar que “esta supressão representa um rude golpe nas rotinas diárias de dezenas de pessoas que, pelas características de mobilidade de proximidade, utilizam este meio de transporte para as suas deslocações laborais, académicas e mesmo de acesso a cuidados médicos na Unidade Local de Saúde do Alto Minho(ULSAM), bem como ao vasto tecido empresarial da região alto-minhota, afetando também as ligações afetivas com a capital de distrito, Viana do Castelo”, sustenta Fernando Nogueira, citado num comunicado.

Atualmente, segundo a autarquia, “o comboio regional n.° 3202, que sai de Valença às 06:23 e chega a Viana do Castelo às 07:24, conta com três paragens no concelho de Vila Nova de Cerveira – Carvalha, Vila Nova de Cerveira e Gondarém”.

A partir de segunda-feira, “o comboio intercidades entra em circulação, com previsão de saída de Valença às 06:48 e chegada a Viana do Castelo às 07:23, mas eliminando a possibilidade de transbordo nos apeadeiros de Carvalha e Gondarém, além de outros pontos nos concelhos vizinhos de Valença, Caminha e Viana do Castelo”.

Segundo Fernando Nogueira, “a anunciada supressão de circulação do comboio regional n.º 3202” fica a dever-se “à entrada em funcionamento do comboio intercidades Valença-Lisboa no âmbito da modernização da Linha Ferroviária do Minho”.

No “ofício” que remeteu “à administração da CP – Comboios de Portugal” Fernando Nogueira pediu “uma melhor agilização do processo de forma a conciliar os interesses da CP e as necessidades de mobilidade das populações”, alertando ainda para “um fator importante que se prende com o preço diário do bilhete, pois uma viagem no comboio regional entre Valença e Viana do Castelo custa 4,65 euros e com o Intercidades passa a 13,15 euros”.

“É preciso ponderar uma discriminação positiva no novo tarifário do Comboio Intercidades para os utentes da CP que utilizam o comboio como o meio de transporte diário para as deslocações laborais entre as duas cidades do distrito, não colocando exclusivamente sobre os trabalhadores/utentes o ónus da imprescindível modernização”, observou.

No documento enviado ao presidente do conselho da administração da CP e com conhecimento ao ministro da tutela, Fernando Nogueira também invoca “o forte dinamismo empresarial do Alto Minho, no geral, e do concelho de Vila Nova de Cerveira, em particular, que, só em volume de exportações, ronda os 700 milhões de euros, segundo dados referentes a 2017”.

As “cerca de 50 fábricas localizadas na União de Freguesias de Campos e Vila Meã empregam mais de 4.300 trabalhadores e que têm no apeadeiro da Carvalha uma ligação essencial para o seu dia-a-dia”.

“Também há muitos munícipes cerveirenses a laborar noutros concelhos vizinhos e que, por razões várias, não conseguem dirigir-se às estações consideradas como principais, sendo esta ligação regional, e este horário em particular, a sua única opção”, reforça o autarca.

Fernando Nogueira afirmou estar “consciente da necessidade de otimização de locomotivas e de ajustamentos de horários”, mas sublinhou que “é necessário olhar para a realidade socioeconómica dos territórios e proceder a adaptações que não deixem de servir os reais interesses e necessidades das populações”.

Na terça-feira, em comunicado enviado às redações, a CP adiantou que, com a modernização e eletrificação da Linha do Minho, vão ser introduzidos ” dois novos Inter-regionais (um por sentido) entre Coimbra B e Valença.

Por outro lado, é eliminado o transbordo em Viana do Castelo, no troço Nine/Valença, e serão “prolongados os atuais intercidades, de Viana do Castelo a Valença, e reforçada, durante o fim de semana, a oferta de comboios regionais entre Viana do Castelo e Valença.

“O novo modelo de oferta procura dar resposta às necessidades de mobilidade da população, numa zona do país caracterizada por uma intensa atividade económica e por vários polos de ensino, secundário e superior”, explica a empresa.

No dia 25 de abril começam as primeiras circulações de tração elétrica no troço Viana do Castelo e Valença, cuja modernização e eletrificação acabou no final de 2020, início de 2021, num investimento de 18 milhões de euros.

A modernização e eletrificação da Linha do Minho, entre Nine, no distrito de Braga, e Valença, no distrito de Viana do Castelo, representou um investimento de 86,4 milhões de euros, inserido no Plano de Investimentos Ferrovia 2020 e cofinanciado pelo programa Compete 2020.

A modernização da Linha do Minho foi anunciada em 2011, depois de afastada a possibilidade de encerramento da ligação ferroviária internacional entre a cidade do Porto e Vigo, na Galiza.

Populares