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Guimarães

Centro de Valorização de Resíduos, em Guimarães, recebe 500 mil euros da UE

Tecnologia

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Foto: Divulgação

No ano em que celebra 18 anos de vida, o Centro para a Valorização de Resíduos (CVR), um centro de interface tecnológico situado no campus da UMINHO em Guimarães, recebe um financiamento da União Europeia de mais de 500 mil euros, foi hoje anunciado.

O objetivo principal do projeto denominado CVR.TechRe4C é reforçar a capacidade laboratorial e de investigação aplicada do CVR, dotando-o com equipamentos técnico-científicos tecnologicamente avançados e adaptando as suas infraestruturas.

Em comunicado, aquele centro diz querer aumentar o número de serviços prestados e melhorar, “ainda mais”, a resposta das valências atualmente oferecidas.

“Estes investimentos assumem-se fundamentais para capacitar a entidade nas seguintes áreas de atuação: tecnologias de valorização material, energética e biológica; ecoeficiência e sustentabilidade de recursos e materiais; digitalização e indústria 4.0 e economia circular”, refere a entidade.

Ao reforçar estas áreas, o projeto CVR.TechRe4C “fomenta a realização de investigação aplicada e desenvolvimento de ligações e sinergias entre empresas e instituições que desenvolvem atividades e culminam no desenvolvimento de produtos e serviços com importantes mais-valias para o mercado e ambiente”.

“De igual modo, existirá uma afirmação e promoção da inovação regional, à escala nacional e internacional, bem como para a consolidação das atividades de investigação na região Norte de Portugal”, diz a nota.

O CVR.TechRe4C é financiado pela União Europeia através do Portugal 2020 e no âmbito do Norte 2020. Do montante total elegível de 644.861,12 euros, 548.131,95  são provenientes do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

Sobre o CVR – Centro para a Valorização de Resíduos

O CVR – Centro para a Valorização de Resíduos, com 18 anos de existência, é um Centro de Interface Tecnológico localizado em Guimarães, no Campus da Universidade do Minho. Conta no seu edifício sede com 2000m 2 de espaços laboratoriais e dedica-se à investigação, análise científica e aplicação de soluções reais na área da prevenção e valorização de resíduos. Com 85 associados maioritariamente da indústria, o CVR organiza bienalmente a conferência científica internacional “WASTES: Solutions, Treatments and Opportunities”, por onde passaram mais de 1200 participantes de 45 países nas suas 5 edições. Desde a sua génese, o CVR esteve envolvido em mais de 120 projetos de I&D aplicada, a que correspondeu um volume de financiamento de cerca de 5,2 milhões de euros.

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Guimarães

Morreu aos 91 anos a Fernandinha, “património humano de Guimarães”

Óbito

Foto: Vítor Oliveira / Facebook

Morreu aos 91 anos uma das figuras mais emblemáticas do centro histórico de Guimarães. “Fernandinha”, como era conhecida, passou mais de meio século a vender mercearia aos habitantes da cidade e, mais recentemente, aos turistas, com quem mantinha uma relação muito afável na Rua de Santa Maria.

O MINHO confirmou a notícia junto de Vítor Oliveira, chefe de gabinete do presidente da Câmara de Guimarães e um “bom amigo” de Fernanda, que lhe perguntava “sempre pelos miúdos” quando o via passar.

“É uma figura emblemática de Guimarães. Património Humano de Guimarães. A Rua de Santa Maria nunca mais será a mesma”, começou por dizer Vítor a O MINHO, em tom emocionado. “Ela vendia de forma itinerante, sobretudo a turistas. Mesmo sem saber falar línguas estrangeiras, ela conseguia vender e todos a entendiam”, recordou.

“Toda a gente gostava dela, trabalhou até morrer aqui ao pé da Câmara e criou muitas amizades. Era atenciosa e afável e vai fazer muita falta. Se 2020 foi um ano complicado, 2021 começa de uma maneira terrível”, acrescentou.

Foto: Vítor Oliveira

Ainda não são conhecidas as datas para as cerimónias fúnebres.

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Guimarães

Couros Património da Humanidade: Uma promessa com sete anos em Guimarães

Cultura

Foto: Rui Dias / O MINHO

Em 2013, a Câmara de Guimarães aprovou a candidatura da zona de Couros a Património da Humanidade. Pretendia-se juntar esta zona ao Centro Histórico, classificado pela UNESCO, em 2001. Passados sete anos sobre a proclamação desta vontade, ainda não se ultrapassou a primeira etapa, o reconhecimento como Monumento Nacional.

A autarquia, pela voz do vereador Seara de Sá, afirma que “já fez o que lhe competia” e lamenta a falta de celeridade de outras instituições. O vereador do urbanismo alega que a Câmara enviou toda a documentação para a Direção-Regional de Cultura do Norte, em 2018, solicitado um pedido de esclarecimentos. Na altura, de acordo com Seara de Sá, a resposta foi a de que “a situação estava em análise.”

O vereador do PSD, Ricardo Araújo, tem sido particularmente ativo no acompanhamento deste processo. “Vemos com alguma preocupação o atraso, independentemente das dificuldades administrativas, burocráticas que vão surgindo, porque é importante que haja uma determinação política consistente para fazer face ao desafio que é unânime no executivo municipal vimaranense”, declarava o vereador social-democrata, em abril de 2019, perante a falta de avanços.

Para que possa candidatar-se à classificação pela UNESCO como Património da Humanidade, Couros terá primeiro de ser reconhecida como Monumento Nacional. É a conclusão deste processo que se aguarda deste 2013, para que a se possa avançar com um projeto que reúne a unanimidade entre a vereação da Câmara vimaranense.

Na última reunião de Câmara, na segunda-feira, dia 11 de janeiro, o vereador Ricardo Araújo, voltou a levantar a questão. Ficou a saber-se que a Câmara aguarda, ainda, uma decisão da Direção-Geral do Património Cultural para a classificação daquela área como Monumento Nacional. “Se do ponto de vista técnico está tudo feito pela autarquia e se as instituições nacionais com competência nesta área não estão a corresponder, é necessária uma intervenção política do presidente da Câmara junto do poder central. É importante que isto continue como prioridade política da autarquia”, conclui o vereador Ricardo Araújo.

Na sequência destes últimos desenvolvimentos, também os deputados do PSD, eleitos pelo círculo de Braga, decidiram questionar a ministra da Cultura. Os sociais democratas querem saber quando foi rececionado no Ministério da Cultura o pedido da Câmara Municipal de Guimarães com vista à classificação da designada zona de Couros a Património Nacional e a razão do atraso na avaliação da decisão.

A zona de Couros guarda sinais de uma antiga indústria vimaranense, a manufatura de peles. A zona extramuros de Couros, já na Idade Média, era conhecida por esta atividade. Ainda hoje é possível, num simples passeio a pé encontrar os vestígios desta antiga atividade, os tanques de curtimenta, junto à ribeira de Couros.

Os rendimentos gerados por esta atividade terão contribuído para o desenvolvimento de outras indústrias, como o calçado e para a projeção económica de Guimarães.

A partir da década de 60 do século XX esta indústria entrou em declínio na zona de Couros, acompanhando a evolução da conjuntura económica internacional. A insalubridade dos processos produtivos, o atraso tecnológico e a transferência dos investimentos para a indústria têxtil, levaram ao progressivo desaparecimento desta atividade.

 A última fábrica de curtumes, nesta zona que se pretende ver classificada, encerrou em 2005.

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Guimarães

Como a pandemia afeta pessoas com deficiência: “Sentimos falta de estar juntos”

Cercigui

Fotos: Rui Dias

O Grupo de Autorrepresentação funciona como um pequeno parlamento, onde têm assento os utentes da CERCIGUI. A presidente da assembleia é a psicóloga Carla França. Por estes dias, os temas ligados à pandemia e ao novo confinamento ocupam uma parte das intervenções, mas também há tempo para falar das eleições.

Quisemos saber como é que a pandemia estava a afetar as pessoas com deficiência, por isso, fomos sentar-nos na assistência desta pequena assembleia. Catarina Fernandes queria começar pela surpresa que tinha preparada para nos receber, mas a psicóloga disse-lhe que isso ficava para o fim. Primeiro vamos tratar de assuntos sérios.

Com uma ajuda da presidente da assembleia, Ana Catarina, de 26 anos, fez a primeira intervenção. Conta que aquilo de que tem mais saudades é de poder ir à rua tomar um café com os amigos. Ana Catarina tem paralisia cerebral, fez o nono ano e tem um discurso muito coerente. É preciso dar-lhe algum tempo, porque as palavras prendem-se-lhe na boca, mas percebe-se que gosta de dar a sua opinião.

Ana Catarina. Foto: Rui Dias / O MINHO

Filipe é um moço grandalhão, com a máscaras só se lhe vêm os olhos, que parecem desconfiados. O jornalista é um elemento estranho. Mas quando Catarina França lhe passa a palavra, também tem o que dizer. “Estive doente, foi muito mau. Depois quando fiquei bom, só queria voltar”.

Filipe. Foto: Rui Dias / O MINHO

A CERCIGUI passou muito tempo sem qualquer caso de covid-19, até que em outubro apareceram os primeiros casos, no Centro de Atividades Ocupacionais (CAO) e no Centro de Reabilitação e Formação Profissional. “No Lar Residencial ainda não tivemos nenhum caso, o que é extraordinário”, afirma Rui Leite, o presidente da instituição. Rui Leite, este ano, na noite de Natal, depois de jantar com a família, vestiu-se de Pai Natal e foi distribuir prendas aos utentes do Lar Residencial. “Este ano foi especial, eles não podiam ir a casa e nós tínhamos que fazer alguma coisa diferente”, afirma.

Rui Leite. Foto: Rui Dias / O MINHO

O pior foram os meses de confinamento

Catarina Camelo, de 24 anos, acha que o pior foram os meses de confinamento. “Foi uma seca”, resume. Catarina, a certa altura, começa a achar que a sessão está a demorar demasiado e lembra a psicóloga que é preciso telefonar. “Já vai, depois, prometo-te que vamos telefonar, a seguir”.

Foto: Rui Dias / O MINHO

O maior problema destes jovens, neste período, é o afastamento de pessoas de quem gostam. Em muitos casos, de outros colegas da instituição, que agora deixaram de frequentar. “Tenho muitas saudades dos nossos amigos, do meu namorado”, diz Susana Daniela, de 39 anos. 

Foi a falta de contato que fez com que Catarina Camelo passasse por um mau período, durante o primeiro confinamento. Os técnicos da CERCIGUI foram a sua casa, ajudaram-na a telefonar. “Muitos destes jovens têm pais idosos que não dominam ou não valorizam as novas tecnologias de comunicação”, explica Catarina França.

Os utentes são sempre “jovens”

Os utentes são sempre jovens para os técnicos da CERCIGUI. “Como é que os poderíamos chamar? Clientes, soa mal. Utentes, também não soa bem. São sempre jovens”, explica a técnica. 

Na verdade, as pessoas com deficiência têm hoje uma esperança de vida maior do que no passado, como o resto da população. Alguns dos “jovens” estão na casa dos quarenta e, um deles, Manuel Paulo já completou 52. José Manuel apresenta-se maldisposto, diz a idade, mas fala com alguma dificuldade e percebe-se mal. O jornalista aponta 44 anos no caderno. Ele discorda, pega na caneta e escreve, “+2”. São 46? Chegam a um acordo e fica tudo bem.

É bom que estas pessoas vivam cada vez mais, mas isso também traz novos problemas, “e eles não gostam de falar disso”, reconhece a psicóloga. “Não é Paulo?”, pergunta a técnica a um utente que passa apoiado num andarilho. “Nem tocar no assunto. Mas é verdade que vamos todos ficar velhos e temos de pensar nisso”, reconhece.

Susana Sampaio. Foto: Rui Dias / O MINHO

Susana Sampaio, uma utente com trissomia 21, durante o confinamento teve a mãe idosa acamada. Numa altura em que a família continuava a trabalhar, com o Cento de Dia fechado, acabou por ter de ser ela o suporte da mãe. No caso de Susana Daniela, a mãe, com 80 anos, já não é capaz de a ajudar, uma das irmãs teve de deixar de trabalhar para tomar conta dela.

As pequenas coisas do dia a dia que deixaram de ser possíveis

António Carlos, de 44 anos, está preocupado porque se aproxima o dia do seu aniversário, em fevereiro, e não vai poder ir ao restaurante. Filipe concorda que vai ser muito aborrecido. “Vou com os amigos. Carne assada, batatas e coca-cola”, diz o próximo aniversariante sorridente.

António Carlos. Foto: Rui Dias / O MINHO

Cunha Magalhães é homem de poucas falas. Nem para dizer a idade abriu exceção, limitou-se a concordar ou discordar com as suposições que se foram fazendo. Quando se falou em comida, todavia, ergueu o corpo que tinha prostrado em cima da mesa, assente nos cotovelos. Deixou de olhar por cima dos óculos graduados e fez um sorriso afirmativo. A ideia de sair para ir comer agrada-lhe.

Cunha Magalhães. Foto: Rui Dias / O MINHO

“Em 27 anos, nunca passei aqui um almoço de Natal tão triste. Havia bacalhau e rabanadas, mas faltava qualquer coisa”, recorda a psicóloga. “Foi quase um dia normal”, queixa-se Ana Cristina. “Faltam os beijinhos e abraços”, dizem alguns.

O dia a dia da instituição teve de mudar muito e quase nada é do agrado dos utentes que, mesmo assim, “são muito cumpridores”. Na instituição todos andam de máscara, corretamente colocada, respeitam os circuitos e desinfetam as mãos. Isso não quer dizer que gostam. “Sentimos falta de estar juntos no refeitório e nos intervalos”, queixa-se Pedro, um utente de 30 anos.

Por uma questão de segurança, os intervalos e as refeições são feitas em pequenos grupos, normalmente da sala em que os utentes têm as suas atividades. Isto reduz muito o contato social entre eles, mesmo quando estão na instituição. Sem falar dos que deixaram de vir.

A Susana não estava com o namorado desde março, viu-o um destes dias. A felicidade foi tão grande que ainda transborda quando Carla França recorda o momento.

A redução das receitas por via das mensalidades não cobradas aos utentes que deixaram de frequentar é um dos problemas que a direção liderada por Rui Leite tem de enfrentar. “Além disso não tivemos a campanha do Pirilampo Mágico, que foi cancelada em 2020 e não fizemos a nossa caminhada. Tudo junto é um rombo de cerca de 70 mil euros”, revela o presidente da CERCIGUI.

Para eles tem de ser o melhor

Rui Leite olha para a gestão no setor social com um misto de coração e visão empresarial. “Coração quando estamos ali fora a lidar com eles, mas visão empresarial quando se trata de angariar fundos”, afirma. O lema é: “para eles tem que ser o melhor”. As casas de banho do CAO tem uma tijoleira linda, ficava bem em qualquer moradia. “Podia ser mais barato se fosse branca e lisa? Podia! Mas para eles tem de ser o melhor”, justifica Rui Leite. Não há luxos, mas também não se aceita a ideia de que qualquer coisa serve. 

É por isso que a instituição tem de inovar e de se lançar a novos desafios. Recentemente começou a explorar outdoors publicitários, as próprias carrinhas da instituição passarão a ser suporte para publicidade. Está a decorrer uma campanha em que é possível comprar, por cinco euros, uma peça de um puzzle gigante. Quem participa, recebe um porta-chaves e um certificado com o número da sua peça no quebra-cabeças. Quando estiver montado, na parede exterior do edifício, o logotipo da CERCIGUI, com sete metros, vai-se ver da Penha.

Finalmente a surpresa: um saquinho de bolachas húngaras, feitas e embaladas, segundo todas as normas de higiene, na CERCIGUI. Deliciosas. 

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