CDU quer Portugal fora do euro

Foto: DR / Arquivo

A IL foi hoje o único partido que se opôs a um parecer vinculativo do Parlamento Europeu sobre as decisões do BCE, enquanto a CDU ficou isolada na ideia de que o país deve preparar-se para sair do euro.

Estas posições foram assumidas esta noite durante um debate entre os cabeças de lista da Iniciativa Liberal (IL), Bloco de Esquerda (BE), CDU e Livre, transmitido na TVI, que se centrou na discussão de temas económicos. 

Logo no início do debate, o candidato da CDU, João Oliveira, defendeu que Portugal deve preparar-se para sair do euro, que considerou ser “um dos obstáculos” para o desenvolvimento do país.

“O euro não é uma fatalidade. Há países dentro da União Europeia (UE) que não têm o euro: a Dinamarca e a Suécia, por exemplo. Vive-se pior nesses países? Não. Nós também queremos que em Portugal se viva melhor”, disse.

Esta posição foi imediatamente criticada pelo cabeça de lista da IL, João Cotrim de Figueiredo, que acusou a CDU de não “conseguir explicar se quer ou não sair do euro” e pediu aos comunistas que “assumam que estão contra a UE”.

Por sua vez, a candidata do BE, Catarina Martins, citou o antigo primeiro-ministro António Costa para referir que “o euro foi uma bênção para a Alemanha”, mas defendeu que o caminho “que tem sentido na atual relação de forças não é Portugal sair do euro”.

“É termos alianças vastas que nos permitam combater as normas da governação económica, ter outra forma de ter o Banco Central Europeu (BCE) e combater também normas de mercado único”, disse.

O “número um” do Livre, Francisco Paupério, também se opôs à saída do euro, salientando que, desde que Portugal aderiu à moeda única, “os salários cresceram muito mais”, e apontando que a UE também acelerou o saneamento básico do país.

“Não é tudo negativo, mas claro que há críticas a fazer”, concedeu.

Depois, o debate centrou-se no escrutínio sobre o BCE, com João Cotrim de Figueiredo a defender que os bancos centrais “só têm utilidade se forem independentes” e a acusar o BE de querer que “haja tutela política do BCE”.

“Era o fim da UE como a conhecemos”, advertiu, com Catarina Martins a contrapor que o BCE “não responde democraticamente a ninguém, mas responde ao sistema financeiro”.

O que o BE propõe “é que o Parlamento Europeu não emita apenas opinião, mas possa ter um parecer vinculativo sobre o que deve ser o mandato do BCE”, disse, uma ideia que foi partilhada pelo candidato Livre, que apresentou as propostas do partido.

“Todos os comissários europeus, no início do seu mandato, estão dispostos a ir ao Parlamento Europeu responder perante os parlamentares. E nós pedimos que no BCE aconteça o mesmo”, disse, com João Oliveira a defender que é preciso dar “capacidade de controlo nacional dos bancos nacionais”.

“Nós defendemos o controlo democrático das instituições para servir o povo, não é para servir os banqueiros”, frisou.

Os candidatos debateram depois uma proposta do Livre para um salário mínimo europeu, com Francisco Paupério a explicar que não se trata de impor o mesmo valor a nível da UE, mas garantir que todos os Estados-membros têm um salário mínimo, o que não acontece atualmente. 

No caso português, prosseguiu, o salário passaria a ser o equivalente a 80% do salário mínimo espanhol. Esta medida foi criticada pelos cabeças de lista do BE e da CDU, que consideraram que se trata de “nivelar por baixo” e que, no caso português, isso acabaria por implicar uma redução do salário mínimo. 

Já João Cotrim Figueiredo criticou quem acha que se pode “aumentar salários por decreto”, acrescentando que, “se houvesse literacia financeira, nenhuma pessoa perceberia as propostas” de BE, CDU e Livre.

“A única forma de aumentar salários de uma forma sustentada é ter uma economia que cresça”, defendeu. 

O debate concluiu com uma discussão sobre a riqueza na UE – com BE, CDU e Livre a defenderem que está a ser mal distribuída, e a IL que não está a ser suficientemente criada -, e sobre a utilização dos fundos europeus. 

Cotrim de Figueiredo defendeu uma maior transparência na utilização dos fundos, o BE a criação de mecanismos anticorrupção, enquanto a CDU considerou que Portugal deve receber mais fundos europeus, alegando que os atuais “não compensam” o que o país está a perder.

 
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