CDU invoca “coerência” nas águas para reforçar representação em Viana

Eleições autárquicas
Foto: Tomás Guerreiro / O MINHO

A cabeça de lista da CDU em Viana do Castelo, Cláudia Marinho, invoca a “coerência” na luta contra a empresa Águas do Alto Minho (AdAM) para sustentar a confiança na conquista da presidência ao PS ou na duplicação da representação.

“A CDU foi a única força política que, nos órgãos autárquicos onde tem eleitos, quer na Câmara, Assembleia Municipal e nas Assembleias de Freguesia, sempre votou contra a constituição da AdAM”, sublinha a educadora social, de 47 anos.

Licenciada em Educação Social e especialista em Educação e Promoção da saúde, a atual vereadora no executivo de maioria socialista promete que se for eleita nas autárquicas do dia 26 “continuará a bater-se” pela “reversão da AdAM e pela remunicipalização da gestão das redes de abastecimento de água em baixa e de saneamento básico”.

A atividade operacional da AdAm teve início em 01 de janeiro de 2020. A empresa é detida em 51% pela Águas de Portugal e em 49% pelos municípios de Arcos de Valdevez (liderança PSD), Caminha (PS), Paredes de Coura (PS), Ponte de Lima (CDS-PP), Valença (PSD), Viana do Castelo (PS) e Vila Nova de Cerveira (Movimento independente PenCe – Pensar Cerveira), que compõem a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho.

Ponte da Barca (PSD), Monção (PSD) e Melgaço (PS) reprovaram a constituição daquela parceria.

A construção de habitação a custos controlados e apoios ao arrendamento é outras das prioridades da CDU (coligação PCP/PEV) para o concelho com 85. 864 habitantes, de acordo com os resultados preliminares do Censos 2021.

“Nestas eleições autárquicas apresentamos um valioso conjunto de gente extremamente capaz, de equipas renovadas e alicerçadas num enorme e reconhecido trabalho no nosso concelho. Esta é a alternativa para mudar e para inverter as prioridades, colocando todos os vianenses em igualdade de oportunidades, com equidade, coerência, mas sobretudo com coesão”, destaca.

Cláudia Marinho trabalha numa instituição particular de solidariedade social do concelho, onde exerce funções de coordenação de uma equipa de rua, na área da redução de riscos e minimização de danos, com população consumidora de substâncias psicoativas.

A candidata defende a “necessidade de um levantamento do património habitacional municipal para reabilitar e arrendar a custos controlados, apoiar o arrendamento, e a criação de um programa municipal de habitação integrada, equitativa e inclusiva”.

Preconiza um “acompanhamento da estratégia municipal de habitação, alargando a participação às organizações sociais e incentivando à criação de cooperativas de habitação”.

Segundo dados da Pordata, entre 2009 e 2019, o valor médio da venda de propriedades urbanas aumentou de 102.363 para 109.993.

A CDU quer também também “garantir que as empresas apoiadas pelo município deem prioridade à população do concelho aquando da criação de novos postos de trabalho”, bem como “a criação de um programa de apoio à primeira instalação para jovens empresários”.

Em 2019 existiam 10.269 empresas não financiadas, sendo o setor da indústria transformadora o que concentrava maior número de trabalhadores, 26,8%. Entre 2009 e 2019, o número de empresas não financiadas aumentou de 9.260 para 10.269, um crescimento de 6,7%.

O ordenamento do parque florestal, a criação de um centro de treino para ‘trail’ e ‘trial bike’, o apoio e a promoção de novos artistas nas diferentes áreas são outras das apostas da candidatura comunista.

A vereadora aponta ainda como prioridades o desenvolvimento socioeducativo nos bairros sociais existentes, políticas preventivas e de reintegração na área da saúde mental nas diversas freguesias, e a criação de cursos profissionais com base nas necessidades existentes no concelho.

Em 2017, Cláudia Marinho estreou-se como cabeça de lista da coligação PCP/PEV à presidência daquele executivo, a que os comunistas regressaram em 2013. A conquista desse mandato, com a eleição de Ilda Figueiredo, quebrou então um interregno de oito anos da presença na Câmara.

Cláudia Marinho é membro da direção regional do PCP e da concelhia de Viana do Castelo, do Movimento Democrático da Mulher, do Movimento Erradicar a Pobreza e da Associação dos Profissionais da Educação Social, e aderente no Conselho Português para a Paz e Cooperação.

Concorrem ainda em Viana do Castelo Luís Nobre pelo PS, Eduardo Teixeira pela coligação PSD/CDS-PP, Jorge Teixeira pelo BE, Paula Veiga pelo Nós, Cidadãos!, Rui Martins pelo Aliança, Maurício Antunes da Silva pelo IL e Cristina Miranda pelo Chega.

Nas autárquicas de 2017, o PS conquistou 53,68% dos votos e garantiu seis mandatos. O PSD atingiu os 21,25% (dois mandatos) e a CDU alcançou 8,11% (um eleito).

 
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