Cascatas, lagoas e rios no Gerês: A ‘armadilha’ natural que já tirou a vida a 18 pessoas nos últimos anos

O último caso ocorreu na terça-feira

As cascatas, lagoas e rios registaram 18 mortes, no Gerês, desde o início da década de 2000, segundo as notícias publicadas nos últimos anos, relatando afogamentos nas cascatas, lagoas e no rio Cávado, para além de mortes por escorregamento seguido de queda, tendo já ocorrido 17 das mortes em Terras de Bouro e uma em Montalegre, todas no Parque Nacional Peneda-Gerês.

Numa recolha realizada a partir das edições impressas e eletrónicas dos jornais, nacionais, regionais e locais, entre os quais O MINHO, confirmam-se 12 mortes, desde o ano de 2012, mas recuando ao início da década de 2000, há um total de 18 mortes.

A cifra negra de 12 mortes desde o ano 2012 foi divulgada pelo presidente da Câmara de Terras de Bouro, Manuel Tibo, em declarações à TVI/CNN, afirmações replicadas oficialmente por aquela autarquia e que O MINHO também publicou.

Além de presidente da Câmara de Terras do Bouro e dos Bombeiros Voluntários Terras de Bouro, Manuel Tibo é dirigente da CIM Cávado e vice-presidente da Comissão de Cogestão do Parque Nacional Peneda-Gerês, que integra o ICNF.

Em declarações à TVI/CNN, Manuel Tibo defendeu o encerramento imediato dos banhos na Cascata do Tahiti, enquanto não fizerem as obras envolventes, que poderão ser passadiços, afirmando-se preocupado com a elevada sinistralidade naquela zona.

Manuel Tibo afirmou dependerem as obras não só da autorização da tutela do Parque Nacional Peneda-Gerês, o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), como de verbas para as quais a autarquia terrabourense não tem orçamento.

Naquilo que dependia da Câmara de Terras de Bouro, ainda segundo Manuel Tibo, fizeram-se estruturas em vários pontos do único parque nacional, como vedações e passadiços em locais perigosos, o caso de miradouros, colocando-se placas.

Antes das 12 mortes referidas durante esta semana, somam-se assim falecimentos desde o início do Anos 2000, tendo ocorrido o caso mais grave, no início da década de 2000, com a morte simultânea de um casal português, na Cascata do Tahiti, situada entre Várzeas e Fecha de Barjas, na localidade de Ermida, freguesia de Vilar da Veiga, concelho de Terras de Bouro, no Gerês.

A disparidade de números, os anunciados 12 oficialmente e os 18 recolhidos por O MINHO, terá a ver com o facto dos registos oficiais serem realizados por diferentes entidades, não havendo entre si uma coordenação estatística, além de nem todos os afogamentos na Caniçada terem sido contabilizados, como o não foram as mortes ocorridas poucas horas já após os acidentes.

Os números avançados após a morte de Serge Outhainhany, cidadão francês de origem asiática, de 51 anos, por afogamento, esta terça-feira, na Cascata do Tahiti, só se reportam desde o ano 2012, não estando, por exemplo, contabilizado o afogamento de um homem que tentava salvar a filha, tendo a jovem sobrevivido, em 2010, na Albufeira da Caniçada, em Terras de Bouro.

Na cifra negra do Gerês, divulgada esta semana, de 12 mortes no Gerês, também não foi contabilizada a morte de um casal de portugueses, residente em Lisboa, que faleceu por queda simultânea, na Cascata do Tahiti, à frente dos seus dois filhos, ocorrida já na década de 2000, naquele que constituiu o único caso de multivítimas numa mesma situação acidental envolvendo turistas.

Houve outro caso com duas vítimas quase simultâneas, no ano de 2018 morreram duas mulheres, no espaço de poucas horas, a primeira, de 38 anos, na Cascata do Arado e duas horas depois, a segunda, de 22 anos, na Cascata do Tahiti, ambas banhadas pelo rio Arado, nas duas situações vitimadas por quedas, após escorregarem, situações ocorridas na tarde 28 de julho de 2018.

Há ainda o caso de um homem de 49 anos, que quando fazia um selfie, no alto da escadaria da Cascata do Arado, em Vilar da Veiga, concelho de Terras de Bouro, a 5 de maio de 2016, caiu da altura de cerca de 40 metros, à frente do filho, tendo morte imediata, recebendo o jovem apoio psicológico, de uma equipa do INEM, oriunda da Delegação Regional do Norte, no Porto.

Além das 17 mortes registadas em Terras de Bouro, houve um outro caso mortal, mas já no vizinho concelho de Montalegre, o de uma jovem de 17 anos, aspirante a bombeira, que escorregou, caiu e faleceu, nas Sete Lagoas, na zona do Baixo Barroso, ainda dentro da área do Parque Nacional Peneda-Gerês, segundo apurado na mesma recolha, feita a partir de todas as notícias.

Desde 2012 e até 2016 ocorreu uma morte por ano, em 2017 não houve qualquer morte, havendo três falecimentos em 2018, uma morte em 2019 (em Montalegre, o único de todos os casos fatais ocorridos fora de Terras de Bouro), três mortes em 2020, duas mortes em 2021, duas mortes em 2022 e o falecimento durante a manhã desta terça-feira, feriado nacional de 25 de abril.

Muitas mortes na Albufeira da Caniçada

No ano anterior, em 2022, morreram duas pessoas, ambas por afogamento, um rapaz de 18 anos que se lançou de uma das duas pontes de Rio Caldo, a 21 de agosto, na Praia do Alqueirão, em Vilar da Veiga e uma jovem de 21, anos na praia fluvial do Agrinho, contígua ao aldeamento onde estava hospedada, a 23 de setembro, em Valdosende, concelho de Terras de Bouro.

Os acidentes com motos de água também foram responsáveis pela morte de uma jovem de 20 anos, emigrante em França, mas natural de Amares, a 24 de agosto de 2020, assim como um empresário residente em Santo Tirso, de 44 anos, a 19 de agosto de 2018, sendo o espelho de água da Albufeira da Caniçada, em Terras de Bouro, palco de grande parte das mortes no Gerês.

Do levantamento dos casos mortais no Gerês realizado por O MINHO não se incluiu o acidente envolvendo dois pilotos mortos no acidente aéreo, um português e um espanhol, ocorrido a 08 de agosto de 2020 na Serra Amarela, já numa zona de fronteira entre Ponte da Barca e Lobios (Galiza), nem os suicídios, nos rios Cávado ou Homem, como o de um padre de Ponte da Barca.

Também o único caso de um homem que morreu de doença súbita, quando fazia um pastoreio de gado, na zona dos Prados da Messe, das áreas mais altas da Serra do Gerês, a 30 de julho de 2022, não faz igualmente parte desta recolha de O MINHO, que se centra em afogamentos no rio Cávado e quedas nas cascatas e lagoas, de consequências mortais imediatas ou a seguir.

Resumindo, houve desde o início da década de 2000 ao todo 18 mortes, uma no ano de 2019 em Montalegre e todas as outras 19 em Terras de Bouro: as duas na década de 2000 (o casal português que passava férias no Gerês com os dois filhos), cinco entre os anos de 2012 até 2016 (uma por ano), três em 2018, três em 2020, duas em 2021, duas em 2022 e a morte já em 2023.

 
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