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Casal julgado por esquema de peditórios falsos diz que aprendeu a prática noutras IPSS

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Foto: CMTV

Três pessoas de Famalicão – um casal e um reformado – começaram esta quinta-feira a ser julgados por terem organizado uma rede de peditórios falsos durante sete anos.

Com o plano que engendraram, os arguidos arrecadaram mais de 316 mil euros, doados por mais de 10 mil pessoas de praticamente todo o país.

Cátia Fonseca, uma das arguidas, assumiu ter tido a ideia e explicou qual foi a origem.

“Trabalhei em várias instituições de solidariedade social e que eram só fachada. Fazia telefonemas e angariava dinheiro. Foi lá que aprendi a fazer isto”, disse a mulher de 35 anos.

O marido, Héder Fonseca, confirmou que fazia as cobranças em nove concelhos. O reformado, de Ribeirão, fazia as cobranças porta a porta e recebia 2,50 euros por cada donativo recebido.

O plano foi posto em prática desde 2009 até 29 de junho de 2017, data em que os arguidos foram detidos pela PSP.

De acordo com a acusação, os acusados criaram uma associação que tinha sede em Famalicão e cujo objeto era o desenvolvimento de atividades de cariz social em prol da criança e da família.

Posteriormente, os arguidos montaram na sede da associação um call center, contratando pessoas para operarem o mesmo.

A estas pessoas eram então fornecidas listas de potenciais doadores a contactar telefonicamente, contacto no qual lhes devia ser exposto um “caso do dia”, de forma a sensibilizá-los.

Seguia-se um pedido de donativo de, pelo menos, 5 euros, pretensamente destinado a solucionar a causa social exposta.

“Sempre que na sequência dos contactos dos ‘operadores de call-center’ alguém se dispunha a contribuir, eram anotados em ficha os seus elementos, necessários para o preenchimento do recibo e para o contacto posterior”, refere a acusação

Munidos dos recibos, os arguidos faziam depois um giro, recolhendo nas residências os donativos que as pessoas previamente contactadas se tinham comprometido a entregar e entregando os recibos, tendo até zonas territoriais distribuídas entre si. Os doadores do centro e do sul remetiam as quantias por vale postal.

“Com esta prática, os arguidos lograram arrecadar e fazer seus, no período em causa, 316.130 euros”, acusa o MP.

Os três arguidos foram detidos pela PSP, na sequência de uma investigação que decorria há meio ano e que foi desencadeada por uma denúncia de uma das vítimas da burla.

Em junho de 2017, a Esquadra da PSP de Famalicão concretizou cinco mandados de busca, apreendendo diversos objetos relacionados com aquela atividade, designadamente milhares de fichas de identificação contendo os dados das vítimas (doadores), recibos falsos, carimbos falsos de associações, material informático, documentação, apontamentos, um automóvel e cerca de 300 euros.

Segundo a PSP, a “organização” operava a coberto do nome de várias associações de cariz social, utilizando moradas falsas e elementos de identificação falsos, em concreto os números fiscais.

As chamadas telefónicas eram efetuadas por jovens mulheres, contratadas por períodos de curta duração, cerca de três semanas a um mês.

Estabeleciam o contacto telefónico com as vítimas, alegando que o dinheiro a doar se destinava a uma causa social, normalmente associada a crianças com doenças oncológicas e com necessidade de tratamentos no estrangeiro.

“A maioria das vítimas procedia à entrega mensal das quantias acima referidas, motivo pelo qual muitas das vezes nem questionavam mais o destino da doação, tanto mais que a maior parte das vítimas eram pessoas aposentadas ou de meia-idade”, refere um comunicado da PSP, emitido aquando da detenção.

As entregas eram entre cinco a 10 euros mensais.

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