O capitão Ricardo Portal, que até finais do ano passado comandou o Destacamento Territorial da GNR de Fafe, detido pela PJ no momento em que descarregava uma tonelada e meia de cocaína, em Fafe, ficou em prisão preventiva, a aguardar julgamento.
Ricardo Portal, de 34 anos, que seguiu já para a Casa de Reclusão Militar de Tomar, segundo decisão do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, está fortemente indiciado pelo crime de tráfico de drogas duras agravado, na vertente transcontinental.
O jovem oficial do Comando Territorial de Braga da GNR, do qual depende diretamente a GNR de Fafe, terá optado por não prestar declarações, encontrando-se o seu processo criminal, desde o início, já barrado em segredo de justiça, interno e externo.
Ricardo Jorge Fernandes Sousa Portal, que antes de prestar serviço no Comando Territorial da GNR de Braga, esteve colocado no Destacamento de Trânsito da GNR de Vila Real, após ter passado pela Unidade de Controlo Costeiro e Fronteiras.
Abrangido pelas regras que enquadram os militares, quer os das Forças Armadas, quer os da GNR, o capitão Ricardo Portal dormiu na GNR do Porto, tendo sido escoltado, para a Casa de Reclusão Militar de Tomar, por um oficial de patente superior.
Segundo detido também ficou em preventiva
O Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, que tem por competência jurisdicional em toda a região nortenha, determinou que o outro arguido, de 42 anos, empresário, familiar do capitão Portal, ficasse também em prisão preventiva, só que no Porto.
Foi a maior agência mundial de investigação e de combate ao narcotráfico internacional, a norte-americana Drug Enforcement Administration (DEA), coadjuvada pela congénere, Customs and Border Protection (CBP), que começou por sinalizar o caso.
A partir daí, coube à Polícia Judiciária a componente portuguesa, através da sua Secção Regional de Investigação a Tráfico de Estupefacientes (SRITE) da Diretoria do Norte, sediada no Porto, tendo chegado só recentemente até ao capitão Ricardo Portal.
Em estreita colaboração com a Autoridade Tributária e Aduaneira (ATA), do Ministério das Finanças, destacada no Porto de Leixões, a Polícia Judiciária do Norte desencadeou procedimentos de uma “entrega controlada”, da tonelada e meia de cocaína.
Sinalizados os três contentores oriundos por via marítima para o Porto de Leixões, em Matosinhos, a Polícia Judiciária esteve a acompanhar 24 horas por dia o seu levantamento, que ocorreu na terça-feira, seguindo-o até à freguesia de Golães, em Fafe.
A tonelada e meia de cocaína estava dissimulada entre cerca de 70 toneladas de peles de animais, cujo cheiro forte, aumentando ao longo de semanas de viagem intercontinental, deixa-a passar incógnita os cães pisteiros especializados na deteção de droga.
O ‘day after’ da investigação
As primeiras informações apontam para que pelo menos a maioria da cocaína, avaliada em mais de 30 milhões de euros, pois caso não tivesse sido apreendida daria para pelo menos cerca de cinco milhões e meio de doses individuais, mas com sucessivo adicionamento de produtos de corte, para aumentar as quantidades, os preços à sua chegada ao chamado mercado de rua, o valor da cocaína confiscada aumentaria bastante, podendo atingir meia centena de milhões de euros.
A partir de agora há um imenso trabalho a realizar pela Polícia Judiciária, admitindo-se que grande parte daquela cocaína fosse agora para diversos países europeus, através de Espanha, onde por sua vez ficaria parte daquele grande carregamento de droga.
O papel do capitão Ricardo Portal, seria, à partida, o de liderar a componente portuguesa de uma organização internacional de tráfico de droga, faltando saber quem financiou a aquisição da cocaína, o que deixa o oficial da GNR em apuros perante a rede.
A “responsabilidade” pela falha que levou à apreensão da droga, no armazém de uma empresa de fachada detida pelo próprio e pela sua esposa, na freguesia de Golães, em Fafe, poderá ser imputada pela organização ao jovem oficial da GNR de Braga.
Em termos práticos, quem financiou com pelo menos dez milhões de euros, valor segundo uma estimativa policial, vai querer ser ressarcido do prejuízo, isto é, “pedir satisfações” aos destinatários imediatos da droga e porque razão falharam em Portugal.
Essa terá sido uma das principais razões que terão levado o capitão Ricardo Portal a não prestar declarações no primeiro interrogatório de arguido detido, no Porto, pois nesta fase dos acontecimentos, na rede, toda a gente desconfia de toda a gente.
O capitão Ricardo Portal encontrava-se só há pouco mais de meio ano já de licença sem vencimento, de duração ilimitada, o que significa que poderia voltar a qualquer momento ou então mais tarde até demitir-se da GNR.
Como há mais capitães da GNR igualmente com licença sem vencimento e de duração ilimitada, inclusivamente no Comando Territorial da GNR de Braga, a partir da cidade dos arcebispos fizeram questão de fazer constar publicamente o nome de detido pelo tráfico de droga, até para “não se confundir a árvore com a floresta”, como referiu um oficial superior da GNR de Braga.