O candidato do Bloco de Esquerda à Câmara de Viana do Castelo nas autárquicas de outubro, Carlos da Torre, disse hoje querer tirar o concelho de uma “realidade medíocre” e fazê-lo “sair da cepa torta”.
“É muito bom estarmos aqui (…) com ganas de falar desta terra que parece condenada a uma sina que a prende a uma realidade medíocre e da nossa vontade alimentada por ideias para juntos, a fazer sair da cepa torta”, afirmou.
Carlos da Torre apresentou-se publicamente na Praça da Erva, onde há 26 anos se realizou a primeira sessão do BE de Viana do Castelo.
A sessão de apresentação pública da candidatura do BE, que contou com a presença de Mariza Matias, inclui uma homenagem a Miguel Portas (1958/2012) e Romeu de Sousa (1936-2009), fundador do partido na capital do Alto Minho.
Na intervenção, Carlos da Torre garantiu que o partido vai estar “contra a demagogia e contra o populismo” e “propostas responsáveis”.
Considerou que “em Portugal, uma direita herdeira dos valores da ditadura, numa versão caricaturada de uma portugalidade ignorante e ridícula, ganha espaço de influência política”.
Segundo o candidato do BE, o resultado é um “insuportável ambiente de mentira, ódio e arrogância”.
Carlos da Torre assegurou que “esta realidade nacional e global tem impacto no poder autárquico”.
“Eles estão aí a mobilizar o ódio e o retrocesso em todos os níveis de poder. Por muito irracionais que consideremos os seus argumentos, por muita crueldade social a espreitar nas suas intenções reais, por muito contraditórias que nos pareçam as suas propostas, eles têm poderosos apoios de quem os quer ao seu serviço, cavalgam um populismo eficaz para o seu propósito e vão minando toda a vida democrática, se não os soubermos travar”, alertou.
Carlos da Torre acrescentou que o combate a esta realidade “não pode tolher” as pessoas, “antes pelo contrário”.
“Torna mais urgente a necessidade de aprofundar a democracia local. Aos que querem degradar o mais possível a democracia para a destruir, a resposta tem de ser aprofundá-la, torná-la mais efetiva, mais capaz de resolver os problemas das pessoas e de se reinventar na transparência, na participação e na clareza das estratégias e das concretizações”, observou.
Carlos da Torre disse não ter uma “fórmula mágica” para resolver os problemas do concelho, mas propôs três boas doses de vitamina D para concelho de Viana do Castelo.
“O D de democracia. Aprofundar a democracia, instituindo procedimentos e práticas que promovam a transparência e favoreçam a participação dos munícipes nos processos de decisão política. O D de dignidade, colocando todos ao mesmo nível, enfrentando com determinação as desigualdades”, referiu.
O último D é de desenvolvimento, “promovendo uma estratégia de desenvolvimento económico diversificado e sustentável. Com a cultura, o ambiente e a qualidade de vida, no centro da política concelhia.
A habitação, o apoio à agricultura biológica, o equilíbrio entre proteção ecológica, qualidade de vida e desenvolvimento sustentável, a proteção do bem-estar animal, reforçando os serviços veterinários municipais gratuitos ou com tarifa social, destinados a famílias com baixos rendimentos, assegurando o acesso a cuidados básicos de saúde animal, são outras áreas que o BE considera prioritárias.
Atualmente, o executivo de Viana do Castelo é composto por cinco eleitos pelo PS, um eleito pela CDU, um vereador independente (social-democrata que deixou o partido para integrar o Chega) e dois vereadores da coligação PSD/CDS-PP.
Além de Carlos da Torre, foram formalizadas sete candidaturas à Câmara de Viana do Castelo: o atual presidente da autarquia, Luís Nobre (PS), Paulo de Morais (coligação PSD/CDS-PP), Duarte de Brito Antunes (IL), José Flores (coligação PCP/PEV), Eduardo Teixeira (Chega) e Luís Arezes (ADN).
As eleições autárquicas realizam-se a 12 de outubro.