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Guimarães

Camiões têm de ser rebocados para chegar a zona industrial em Guimarães

Características do acesso fazem os pesados perderem tração

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Foto: Rui Dias / O MINHO

O problema do acesso ao Parque Industrial de S. Torcato, na rua D. Afonso Henriques, em Guimarães, é antigo. Em tempo de chuva, o acesso estreito, em piso de paralelo, com uma curva em cotovelo a subir, faz com que os camiões percam tração e fiquem sem se conseguir movimentar.

Nem para a frente nem para trás. É assim que ficam os camiões que querem aceder à Zona Industrial de São Torcato, principalmente os articulados, quando perdem tração numa curva muito fechada, em piso de paralelo, numa zona em que a rua é bastante inclinada.

Os motoristas explicam que a situação se agrava quando transitam sem carga, “uma vez que com menos peso os tratores (parte frontal do veículo articulado) têm menos tração”. A meio da curva os rodados traseiros do trator deixam de agarrar, o camião pára e isso, na maior parte dos casos, é fatal. Para sair daquela situação só com a ajuda de outro camião, ou de um trator agrícola a servir como reboque.

A situação é tão antiga que, em 2011, a Darita, empresa que se dedica à fabricação de calçado, já se queixava à Câmara. “Foi concluído que a via não está preparada para suportar camiões, pelo que a empresa não devia situar-se nesse local”, foi a resposta que a Darita obteve da Câmara naquela altura. A empresa ficou tão desiludida com a resposta que não voltou a interpelar o Município.

Em tempo de chuva, o acesso estreito, em piso de paralelo, com curva em cotovelo, faz com que os camiões percam tração. Foto: Rui Dias / O MINHO

Contudo, com o passar dos anos, as empresas continuaram a instalar-se naquela Zona Industrial. Recentemente foi uma empresa de transportes que ali se instalou e que agravou o problema. Não só há mais trânsito de camiões, como há mais camiões articulados. “O que acontece é que com a passagem constante de camiões pesados a estrada está a ficar com dois regos de cada lado, a estrada abate sob o peso dos camiões”, descreve António Miranda, proprietário do café Gilde, no coração da Zona Industrial.

Alberto Martins, presidente da Junta de Freguesia de São Torcato, acrescenta ao problema o facto de este ser um dos principais acessos ao destacamento da Guarda Nacional Republicana e a algumas zonas habitacionais.

“Já me aconteceu chegar aqui e estarem dois camiões parados porque que não se conseguem cruzar. Nesses casos temos de ir de volta, mas, além de ser longe a estrada é péssima”, afirma Manuela, uma funcionária da Take Away, outra fábrica de calçado instalada naquela Zona Industrial.

“Quando a GNR aqui chega e não consegue passar, fecha os olhos e volta para trás”, testemunha António Miranda.

O problema coloca-se em cerca de 200 metros de trajeto, desde o entroncamento da EM 207/4, passando pela ponte sobre o rio Selho até à Zona Industrial. Alberto Martins confirma que já teve contatos com o vereador Ricardo Costa e que ficou a promessa de que o problema se iria resolver.

O presidente da Junta foi encarregue pela Câmara de sondar junto dos proprietários a disponibilidade para a cedência dos terrenos necessários ao alargamento da via. “Toda a gente estava de acordo para a cedência dos terrenos. Foi-me dito que a obra arrancava em 2020”, afirma Alberto Martins.

Desesperada por anos de espera, a população fez um abaixo assinado que, em setembro passado, fez chegar à Junta de Freguesia de São Torcato e à Câmara Municipal de Guimarães. Assinaram o documento 22 moradores, comerciantes e empresários afetados.

A Junta confessa-se impotente para resolver o problema que “tem um custo que não é suportável pelo orçamento daquele órgão”. Alberto Martins afirma que acredita que a Câmara já tem um projeto para aquela obra e que só não sabe por que razão é que a empreitada não começa já.

Questionada sobre a situação, a Câmara Municipal não respondeu sobre se realmente existe projeto, nem se há já alguma data prevista para o início das obras.

Enquanto a estrada não é reparada, avança o trator do senhor Santos, proprietário de uma vacaria ali próxima, solução de último recurso, quando não há nenhum motorista disponível para ajudar um colega enrascado.

“No dia em que veio para cá a empresa de camionagem fomos lá sete ou oito vezes, com o trator”, recorda Martinho, filho do senhor Santos.

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