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Barcelos

Camião tomba em rotunda em Barcelos

Acidente

em

Foto: Vítor Vasconcelos / O MINHO

Um camião tombou, na manhã desta segunda-feira, na rotunda junto da Central de Camionagem, em Arcozelo, no concelho de Barcelos.

Ao fazer a rotunda, em circunstâncias por apurar, veículo pesado acabou por virar.

Foto: Vítor Vasconcelos / O MINHO

Ao que O MINHO apurou, não haverá feridos a registar.

Os Bombeiros de Barcelos foram acionados para fazer a limpeza da via por volta das 09:30.

A PSP registou a ocorrência.

Barcelos

Freguesias de Barcelos em protesto registam elevadas taxas de abstenção

Perelhal e Cambeses

Foto: Vítor Vasconcelos / O MINHO

Em Perelhal, freguesia do concelho de Barcelos onde se apelou à abstenção e ao voto nulo em protesto contra a passagem da linha de muito alta tensão naquela localidade, votaram apenas 36,61% dos inscritos.

Foi baixa a adesão às urnas em Perelhal. Foto: Vítor Vasconcelos / O MINHO

Votaram 570 de 1.557 eleitores. Portanto, a abstenção foi de 63,39%. Já os votos nulos foram 84, o que representa 14,74%.

Trata-se de números bem acima das médias nacionais, ainda que provisórias (às 20:30 deste domingo), em que abstenção está abaixo dos 60% e os nulos rondam o 1%.

Já em Cambeses, outra freguesia do concelho de Barcelos onde foi feito o apelo ao “não voto”, neste caso contra a falta de saneamento básico, a abstenção foi de 71,74%.

De 1.189 inscritos, votaram 336, o que representa 28,26%.

Também esta abstenção está bem acima da média nacional.

Perelhal contra linha de muito alta tensão

Como O MINHO tem noticiado, em Perelhal é contestada a passagem da linha de muito alta tensão, tendo inclusive já, em eleições anteriores, havido protestos. Nas últimas eleições legislativas, houve um apelo ao voto nulo. Acabaram por se registar 479 votos nulos, equivalentes a 48,68%. Já antes, nas eleições europeias de 2019, naquela freguesia registara-se “a maior percentagem de votos nulos a nível nacional”.

Freguesia de Barcelos prepara novo boicote eleitoral contra muito alta tensão

Além dos boicotes eleitorais, foram realizadas várias manifestações populares e com ações judiciais movidas pela Junta e outras instituições da freguesia e populares.

Cambeses quer saneamento básico

Já em Cambeses, na manhã deste domingo, mais de uma centena de pessoas concentraram-se hoje junto à sede da Junta para apelar à abstenção nas eleições presidenciais, num protesto pacífico contra a falta de saneamento na freguesia.

Protesto pacífico com mais de cem pessoas apelou à abstenção em freguesia de Barcelos

O protesto deve-se ao facto de entre em 2008 ter sido instalada na freguesia a rede de água e saneamento, a população foi “forçada” a ligar-se à água, mas nunca foi feita a ligação ao saneamento.

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Barcelos

Protesto pacífico com mais de cem pessoas apelou à abstenção em freguesia de Barcelos

Couto de Cambeses

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Mais de uma centena de pessoas concentram-se hoje junto à sede da Junta de Cambeses, em Barcelos, para apelar à abstenção nas eleições presidenciais, num protesto pacífico contra a falta de saneamento na freguesia.

“Acima de tudo, a ideia é mediatizar a questão da falta de saneamento em Cambeses, para ver se alguém finalmente se lembra de nós e faz a ligação ao saneamento. Doze anos à espera parece-nos demasiado tempo”, disse à Lusa José Campos, um dos dinamizadores do protesto nesta freguesia.

Segundo José Campos, o protesto de hoje traduz-se num apelo ao “não voto”.

“Gostávamos que ninguém viesse votar, mas não impedimos ninguém de o fazer. Quem quiser votar, vota, naturalmente. O que nós queremos é deixar aqui o nosso apelo, o nosso alerta para a falta de saneamento e para tudo o que isso acarreta, até em termos de saúde pública”, acrescentou.

José Campos explicou que em 2008 foram instaladas, na freguesia, as redes de água e saneamento.

Os moradores, acrescentou, “foram obrigados” a fazer a ligação à rede de água.

No entanto, a rede de saneamento “nunca foi ligada”, pelo que as águas residuais “são despejadas para a via pública e coletores de águas pluviais que vão parar ao rio”.

“Cheira mal na freguesia e é um atentado à saúde pública”, refere um documento distribuído pelos organizadores do protesto.

O presidente da Junta de Cambeses, Agostinho Silva, disse à Lusa que a autarquia “está fora do protesto”, mas sublinhou que, “como cidadão”, comunga inteiramente da reivindicação do saneamento.

“É um problema muito grave, espero que todos juntos possamos trabalhar para o ultrapassar”, referiu.

Disse ainda que até cerca das 11:00 a adesão ao voto estava a ser “muito fraca”.

O presidente da Câmara de Barcelos, Miguel Costa Gomes, já disse que a questão do saneamento em Cambeses “está dependente” da construção de uma estação de tratamento de águas residuais (ETAR) em Cristelo.

O autarca socialista manifestou-se esperançado de que a obra seja financiada pelo Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR).

“Se não for possível, temos de arranjar uma forma”, acrescentou.

Quanto ao protesto de hoje, Costa Gomes disse compreender a vontade da população em dispor de uma rede de saneamento, mas frisou que “não vai ser o boicote que vai alterar a situação atual”.

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Barcelos

Miguel Silva imortalizou a avó com pintura gigante em Barcelos

Pandemia afastou graffiter da avó nos seus últimos meses de vida

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Miguel Silva já tinha a ideia na cabeça em 2019, mas não teve coragem de contar à avó. A pandemia acabou por afastá-lo da matriarca, dada a redução ao máximo das visitas e a interrupção dos convívios de domingo. A avó Clotilde acabou por falecer em julho do ano passado em resultado do agravamento dos seus problemas de saúde. Um mês depois, o graffiter imortalizou-a com uma pintura gigante – quatro metros de altura, seis de largura – no ‘seu’ túnel, perto do local onde reside, em Vila Frescainha S. Martinho, no concelho de Barcelos. Agora, todos os dias, o jovem de 25 anos vê, a partir de casa, a imagem da avó ‘Tide’ e criou um “local de culto” onde toda a família – e que é bastante numerosa – a pode homenagear.

Quando Clotilde foi à Praça de Alegria, na altura em que o programa da RTP oferecia um prémio aos avós com mais descendentes, foi preciso um autocarro. Tinha, então, 24 netos e seis bisnetos. Agora, já são cerca de 30 netos e 37 bisnetos (dois deles nascidos já após o seu falecimento).

“É uma família mesmo muito grande”, contextualiza Miguel Silva. Num grupo de família nas redes sociais, todos os netos e bisnetos partilhavam as fotografias que tiravam com Clotilde. Esses retratos com a avó eram uma forma de unir toda a família.

Miguel Silva agora vê a imagem da avó, todos os dias, a partir de casa. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

“Tenho primos que ainda não conheço pessoalmente, mas conheço-os porque eles já tiraram uma foto com a avó”, conta o graffiter, considerando que “esse legado tinha que persistir”.

“Toda a minha família, os que vão nascer, os meus filhos e dos meus primos, têm que ter uma foto com a avó e no cemitério não é nada agradável. Assim, têm aqui um local de culto para tirar uma foto com ela e para lhe dizer olá”, explica o também designer gráfico numa empresa de sublimados têxteis.

Paixão pelo graffiti nasceu do hip hop

O viaduto da chamada ‘estrada nova’, que liga Barcelos a Viana do Castelo, transformou-se, assim, ponto de visita de familiares de Miguel Silva, que por ali passam, nos seus passeios higiénicos, para dar um “bom dia” à avó Clotilde. Já o graffiter nem precisa de sair de casa para ver a pintura da avó. “Dá para ver da minha casa este local, vejo a minha avó todos os dias da janela do corredor”, conta.

Foram dois dias e meio de trabalho, acompanhados por uma equipa que depois produziu um vídeo. “Se fosse hoje voltaria a fazê-la ainda maior”. Foi pintado por cima de outros trabalhos, dado que aquele viaduto é como a segunda casa do graffiter que ali começou a pintar há cerca de oito anos.

“Os primeiros dois anos [de experiência] nem conto muito, porque tem que se aprender, riscar, aprimorar, conhecer o spray, perceber que o spray não é igual ao papel. A partir daí foi uma evolução”, conta o artista, cuja obra foi recentemente dada a conhecer em reportagem no Jornal de Barcelos.

Aquele viaduto, perto do sítio onde vive, é o seu templo. Ali fez as experimentações, foi evoluindo e, agora, “cada pintura que [ali] fizer é para ficar permanente”. “Invisto mais tempo, para ficar um local turístico, foi sempre assim que o idealizei”, aponta o graffiter que assina com a ‘tag’ Soldier.

A origem do nome artístico remonta ao universo do hip hop, que o arrastou para o graffiti.

Miguel Silva assina com o nome artístico ‘Soldier’. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

“Sempre fui apaixonado pela cultura hip hop, também os meus primos influenciaram-me nesse sentido. Hoje ouço qualquer tipo de música, mas o grafitti começou por aí. Agora já não me baseio só no hip hop para criar, mas em todo tipo de cultura visual e musical. O graffiti pertence ao hip hop mas, à medida que fui amadurecendo, percebi que pertence principalmente à comunidade, a todos nós. Pertence mais à cidade do que ao artista, o artista é só o meio”, considera, apelando a que sejam dadas “mais oportunidades aos artistas”.

Os temas “I’m a soldier” de Tupac Shakur e “Like Toy Soldiers” de Eminem inspiraram Miguel Silva, que no primeiro ano assinava em português, como “Soldado”, alterando, depois, para inglês. “Inspirei-me nessa palavra e na música deles. Depois mudei para ‘Soldier’, em inglês, porque gosto mais da composição das letras”, explica.

“Polícia não me incomoda”

O ‘quartel’ de Soldier é o viaduto onde, antes da avó, já tinha desenhado o retrato do seu melhor amigo e de uma amiga. “Este túnel já não é só meu, quero que seja partilhado”, refere, dando conta de que, ali, está ajudar outros a desenvolver a arte, como antes também o ajudaram, nomeadamente integrando uma ‘crew’. Foi assim que cresceu artisticamente: “A falar com as pessoas que já pintam há mais tempo e a aprender com elas”.

A vizinhança já o conhece e gosta do seu trabalho. “A reação dos vizinhos é impecável, cinco estrelas”. E a polícia não lhe causa problemas. “Pinto aqui há muito tempo. A polícia passa, fala comigo e não me incomoda. Sempre me senti confortável, até porque não estou a incomodar ninguém”, reforça Miguel Silva, notando que, porém, nada invalida que a Infraestruturas de Portugal um dia “faça manutenção e cubra tudo de betão para reforçar a ponte”.

Antes da avó, Miguel Silva já tinha desenhado o melhor amigo. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Assumindo que a sua intervenção naquele local é ilegal, o graffiter não esconde que gostava de ter a oportunidade – que até agora não teve – de pintar na cidade de Barcelos “com todas as regras, legalmente”.

Nesse sentido, tem “alguns” projetos em mente, um deles consistirá em concorrer ao Orçamento Participativo da Câmara. “Não será algo em que a autarquia vá gastar muito, mas que vai ser estudada para intervir e encaixar na comunidade”, avança, sem desvendar mais pormenores.

“Barcelos tem que crescer em termos artísticos”, defende Miguel Silva, afirmando que, nesse âmbito, a cidade já “foi grande em tempos, mas agora começou a desmoronar um bocadinho e perde-se um bocado este lado de as pessoas saírem de casa só para apreciarem a cidade”.

As pinturas de Afmach, conceituado pintor da cidade, no ‘Largo dos Poetas’, é um exemplo de que essa intervenção artística na comunidade é possível e tem bons resultados. “Ainda bem que isso já é permitido e que seja o primeiro passo”, declara o graffiter, esperando não ter que esperar “tanto tempo” como aquele veterano artista para ter essa oportunidade.

Túnel tornou-se “local de culto” para a família da avó ‘Tide’. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Entretanto, para o ‘seu’ túnel, tem uma ideia para ‘fechar’ a parede com um desenho de duas pessoas do sexo feminino que se estarão a tocar. Representará a amizade e “será a união do túnel”, juntando as pinturas do amigo e da avó (“a felicidade e harmonia da família”) ao retrato da amiga no outro outro canto (onde está inscrita a palavra “saudade”). Fará também a transição de cor. “É a maior pintura que vou fazer”, revela.

Mas a “maior honra”, essa, é a homenagem à avó ‘Tide’.

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