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“Calar a direita com o programa da direita é o avesso de um orçamento de esquerda”

OE2022

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Foto: DR / Arquivo

A coordenadora do BE acusou hoje o primeiro-ministro, António Costa, de estar “a repetir os velhos mantras da direita”, de apresentar “o avesso de um orçamento de esquerda” e de regressar a um programa de direita.

No discurso de encerramento do debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), Catarina Martins fez críticas cerradas ao Governo do PS liderado por António Costa, considerando que, se em outubro de 2021 o orçamento “já era muito mau, em abril de 2022 é uma condenação da maioria das pessoas a uma vida pior” e por isso, “sem surpresa”, o BE votará contra.

“Hoje mesmo, o Governo trouxe a debate os números do PIB que acabam de ser divulgados, ignorando os da inflação: 7,2% este mês. Ou seja, apesar do crescimento económico, os salários estão mais curtos. Diga-nos senhor primeiro-ministro, o que acontece quando o PIB aumenta, mas os salários não? Ouviu-se o eco de um velho refrão: `o país está muito melhor, as pessoas é que não`”, acusou, numa referência implícita a uma frase de 2014 do ex-líder parlamentar do PSD e agora candidato à liderança do PSD, Luís Montenegro.

Para a líder do BE, “ao repetir os velhos mantras da direita”, António Costa “fala numa língua morta” que, para Catarina Martins, deixou de se usar com a geringonça quando “ficou provado que o crescimento económico e a consolidação orçamental dependem de uma economia que puxe pelos salários e pensões”.

“Bem sei que a direita fica paralisada quando ouve essa missa em latim, mas calar a direita com o programa da direita é o avesso de um orçamento de esquerda”, acusou.

A campanha de António Costa para as primárias do PS, quando o agora primeiro-ministro ganhou a António José Seguro, foi trazida por Catarina Martins para a intervenção de hoje.

“Dizia na altura: `se pensarmos como a direita pensa, acabamos a governar como a direita governa`. Hoje, quando volto a ouvir um Ministro das Finanças comparar o Orçamento do Estado com o de uma família e repetir o discurso velho e errado da direita sobre a dívida e o défice, sou obrigada a concordar com o António Costa de 2014”, ironizou.

Para a líder bloquista, “a crítica mais dura ao governo anterior de António Costa chegou a este debate pelo atual Governo de António Costa”.

“Eu explico: lembram-se do orçamento que António Costa segurava para as câmaras no último debate eleitoral? Previa um défice de 3,2%. No debate de hoje, o ministro das Finanças respondeu ao Bloco de Esquerda que o défice que António Costa previa há três meses era uma irresponsabilidade”, referiu.

Esta crítica, segundo Catarina Martins, é também “uma clarificação” porque “a inflação permite um aumento brutal da receita fiscal, mas o governo decidiu não usar essa receita para apoiar quem trabalha e vê o seu salário comido pela inflação, nem mesmo para responder aos enormes problemas dos serviços públicos essenciais”.

“O governo vai usar essa receita suplementar para rever em baixa a meta de défice e ir além das regras europeias que hoje, aliás, estão suspensas”, condenou.

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