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Braga

Brinquedos no tribunal de Braga por alegado abusador da filha ter ficado em liberdade

“Machismo cultural”

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Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Cerca de uma centena de itens, entre brinquedos, mochilas, bolas, roupas de criança e “tarjas com mensagens fortes” foram colocadas esta noite de domingo na entrada principal do Tribunal de Braga em forma de protesto contra as medidas de coação aplicadas a um homem de 44 anos que terá sido apanhado em flagrante a violar a filha de 15 durante o período de confinamento, no passado domingo, dia 03 de maio.

Esta ação, levada a cabo pela Associação Mulheres de Braga, pretende consciencializar não só os juízes mas toda a sociedade civil para um “machismo cultural” que existirá na região minhota, isto nas palavras de Emília Santos, presidente e uma das fundadoras do coletivo feminino.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Em declarações a O MINHO, a responsável admite que é também uma forma de pressionar e “fazer barulho” para que os apelos deixados à justiça relativamente às agressões sexuais, mortes e agressões psicológicas e físicas que muitas mulheres são sujeitas, muitas vezes por quem lhes é próximo, sejam ouvidos.

“É muito estranho que o juiz tenha deixado o agressor em liberdade com medidas de distanciamento e a proibição de contacto com a filha [ficou ainda com pulseira eletrónica], quando o mesmo terá sido apanhado em flagrante pela mãe da vítima durante uma agressão sexual”, denuncia.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Emília, em conjunto com outros elementos do grupo, irá constituir-se assistente neste processo durante esta semana para acompanhar a atuação da justiça neste caso em particular e perceber o motivo da decisão do tribunal. “Deixamos um apelo através do nosso grupo privado, que conta com cerca de 8 mil mulheres – e muitas aderiram, trazendo objetos para participar nesta ação”, expõe.

Valentina recordada

A responsável aponta ainda uma tarja em memória da pequena Valentina, a menina de 9 anos, cujo corpo foi hoje encontrado em Peniche, alegadamente após ter sido assassinada pelo pai em conluio com a madrasta. Ambos foram detidos pela Polícia Judiciária mas só amanhã serão presentes a tribunal: “espero que a justiça não volte a ser branda e não sejam outros que vão ficar soltos”.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

O coletivo de mulheres foi fundado em 2019 depois de Gabriela Monteiro, funcionária no Theatro Circo, ter sido assassinada à facada pelo ex-companheiro, em frente ao mesmo local onde agora decorre o protesto.

Para além do grupo nas redes sociais para um contacto direto com todas as mulheres, contam ainda com uma página de Facebook “aberta também aos homens”, para divulgar as ações que realizam.

A Associação Mulheres de Braga tem dado apoio a vítimas de violência doméstica “24 horas por dia”, mas “não tem sido fácil”, sobretudo por falta de um espaço físico para o organismo, algo que tem sido “muito difícil” de conseguir.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

À procura de um espaço para acolher vítimas que não podem ficar em casa

“Já tivemos três reuniões com a Câmara de Braga e ainda esta semana reunimos com Ricardo Rio, que se mostrou disponível a ajudar a pagar metade da renda mas não nos pode ceder nenhum espaço”, conta. Também algumas juntas de freguesia já foram contactadas mas as soluções oferecidas não colmatam a necessidade das vítimas.

“Os espaços que nos disponibilizam encerram às 17:00, e a violência não tem hora, muitos dos pedidos de ajuda que nos chegam são ao fim de semana e à noite, logo não faz sentido ter um espaço que encerra após um horário normal de trabalho”, alerta.

Embora seja um problema transversal a todo o país, Emília não tem dúvidas em apontar a região do Minho como bastante “problemática” para as mulheres, sobretudo “por uma questão cultural”.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

“Machismo cultural” no Minho

“O álcool e as drogas motivam muitas agressões mas creio que o maior problema de todos é cultural, um machismo cultural, onde até as próprias mulheres são as primeiras a criticar outras mulheres, dizendo coisas como puseste-te a jeito“, denuncia.

Outro dos problemas apontados passa pelo apoio policial: “em Braga, existem apenas dois ou três agentes da PSP especializados nestas questões, mas todos eles trabalham apenas até ás 17:00 e quando ligámos para a esquadra depois dessa hora, muitas vezes somos ignoradas”.

“De noite, não há ninguém para nos proteger e isso tem de acabar, precisámos de mais efetivos policiais do nosso lado”, salienta.

Ao todo, são 24 mulheres a trabalhar ativamente na associação. Para além de apoio jurídico e emocional, garantem ainda apoio através de bens alimentares, sobretudo desde que iniciou a pandemia.

“Muitas mulheres tinham trabalhos precários e agora estão em casa, sem posses, e temos ajudado nisso”. Mas a falta do já referido espaço físico tem limitado essa ajuda.

Até atingirem esse propósito, Emília vai utilizando a própria habitação como ponto de encontro para receber e distribuir bens, “mas não é assim que deve funcionar”.

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Braga

URMinho critica “jantares de comício em restaurantes que deveriam estar fechados”

União de Restaurantes do Minho enviou carta aberta ao Presidente da República

Foto: Imagem TVI

A União de Restaurantes do Minho (URMinho) considera “incompreensível” que os seus associados não possam trabalhar “quando são permitidos ajuntamentos e jantares de comício, em restaurantes que deveriam estar fechados”. A associação mostra o “total descontentamento” numa carta aberta ao Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, Primeiro-Ministro, Presidente da Comissão Nacional de Eleições e Presidentes das Câmaras Municipais do Minho.

A URMinho começa por “mostrar total descontentamento” perante as notícias de “falta de condições para [as pessoas] exercerem o seu direito de voto”.

“Assim, torna-se incompreensível enquanto empresários e associados da URMINHO não nos deixarem trabalhar, quando são permitidos ajuntamentos e jantares de comício, em restaurantes que deveriam estar fechados”, refere a carta aberta, numa referência, implícita, ao jantar de apoio a André Ventura, que reuniu cerca de 170 pessoas em Braga.

“Não é justo, não é sério e não é democrático, uns estarem inibidos de trabalhar e outros em campanha eleitoral fazendo com que os ajuntamentos, tão falados, aconteçam, denegrindo a imagem do país. Não contrariando a opinião pública, mas não nos inibindo de transmitir a opinião dos nossos associados, vimos reafirmar que estas eleições não deveriam decorrer neste tempo tão dramático”, refere a URMinho.

Nesse sentido, a associação apela à colocação de faixas pretas “bem visíveis à porta dos respetivos estabelecimentos” para demonstrar o que considera ser “esta face negra da democracia”.

“Se algum empresário de outras atividades comerciais se sentir igualmente injustiçado, sintam-se livres para fazer o mesmo”, destaca a carta aberta, apelando a que, “perante toda esta vergonha”, sejam “prontamente esclarecidos os acontecimentos recentes acima enumerados”.

“É incompreensível o nosso sector estar encerrado quando não há um único estudo que prove que a restauração é responsável pelo aumento dos números de casos. Aliás, indo mais longe, nos picos do contágio, os restaurantes estavam fortemente limitados no exercício da sua atividade, dando ênfase ao Natal e ao Ano Novo”, acrescenta.

“Não queiram, daqui a 3 semanas, se lamentar à semelhança do Natal, pelo facto de se poder desconfinar e circular livremente, no dia 24, apenas com o pretexto de ir votar. Um país onde a democracia é posta apenas ao dispor de alguns não é um país democrático”, conclui a carta aberta.

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Braga

Apoiante de Ventura faz saudação nazi em jantar com 170 pessoas em Braga

Eleições presidenciais

Foto: Imagem RTP

Um apoiante de André Ventura fez a saudação nazi durante o jantar-comício do candidato presidencial apoiado pelo Chega, o qual junto cerca de 170 pessoas, domingo, num restaurante em Braga.

A reportagem da RTP capta o momento em que o apoiante, de pé, está com o braço direito erguido, e assim o mantém, até ser alertado por um elemento para não o fazer.

Esta já não é a primeira vez que num comício de André Ventura há saudações nazis. Em janeiro de 2020, um apoiante do Chega fez a saudação nazi, durante o hino nacional, num jantar do partido da nova direita radical populista, no Porto. Na altura, André Ventura repudiou a situação.

O jantar-comício de ontem em Braga está envolto em polémico devido ao elevado número de participantes, sem distanciamento social, e para o qual, segundo a RTP, o jantar não estava autorizado pelas autoridades de saúde.

“Todos os eventos que estamos a realizar são feitos através das distritais, que contactam a Direção-Geral de Saúde (DGS), com os dados e o cumprimento de todas as regras de distanciamento, das mesas e dos lugares nas mesas”, disse o diretor de campanha, mandatário nacional de André Ventura e membro da direção nacional do Chega, Rui Paulo Sousa.

Mas segundo a RTP, a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) tinha dado um parecer negativo ao evento que foi depois confirmado pelo delegado a Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN), mas o ACES Braga só já durante o dia de hoje terá tido conhecimento do documento, tal como a Guarda Nacional Republicana.

Esta foi a maior iniciativa entreportas da candidatura desde o início do período de campanha oficial (10 de janeiro), uma vez que todos os comícios anteriores tiveram lugar em espaços com plateias devidamente preparadas para guardar a distância sanitária ou refeições coletivas apenas com algumas dezenas de convivas em restaurantes.

Apesar do “dever geral de recolhimento domiciliário” e num dia em que Portugal perdeu mais 152 pessoas para a covid-19, Rui Paulo Sousa argumentou que o evento é “um comício político que, pela lei, é permitido”.

“Não está cancelado, apesar do estado de confinamento. Obviamente que as pessoas cantam, falam, exprimem-se porque é um evento político”, frisou.

“Neste caso, foi contactado o Agrupamento de Centros de Saúde de Braga (ACES Braga), que mandou cá uma equipa e esteve a medir rigorosamente e a ver se cumpria todos os requisitos”, garantiu o dirigente da força política da extrema-direita parlamentar.

O concorrente ao Palácio de Belém, André Ventura, nas suas ações de campanha eleitoral, tem criticado fortemente o executivo liderado por António Costa por aquilo que considera ser incompetência e falta de planeamento no combate às novas vagas da crise pandémica.

Em fundo, no salão onde decorre a iniciativa, fechado à comunicação social, ouviam-se gritos de apoio a Ventura, palmas, um coro de pessoas a cantar e a brindar.

Ventura, em Braga, chama “travesti de direita” a Rui Rio

O espaço escolhido pelo Chega foi um grande estabelecimento de restauração, especializado em eventos como casamentos e batizados, entre outros, no lugar de Tebosa, arredores de Braga.

Jornalista insultados e ameaçados

Indivíduos afetos à candidatura presidencial do Chega hostilizaram no domingo jornalistas e repórteres de imagem, num jantar comício em Braga, após ser noticiado que estavam ali reunidas cerca de 170 pessoas durante o confinamento geral.

Insultos vários, ameaças de violência e até contacto físico com operadores de câmara antecederam o momento em que foi, finalmente, permitida a entrada da comunicação social no repleto salão do restaurante, cerca de duas horas depois do previsto.

“Pouco importa, pouco importa/se eles falam bem ou mal/queremos o André Ventura/Presidente de Portugal”, entoaram, com gestos típicos de claque de futebol, enquanto os “cameramen” e repórteres instalavam os seus tripés ou gravadores.

Durante a sua breve intervenção, a anteceder o líder do partido da extrema-direita parlamentar, o diretor de campanha e mandatário nacional, além de membro da direção nacional do Chega, Rui Paulo Sousa afirmou: “os nossos adversários estão lá fora, mas alguns estão cá dentro…”, motivando mais gestos ameaçadores dos apoiantes na direção da comunicação social.

“Claques” de André Ventura hostilizam jornalistas em Braga

“É com orgulho que eu digo chega/É com respeito que me vês/E bate forte cá no meu peito/E é por ti que eu canto, André/Ale, ale, Ventura, Ale/Ale, ale, Ventura, Ale/Ale, ale, Ventura, Ale”, era outra das “letras” reproduzidas em papel e colocadas em todas as mesas para que os cânticos saíssem mais afinados.

A distrital de Braga do Chega inclui concelhias como Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Barcelos, entre outras. A “plateia” do comício era formada quase na sua totalidade por homens.

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Braga

Ventura, em Braga, chama “travesti de direita” a Rui Rio

Eleições presidenciais

Foto: DR / Arquivo

O candidato presidencial do Chega lamentou domingo a referência da concorrente Ana Gomes a Hitler, criticou o Governo socialista por recriminar os portugueses pela escalada pandémica e chamou a Rui Rio “travesti de direita”.

André Ventura discursou num jantar/comício noturno, que contou com cerca de 160 apoiantes em tempo de confinamento e que foi marcado pela animosidade contra os jornalistas, num restaurante de eventos nos arredores de Braga.

“Disse que também Adolf Hitler foi eleito, ou seja, chamou Adolf Hitler a um adversário político”, afirmou André Ventura, considerando as declarações da diplomata e ex-eurodeputada socialista “uma aberração em democracia”, pois trata-se de equiparar “um opositor” ao “líder do partido nazi alemão”, sublinhando a ausência de indignação dos comentadores.

O presidente e deputado único do partido da extrema-direita parlamentar referiu-se ao facto de Portugal ter atingido dos “piores números no quadro comparativo” da pandemia de covid-19.

“Claques” de André Ventura hostilizam jornalistas em Braga

“Quando era nos Estados Unidos, a culpa era do Trump. No Brasil, a culpa era do Bolsonaro, mas cá não é do António Costa. É do povo português, que se comporta mal. Vergonha, vergonha! Quando são Portugal e Espanha a estarem com os piores números da Europa, a culpa não é dos Governos socialistas, é do povo que se porta mal!? Fraude, fraude!”, condenou.

O líder nacional-populista evocou ainda a colocação de um cartaz do candidato da Iniciativa Liberal (IL), Tiago Mayan, ao lado do da sua candidatura, no qual a fotografia de Ventura é acompanhada por “Presidente dos portugueses de bem”. Satiricamente, a IL intitulou Mayan como “Presidente de todos os portugueses (até dele)”, Ventura.

“Quando vi o cartaz, parecia-me um anúncio publicitário a uma clínica qualquer, mas era um cartaz que, supostamente, teria graça e seria para nos atacar. Aquela direita fofinha. Agora, desapareceu o CDS e apareceu a Iniciativa Liberal”, afirmou.

Segundo Ventura, “em breve, será o PSD a fazer este tipo de cartazes”.

“Estamos no caminho certo. Parece que estou a ver o dr. Rui Rio [presidente social-democrata, o maior partido da oposição] com a cara num cartaz, a dizer assim: ‘votem em mim, eu sou a direita social’, assim, de lado, mas com o lápis na orelha. A direita social não é nenhuma direita. É ser travesti de direita, socialistas encapotados”, vociferou.

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