BragaHabit tem 520 famílias em lista de espera

Habitação pública
Foto: CM Braga

A empresa municipal de habitação de Braga (BragaHabit) tem 520 famílias em lista de espera, das quais 209 para um T1, foi hoje divulgado.

Segundo Carlos Videira, administrador da BragaHabit, aquela é precisamente a tipologia em que existem menos habitações disponíveis.

“A estrutura das famílias está a mudar, são cada vez mais pequenas, há cada vez mais casais isolados, pessoas a viver sozinhas, pessoas que estão em residência partilhada, mas que gostavam de estar na sua própria casa”, explicou.

Falando no âmbito da comemoração dos 25 anos da BragaHabit, em que foi apresentado um estudo sobre os impactos da atuação da empresa e as perceções da população relativamente à habitação pública no concelho, Carlos Videira sublinhou a necessidade de encontrar novas respostas para o fenómeno das famílias pequenas.

Atualmente, a BragaHabit tem cerca de 750 fogos, sendo que cerca de 60 estão devolutos, ou porque estão em obra, outros porque estão a servir de habitação de transição para famílias que não podem estar em casa quando a obra está a decorrer.

No âmbito da comemoração dos seus 25 anos, a BragaHabit realizou um estudo sobre os impactos da sua atuação e as perceções da população relativamente à habitação pública no concelho.

Realizado entre abril e maio de 2024, o estudo envolveu 201 inquiridos, divididos entre 100 residentes de bairros sociais e 101 outros munícipes.

“Os resultados revelam que 63% dos residentes dos bairros classificam positivamente a relação com a BragaHabit, destacando a importância da habitação pública na melhoria da qualidade de vida”, refere um comunicado da Câmara.

Acrescenta que 91% dos moradores consideram a tipologia das suas habitações adequada, embora apontem problemas estruturais como humidade, degradação dos edifícios e isolamento acústico.

O estudo revela que 74% não desejam sair do bairro, citando como razões o vínculo emocional, idade avançada, problemas de saúde e os preços elevados do mercado livre.

No entanto, 26% gostariam de sair, seja pelas condições das habitações, seja pela vontade de melhorar a sua qualidade de vida.

O estudo também revela desafios na integração social dos moradores dos bairros.

Segundo os números do estudo, 64% dos munícipes inquiridos afirmaram que não viveriam perto de um bairro social e 62% dos beneficiários percecionam algum nível de discriminação por residirem num bairro social.

“Estes dados reforçam a necessidade das medidas de sensibilização e inclusão, promovendo uma visão mais equilibrada sobre a habitação pública e os seus beneficiários”, acrescenta o comunicado.

As principais sugestões de melhoria apontadas incluem maior acompanhamento da BragaHabit aos bairros, fiscalização mais rigorosa, reforço da segurança e apoio à integração dos moradores no mercado de trabalho.

Os munícipes sugerem ainda uma comunicação mais eficaz e uma política de habitação pública mais dinâmica, permitindo que as famílias consigam gradualmente autonomizar-se.

Para Carlos Videira, os resultados deste inquérito confirmam que a habitação pública desempenha um “papel crucial na vida das famílias que dela dependem, mas também identificam desafios que exigem uma resposta contínua e articulada”.

“A BragaHabit está comprometida em melhorar as condições habitacionais, reforçar a proximidade com os moradores e promover a inclusão, garantindo que a habitação pública seja um pilar fundamental para assegurar a igualdade de oportunidades e impulsionar o elevador social”, referiu.

 
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