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Braga

Braga: Trabalhadora de call center agredida e despedida vai parar a tribunal

Call center da Concentrix

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Foto: DR/Arquivo

O caso de uma trabalhadora, alegadamente agredida no call center da Concentrix no edifício da estação de comboios de Braga, contratada pela Randstad e despedida há duas semanas vai para tribunal. A confirmação foi dada a O MINHO por Nuno Geraldes do Sindicatos dos Trabalhadores de Call Center. A empresa desmente a situação.

O caso remonta a maio do ano passado quando uma trabalhadora terá sido agredida física e verbalmente por um colega de trabalho. Segundo Nuno Geraldes, “os insultos e provocações começaram quando um trabalhador começou a namorar com alguém ligado à Concentrix. Deixou de atender telefones e passou a monitorizar o trabalho dos outros”.

O assédio e as provocações eram “especialmente com esta trabalhadora”, mas “extensíveis a outros” ainda que em menor escala. A funcionária estava a trabalhar numa linha de apoio técnico à Apple e “chegou, inclusive, a pedir aos supervisores que o retirassem dali”.

A agressão terá acontecido depois, e segundo Nuno Geraldes, “a funcionária ter dito ao rapaz que ‘andava a fazer aquilo porque tinha as costas quentes’. Levou uma chapada”.

Suspensos

Os dois trabalhadores foram suspensos. A rapariga voltou ao trabalho em Junho do ano passado mas recebe uma nova carta, “que a Randstad viria a retificar, com uma nota de culpa com vista ao despedimento”.

O caso só ficaria resolvido em Julho. Um mês depois, a mesma funcionária recebe uma repreensão escrita “por ter respondido verbalmente à agressão sofrida e voltou ao trabalho”.

O outro funcionário foi “oficialmente despedido por justa causa”, diz Nuno Geraldes ainda que a versão que “circula nos corredores tenha sido outra: que terá recebido uma indemnização”.

Caducidade do contrato

Segundo o sindicalista, “a trabalhadora foi vítima de uma situação reiterada e sistemática de perseguição e assédio inventando uma narrativa em volta dela classificando-a como uma pessoa conflituosa, o que não poderia estar mais longe da verdade”.

Depois de afastada do seu posto de trabalho, “recebeu uma carta a informar que seria aberto novo processo disciplinar e que estaria suspensa das suas funções”.

Até que, há cerca de duas semanas, e depois de alguns meses, “sem qualquer conclusão de processo disciplinar ou nota de culpa, a trabalhadora recebe uma carta de caducidade de contrato sem qualquer outra explicação”.

Nuno Geraldes não entende o despedimento até porque “o contrato a termo incerto tem um conjunto de situações que podem levar a cessar as funções de um trabalhador” e neste caso, “isso não se verifica”.

“Como foi confirmado pelo responsável pela Concentrix, naquela linha em específico vão fazer novas formações e contratar mais pessoas”, o que para o sindicalista “deixa de haver razões para o despedimento”.

Randstad

Contactada por O MINHO, a empresa diz que as declarações do sindicato “não correspondem à verdade”.

E acrescenta que “a atual situação em nada está relacionada com o incidente registado em novembro de 2018 no qual a colaboradora foi agredida por um colega”.

Segundo a Randstad, a trabalhadora foi, efetivamente, despedida porque “há uma menor necessidade de postos de trabalho associados à área de actividade da trabalhadora em causa, pelo que foi efectuada a revisão em baixa dos mesmos. Esta situação em nada está relacionada com os acontecimentos de novembro passado e observou todos os requisitos legais inerentes à situação”.

Quando às alegadas agressões: a empresa assume “uma posição de tolerância zero face a abusos e assédios, repudiando totalmente qualquer comportamento desta natureza. Por esse motivo, o trabalhador em questão foi despedido com justa causa, no seguimento de um processo disciplinar instaurado pela empresa”.

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