O Tribunal de Instrução de Guimarães determinou, hoje, a prisão preventiva de dois homens, de Braga, pai e filho, de 56 e de 31 anos de idade, que, a 21 de fevereiro, atacaram um eletricista de automóveis, na sua oficina em Adaúfe, à paulada e à facada.
O juiz considerou haver fortes indícios de que Sancho M., conhecido como Maia, e Josué M., ambos de Braga, atacaram o mecânico por este se ter recusado a fazer uma reparação a um veículo Mercedes, que tinha o motor de arranque avariado. Os dois haviam sido detidos, na quinta-feira, pela PJ de Braga.
A vítima, Domingos José Vieira, com oficina automóvel na Avenida Imaculada Conceição em Adaúfe, arredores da cidade, não quis fazer o serviço dado que, em ocasiões anteriores tinha trabalhado para o Sancho, e este demorou muito tempo a pagar, querendo fazê-lo com a entrega de perfumes e de roupa, que vendia como feirante.
Face à recusa, o pai atacou-o com um pau e o filho fê-lo com uma faca do tipo punhal, atingindo-o no abdómen que ficou furado até 30 a 40 centímetros, tendo entrado no intestino.
A vítima, que foi ainda atingida na nuca, numa mão e na zona occipital, teve de ser operado no Hospital de Braga, onde ficou internado.
Em declarações a O MINHO, o advogado João Ferreira Araújo, com escritório em Braga, revelou que vai recorrer da medida de coação por a entender “exagerada”, sobretudo no que toca ao arguido Sancho, o pai, dado que não foi ele quem esfaqueou o eletricista. O magistrado justificou a medida de coação com o facto de haver perigo de continuação da atividade criminosa.
O juiz deu como indiciado que o mecânico já há vários anos que conhece os dois por frequentarem uma café nas proximidades e por ter prestado diversos serviços ao Sancho cujo preço este tardava a pagar querendo com frequência fazê-lo através de perfumes e roupa.
No dia 21, este arguido contratou um reboque para levar um Mercedes para a oficina, após o que, os dois foram lá tendo-lhe pedido para reparar o motor de arranque. Este recusou-se a fazê-lo dadas as dificuldades anteriores em receber.
Assim, e depois de 20 a 30 minutos a insistir com ele o Sancho disse-lhe: “Podia segurar-te aqui”.
Ao que o visado respondeu: “Vens para aqui ameaçar. Põe-te lá fora”, tendo depois empurrando os dois para o exterior da oficina e virado costas para regressar.
Então, Sancho pegou num cabo de machado com uma extremidade partida, mas com 56 centímetros de comprimento e cinco de grossura e deu-lhe uma pancada no lado esquerdo da nuca. O eletricista voltou-se e conseguiu agarrar o pau, mas o arguido tornou a tirá-lo e a tentar agredi-lo.
Enquanto isso, diz ainda o juiz, José segurava na mão uma faca parecida com um punhal com 10 a 15 cm de lâmina. Aí, ao ver a faca, o mecânico fugiu para dentro da oficina mas foi seguido pelos dois, um com o pau e o outro com a faca.
A seguir, ao aproximar-se de umas escadas no meio do piso, levou com outra paulada na nuca e com uma facada na mesma zona. Tentou proteger-se com as mãos na cabeça, mas levou facadas na mão e no abdómen, tendo os agressores fugido do local. Apesar de estar a sangrar, ainda foi atrás deles mas Sancho atirou-lhe um tijolo apanhado na berma da estrada atingindo-o nas mãos.
Por força da facada na barriga, a vítima sofreu uma perfuração até à face posterior do estômago e duas perfurações do intestino grosso. Ficou, ainda, com feridas numa mão, três na cabeça e uma na zona occipital.