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Braga

Braga: Oposição votou contra e deixou críticas às contas de 2018

“Um ano de atrasos”

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Foto: DR/Arquivo

A oposição da Câmara de Braga uniu-se para votar contra o relatório de contas referente a 2018 e deixou muitas críticas à mistura. O presidente da câmara voltou a lembrar que o executivo duplicou o investimento em relação ao ano anterior.

“Um ano de atrasos”. Foi assim que o Vereador da CDU se referiu à atividade municipal em 2018. “Houve as obras do Fórum Braga e do eixo desportivo da rodovia e mais nada” começou por dizer Carlos Almeida,  acrescentando que “as outras obras previstas ou não avançaram ou arrancaram já este ano”.

Por isso, foi “um ano de atrasos” que se reflete, inclusive, nas contas e mais concretamente nas receitas de capital, “inferiores a 50% e com um desvio de 14 milhões de euros”. Segundo o vereador comunista “não houve recebimento dos fundos comunitários previstos e, por isso, a execução é baixa tanto nas receitas como nas despesas”.

Carlos Almeida. Foto: DR (arquivo)

Para Carlos Almeida a juntar a tudo isto, houve ainda “o aumento do endividamento a curto prazo, no valor dos 20 milhões de euros, sobretudo a fornecedores”.

A carga fiscal voltou a estar sob a atenção do vereador.

“Mais uma vez se verificou o aumento das receitas através da carga fiscal e quando dizemos que queremos uma redução do IMI dizem-nos que não há margem mas o que os números nos mostram é que de ano para ano a receita por via da carga fiscal aumenta”, situando em 50% do valor total.

Palavra final para o investimento. “É verdade que o investimento duplicou de um ano para o outro mas isso acontece porque em 2017 foi muito muito curto. E há dez milhões de euros que estavam previstos e que não foram concretizados”.

PS

Artur Feio, líder da concelhia do PS/Braga. Foto: PS Braga/Facebook (Arquivo)

Se Artur Feio do PS alinha pelo mesmo diapasão de Carlos Almeida na análise feita, o discurso é mais agressivo: “os números traduzem a falência de ideias da maioria”. Para o socialista em 2017 “o investimento foi tão baixo que seria difícil não duplicá-lo” recordando que “15 milhões de euros é um valor manifestamente baixo. Braga precisa de investimento a rondar os 25/30 milhões de euros”.

Feito teceu fortes críticas à política municipal atual: “se o endividamento é muito similar ao passado, não houve investimento e a dívida a curto prazo aumenta para onde vai o dinheiro?”. E deu a resposta: “vai para o regabofe, para as festas e festinhas, para o que é efémero e imaterial”.

O vereador socialista diz que Ricardo Rio “é um mau gestor, não faz ideia como se gasta e onde se deve gastar os dinheiros públicos” configurando quase “gestão danosa”.

Os 200 milhões de euros que estão em litigância judicial são “incompreensíveis” para Artur Feio: “a mesma câmara que cobra coercivamente aos cidadãos é a mesmo que depois vai a tribunal responder por essa cobrança”.

Ricardo Rio

Ricardo Rio. Foto: DR

O autarca tem uma visão diferente: “2018 foi a todos os títulos um ano de grandes realizações a começar pelo domínio físico com o Fórum Braga e o Parque Desportivo da Rodovia, duplicamos o investimento do ano anterior de 09 para 18 milhões de euros”.

Para Ricardo Rio, o Município está “a trabalhar em contraciclo com os ciclos eleitorais, porque 2017 foi ano de eleições e o investimento foi menor do que em 2018 que não é ano de eleições”.

O aumento da dívida a curto prazo foi explicado, precisamente, pelo investimento feito: “usamos dinheiro nosso para fazer face a alguns investimentos e isso reflectiu-se no aumento da dívida a curto prazo”. Ora, no futuro, o executivo municipal vai fazer um empréstimo bancário para fazer face à componente municipal das obras, “libertando o dinheiro para abater esta dívida”.

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