Braga lança estudo prévio para iniciar obras do BRT em 2025

Primeiro autocarro entregue para o serviço BRT em Coimbra. Foto: Fernando Liberato / X

O Município de Braga já lançou o concurso para a elaboração do Estudo Prévio à conceção e construção do sistema de BRT (Bus Rapid Transit), foi hoje anunciado durante a reunião do Conselho Consultivo da Mobilidade de Braga, que decorreu na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva.

É mais um passo no plano de implementação do BRT em Braga, cujo início de construção está previsto para o primeiro semestre de 2025.

“O projeto de implementação do BRT em Braga vai entrar agora na sua fase decisiva. Braga está fortemente empenhada na transição da mobilidade urbana no sentido de assegurar a sustentabilidade ambiental no Concelho e contribuir para esse objetivo a nível nacional. Nesse sentido, estamos a dar passos largos para a implementação de um projeto que, pela sua modernidade, fiabilidade, frequência e rapidez de circulação, vai garantir maior atratividade, sobretudo na malha urbana onde serve a maior parte da população”, garantiu Ricardo Rio, citado em comunicado.

Durante a sessão, o presidente da Câmara Municipal de Braga, deixou uma palavra de reconhecimento ao Pelouro da Mobilidade “pelo excelente trabalho desenvolvido ao longo das diversas etapas”, manifestando “total confiança nos TUB – Transportes Urbano de Braga para, em articulação com o Município, levarem a bom porto o ambicioso projeto de implementação do BRT em Braga”.

Teotónio dos Santos, administrador dos TUB apresentou ao detalhe o projeto de implementação do BRT, lembrando as diversas fases deste projeto desde o Estudo Preliminar de Apoio à Decisão, em abril de 2021, da recolha dos Dados da Rede Móvel, em fevereiro de 2022, o Estudo de Procura para a Implementação do BRT, em novembro de 2022, da Contagem de Tráfego em 49 cruzamentos, em dezembro de 2022, e o Estudo de Inserção Urbana entre 2023 e 2024.

A autarquia recorda que a inclusão do projeto na última revisão do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), possibilitou alocar 100 milhões de euros no BRT de Braga, valor que corresponde a 66,6% do orçamento do projeto – no total, são 150 milhões de euros -, que financiará a construção de duas das quatro linhas do BRT.

Trajeto previsto

Numa fase inicial a rede terá as referidas duas linhas e a extensão de 12,2 km, prevendo que se expanda posteriormente para quatro linhas numa extensão total de 22,5 km.

A Linha Amarela terá cerca de 6km e 10 estações, e promoverá a ligação entre a zona sul da cidade, onde se localiza o Minho Center, e a estação ferroviária, promovendo a captação de passageiros do transporte individual através de um park & ride no extremo Sul da linha. Permitirá também resolver a fratura urbana nos eixos da Avenida António Macedo, Avenida Padre Júlio Fragata e Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires.

Já a Linha Vermelha terá cerca de 6,2 km e 10 estações, contará também com interface com o transporte ferroviário e ligará à Universidade do Minho e ao Hospital. Contribuirá para a resolução da fratura urbana no eixo da Avenida Imaculada Conceição, Avenida João XXI e Avenida João Paulo II.

School Bus alargado a 19 escolas

Nesta reunião, a vereadora Olga Pereira, responsável pelo Pelouro da Mobilidade, apresentou ainda as políticas municipais de Mobilidade Escolar implementadas pela Autarquia e os resultados do Projeto Green Deal, Pedibus e Cicloexpresso que contou com a participação dos alunos do Agrupamento de Escolas D. Maria II, André Soares e da EB 2,3 de Lamaçães.

Devido à “forte adesão e enorme potencial”, Olga Pereira adiantou que o Município vai alargar o projeto School Bus a 19 escolas do concelho, já a partir do próximo ano letivo.

“O projeto School Bus foi implementado de forma permanente em 2018 e tem contribuído decisivamente para o alívio do fluxo de trânsito junto das escolas do centro de Braga. Atualmente o projeto abrange oito estabelecimentos de ensino e, no próximo ano letivo, vamos alargar este serviço a 19 escolas do Concelho”, adiantou a vereadora.

O School Bus é implementado pelo Município de Braga e pelos TUB, com o objetivo de “reduzir o congestionamento automóvel no perímetro das escolas da malha urbana da cidade, reduzir os níveis de sinistralidade, incentivar a autonomia e responsabilidade das crianças, a definição de espaços mais inclusivos e seguros, bem como o incremento da qualidade de vida da população”.

No âmbito do Pedibus, as crianças deslocam-se a pé para a escola. Trata-se de um projecto-piloto inovador de mobilidade escolar onde os alunos do ensino primário vão a pé num grupo organizado, vigiado por monitores e com percursos previamente definidos.

O Pedibus resulta de uma candidatura ao Fundo para o Serviço Público de Transportes, sob gestão do Conselho Diretivo do IMT – Instituto da Mobilidade e dos Transportes, e está atualmente a funcionar nas escolas EB1 de S. João do Souto, EB1 de Ponte Pedrinha e Colégio D. Pedro V. Após este período de testes, o objetivo passa por estender o projeto a mais estabelecimentos escolares no próximo ano letivo.

Já o projecto de mobilidade escolar CicloExpresso, que começou por ser implementado em três escolas e já funciona em seis estabelecimentos de ensino do Concelho, organiza comboios de bicicleta para a escola, colocando a mobilidade sustentável e a educação ambiental no dia-a-dia das crianças em idade escolar. Para a implementação desta iniciativa o Município de Braga contratou a Cooperativa Bicicultura, que conta com o apoio do Fundo +PLUS, um Programa de Investimento para o Impacto, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

“Este projecto está perfeitamente alinhado com a estratégia municipal de promoção da mobilidade urbana sustentável e de articulação deste desígnio na lógica da mobilidade escolar”, nota a Câmara.

O Conselho Consultivo da Mobilidade de Braga conta com 30 entidades, administrativas, da sociedade civil e das forças de segurança, para participar em políticas de descarbonização, qualificação do espaço público (através da eliminação de barreiras arquitetónicas), aumento da segurança rodoviária e literacia da população.

Este órgão assume-se como um espaço de debate sobre Mobilidade, onde os intervenientes, entidades públicas e privadas, podem dar voz às suas sugestões e reflexões, conhecer os projetos municipais previstos e em curso e acompanhar a sua concretização.

 
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