O Observatório Astronómico de Gualtar, em Braga, já instalou um sistema de deteção de meteoros, depois de o Centro de Ciência Viva de Braga ter aderido à rede europeia com o sistema “AllSky7”, foi hoje anunciado.
Em comunicado, João Vieira, director do Centro Ciência Viva e responsável pelo Observatório Astronómico Bracarense, explica que este sistema complexo é composto por oito câmaras “de grande sensibilidade e de grande campo, recolhe dados em contínuo de todo o céu de modo a registar, em tempo real, a entrada de meteoros na atmosfera terrestre”.
Segundo a mesma fonte, a rede permite depois triangular os dados de várias estações e de seguida calcular um enorme conjunto de parâmetros sobre os eventos registados.
As câmaras permitem ainda fornecer dados das condições meteorológicas em cada local onde o sistema está instalado.
A rede AllSky7 foi iniciada em 2018 na Alemanha e contém, actualmente, estações em vários países: Áustria, Bélgica, Suíça, Alemanha, Dinamarca, Espanha, França, Hungria, Holanda, Noruega, Irlanda, Itália, Polónia, Portugal, Eslovénia, Eslováquia, Reino Unido e Estados Unidos / Iowa.
João Vieira destaca que “este sistema é o único no Norte do nosso país” e “é mais uma área de trabalho no nosso observatório e mais um contributo que estamos a dar à ciência”.
E conclui: “Para além do importante contributo científico, desta nova valência, queremos potenciar a componente pedagógica, nesta área do saber, desenvolvendo actividades com os nossos visitantes nesta área fascinante da astronomia”
Um meteoro é um fenómeno que ocorre na nossa atmosfera, normalmente identificado como um traço luminoso de duração breve. São vulgarmente conhecidos como “estrelas cadentes” e resultam da entrada, a grandes velocidades, de pequenas partículas na nossa atmosfera.
A altitude média típica da ocorrência dos fenómenos é de 90-100 km de altitude, na região da atmosfera terrestre denominada de Mesosfera – Termosfera. A duração temporal dos eventos visuais é usualmente inferior a um segundo mas, alguns eventos, denominados de bólides, podem durar vários segundos.
A origem dos meteoros resulta dos “restos” libertados de corpos de maiores dimensões do nosso sistema solar, como os cometas e asteróides. Estas pequenas partículas ficam a orbitar a nossa estrela, sofrendo interacções e perturbações, como todos os demais corpos do sistema solar, podendo depois colidir com a atmosfera terrestre com velocidades compreendidas entre os 30 e os 70 km/s.
O estudo dos meteoros permite-nos conhecer o espaço interplanetário nas vizinhanças da órbita terrestre, nomeadamente a distribuição, densidade e composição das partículas, a sua cinemática e dinâmica, entender as suas origens e prever períodos de maior atividade meteórica.