A Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) revelou que, este ano, foram feitos pedidos de desafetação de salas de cinema em centros comerciais de Viana do Castelo e Braga que pertencem à Sonae Sierra.
Em Viana do Castelo, o Ministério da Cultura autorizou a desafetação de quatro salas no Estação Viana Shopping, que são exploradas pela exibidora Cineplace.
Sobre estes cinemas, em agosto, fonte oficial da Sonae Sierra disse à Lusa que “de momento” manteria a atividade habitual, mas admitiu que “está em constante análise de diferentes oportunidades dentro da gestão do seu ativo”.
“Não tem qualquer fundamento”
A empresa Cineplace, questionada pela Lusa, disse que o encerramento “não tem qualquer fundamento”, estando até a “desenvolver planos para investir na modernização do cinema de Viana do Castelo”.
Em Braga, no centro comercial Nova Arcada, foi feito um pedido “para afetação a atividade de natureza diferente de seis das 12 salas”, que também são geridas pela Cineplace, mas o processo “encontra-se em instrução”, disse fonte da IGAC.
De acordo com a lei atual (decreto-lei 23/2014), a demolição de recintos de cinema, ou a sua afetação para outra atividade que não a cinematográfica, depende de autorização da tutela governativa da Cultura.
A autorização é emitida pelo Ministério da Cultura, com base em pareceres da IGAC.
Maior complexo de cinemas do país pode perder salas
Também a Norte, o Arrábida Shopping, em Vila Nova de Gaia, foi autorizado a desafetar a atividade cinematográfica em nove das 20 salas do centro comercial, por questões de “viabilidade económica”, disse à Lusa fonte da IGAC.
No Arrábida Shopping funciona o maior complexo de salas de cinema do país, com vinte ecrãs, mas os proprietários do centro comercial pediram este ano a desafetação de nove salas, ficando a funcionar as restantes onze.
O pedido, que já foi autorizado pelo Ministério da Cultura, “assenta no facto de o atual número de salas de cinema não oferecer viabilidade económica, em relação ao número de espectadores e oferta cinematográfica comercial para as mesmas, não se justificando o seu atual funcionamento, com uma oferta tão desproporcionada face à procura”, conclui a IGAC.