A Arquidiocese de Braga informou, sexta-feira, os pais dos alunos do Colégio D. Diogo de Sousa de que “sempre pretendeu que ambos os gestores, o diretor, padre Cândido Sá e o administrador António Araújo, continuassem nos respetivos cargos, mas ambos se mostraram indisponíveis, apesar de várias tentativas feitas pelo organismo e por professores para que ficassem”.
Quem o diz são duas mães que estiveram presentes na reunião entre o Bispo Auxiliar de Braga, Delfim Gomes, o Reitor do Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo, Vítor Novais e pelo Ecónomo Arquidiocesano, Miguel Simões e um grupo alargado de pais. Os textos foram colocados no grupo de Whatsapp dos pais.
No documento, a autora relata que “vários encarregados de educação insistiram se não seria possível mantê-los (aos até ao final do ano letivo e foi-nos dito que ambos diretores estão irredutíveis e não querem manter seus cargos ou qualquer outro dentro da nova estrutura de governança proposta pela Arquidiocese”.
E, diz, uma delas: “Decidi não participar da vigilia, pois acho que não vai contribuir para qualquer solução, apenas para causar alarde e denegrir a reputação do Colégio e da Arquidiocese”.
Já a outra progenitora diz que a Vigília apenas serve para atrair as televisões”.
Pagamentos em dinheiro vivo
Argumentam que “nunca esteve nos seus planos substituir os atuais diretores e isso é parte da explicação sobre porque é que isto está a acontecer agora. As mudanças que pretendem fazer serão graduais no sentido de uma maior profissionalização da gestão do Colégio, no sentido de uma maior transparência nomeadamente a nível fiscal”.
E acentuam: “Sobre este ponto da questão fiscal devo dizer que eles tiveram bastante cuidado com as palavras que utilizaram e não acusaram ninguém de nada”.
No entanto, e ao que O MINHO sabe uma das práticas menos consentâneas com a legalidade era de reter grandes quantidades de dinheiro vivo nos cofres do Colégio e fazer pagamentos em dinheiro a fornecedores.
Nesse sentido, há alguns anos atrás e após um furto de alguns milhares de euros – pelo menos 50 mil que estavam nos cofres – o anterior Arcebispo D. Jorge Ortiga – indigitou o padre Cândido para Diretor com a função de erradicar esse tipo de práticas.
Mudanças na gestão
Nos mesmos textos, as mães comentam o que dizem ser “a questão do momento”, a de mudar a meio do ano, dizendo que lhes foi dito que o novo modelo de gestão será composto por cinco elementos e a intenção da Arquidiocese sempre foi a de manter o diretor pedagógico e o diretor administrativo, mas entrando mais três elementos para a direção.
E acentuam: “Se isto acontecesse desta forma seria uma mudança tão subtil e gradual que nenhum pai, nenhum aluno se iria aperceber de qualquer mudança, porque se trata apenas de mudanças ao nível da gestão do Colégio, tal como pagamentos, de compras para a cantina, de contratações, de adjudicação de obras, etc”.
Novos diretores em breve
E, prosseguindo, acentuam: “Acontece que os diretores atuais não aceitaram, após inúmeros pedidos e reuniões prolongadas inclusive reuniões a dois do Sr Arcebispo com o Padre Cândido.
Foi-lhes pedido para ficarem e quando eles anunciaram que saiam no dia 5 de janeiro foi-lhes pedido que ficassem pelo menos mais 60 dias”.
Mas, – sublinham – eles decidiam abandonar o “barco” a meio do ano letivo logo a responsabilidade de isto acontecer agora é inteiramente do Padre Cândido e do Sr Aráujo”.
Afirmam que os responsáveis adiantaram que os dois novos diretores estão a ser contratados, mas não podem ainda ser confirmados: “Foi-nos dito que antes do início das aulas os seus nomes serão confirmados e partilhados publicamente”.
Referem, ainda, que o contrato assinado no início do ano não foi quebrado ou mudado, pois nada do projeto educativo, pedagógico, ou o dia-a-dia da escola, irá mudar; incluindo professores, horários e propinas, etc.”.
E concluem: “fomos informados que os membros relevantes da Arquidiocese já se reuniram com o conselho pedagógico e os professores do Colégio e que estes estão de acordo com as mudanças e não existem professores demissionários, ao contrário dos rumores que circulam”.