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Viana do Castelo

Botelhão, sexo e vandalismo: As loucas noites que escandalizam Caminha

“Miúdas de 15 anos andam com as cuecas na cabeça e às portas das casas é só preservativos, urina e vómito”

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Foto: O MINHO

Adolescentes, na sua grande maioria menores de 18 anos, têm escandalizado alguns moradores e comerciantes do centro da vila de Caminha, com atos de sexo na via pública, agressões e vandalismo.


Na madrugada de quinta-feira, por volta das 5:50, foi registada a última de dezenas de intervenções dos Bombeiros de Caminha para com agressões motivadas por excesso de álcool entre jovens.

Dois rapazes, um de 17 e outro de 20, foram transportados para o Hospital de Braga depois de uma zaragata à porta de uma discoteca na principal rua de bares de Caminha.

Adolescentes partem para agressões na rua Direita. Foto: Cedida a O MINHO

Essa mesma agressão, aliada a atos de vandalismo, fez com que a Câmara de Caminha reunisse de emergência com diversas autoridades de segurança do concelho na quinta-feira, informando esta sexta-feira que iniciou a contratação de serviços de segurança extra por parte da GNR para estes últimos dois dias de agosto, face à escalada de violência.

“O vandalismo denunciado põe em causa a ordem pública e a segurança de pessoas e bens, e estará relacionado com o acréscimo inusual de pessoas no concelho de Caminha nestes últimos 15 dias e com a exponenciação do consumo de bebidas alcoólicas no exterior dos estabelecimentos noturnos”, referiu a autarquia em nota de imprensa.

O MINHO foi a Caminha ouvir moradores, comerciantes e proprietários de espaços de diversão, muitas vezes acusados de serem o potenciador destes atos, devido ao consumo de álcool.

Rua Direita durante o dia. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Todavia, foi constatado que grande parte dos adolescentes embriagam-se nas ruas, com bebidas que os mesmos compram em supermercados antes do anoitecer.

Maria Cerqueira, comerciante na Rua Visconde Sousa Rego [rua das Flores] não tem dúvidas. “As noites de Caminha são más, principalmente na segunda quinzena de agosto, e na minha opinião tem a ver com o tipo de clientela que frequenta os bares e a discoteca”.

“Nestes últimas noites tem sido terrível, quando chego cá de manhã é só garrafas partidas à porta e ainda esta semana telefonaram-me às 8:00 para ir buscar um tronco [vaso] que tinha aqui pregado na rua porque levaram-me para outro lado”, explica.

Maria Cerqueira. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

A florista crê que o problema não é só vandalismo, mas “também o ambiente que se cria”, pois na grande maioria “são miúdos muito jovens em estado degradante em que acabam por ficar na rua sem saber o que fazer até de manhã”.

Maria explica que há “uma secção que vem de Moledo”, por volta das 02:00, que “sobem para cima dos carros e fazem concursos a ver quem salta o maior número de carros”.

“Na última noite, ouvi barulho e vim à janela e estavam a ver quem conseguia saltar mais pelos carros. Já nos outros anos fizeram isso. Roubam as antenas, tentam abrir os carros e nós que estamos à janela ficamos irritados e falámos. Mas eles viram os contentores como resposta”, lamenta.

Maria, e outros comerciantes, pedem mais policiamento e liberdade de autoridade. “Temos pouco policiamento e não há autoridade, porque se a polícia faz algo, depois os miúdos dizem que foram atacados pela polícia”, sublinha.

A comerciante diz mesmo não ter “problema nenhum em pagar uma taxa mensal para que no mês de agosto e na noite de fim de ano haja polícia de intervenção”, acrescentando que essa medida “não é bonita, mas faz falta”.

“Eles sentem que estão à vontade, percebe?”, aponta Maria Cerqueira. “Mas nós habitantes também temos que dizer algo, nem que seja ameaçar, para que percebam que podem divertir-se e até beber, mas quanto ao vandalismo, não pode ser”, atira.

“Ficam na rua como zombies

Já Ana Luísa, comerciante na Rua Condestável Dom Nuno Álvares Pereira, aponta que os jovens fazem o típico botelhão à espanhola, comprando garrafas nos supermercados misturando-as em frente à porta onde tem uma loja.

Ana Luísa aponta local do ‘botelhão’. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

“É muita gente que anda aqui, fazem o botelhão sentados no muro em frente e de manhã está tudo cheio de garrafas e vidros partidos”, aponta a comerciante, não achando que até seja necessário mais policiamento, mas sim um policiamento mais eficaz.

“Eles ficam rua como zombies a a fazer asneiras até às 07:00 porque já não sabem o que fazem. Se a polícia passasse por eles de carro, eles já se assustavam e iam para os seus destinos”, acrescenta.

Proprietários dos bares defendem clientela mas pedem mais policiamento

Tiago Sousa, proprietário de um bar situado na afamada rua Direita [O Portão] crê que é necessário existir mais policiamento, embora garanta nunca ter tido quaisquer problemas com a clientela que, segundo o próprio, “é de uma idade mais madura”.

Rua Direita. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

O comerciante admite que existe algum exagero por parte dos jovens que ficam pelas ruas durante a noite mas descarta quaisquer responsabilidades.

Também José Fernandes, proprietário da café Medieval, junto à Rua Condestável Dom Nuno Álvares Pereira, onde é feito o botelhão e onde alguns dos adolescentes se reúnem para ouvir música enquanto bebem, não crê que seja um problema assim tão grave.

Café Medieval. Foto Fernando André Silva / O MINHO

O comerciante, numa primeira instância, refere mesmo que a noite de Caminha “é calma e sossegada”, sublinhando que os casos de vandalismo apontados acontecem “ao longo de todo o ano” e que “são sempre os mesmos” a fazê-lo.

No entanto, e por existir um elevado número de pessoas nas ruas durante a noite, José concorda com o aumento de policiamento. “Só que esse policiamento deve começar por volta da meia-noite, não é só vir às tantas da manhã”, aponta.

Adolescentes urinam nas portas dos moradores na rua Direita. Foto cedida a O MINHO

José Fernandes diz que dessa forma, poderiam ocorrer menos desacatos sem que as pessoas se fossem embora porque, aponta, a estadia destes jovens e dos pais “é benéfica pois movimenta o comércio”.

José Valentim, proprietário da pastelaria Virgem de Fátima, é quem habitualmente serve o pequeno almoço aos jovens. Abre a pastelaria por volta das 5:00 e começa a receber os primeiros clientes, maioritariamente adolescentes vindos “da noite”.

A O MINHO, assegura que dentro do estabelecimento nunca armam confusão e que são pessoas perfeitamente normais que querem tomar o pequeno almoço. “Alguns, caso façam algum tipo de coisa, depois até pedem desculpa”, refere o proprietário da pastelaria.

Pastelaria Virgem de Fátima. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

O mesmo admite que há alguns excessos por parte dos jovens, que vão lá comprar comida e depois ficam nos jardins públicos até às 8:00. “Mas é preciso ver que estes jovens também movimentam a economia”, destaca.

“Miúdas de 15 anos andam com as cuecas na cabeça e às portas das casas é só preservativos, urina e vómito”

Júlia Cruz, moradora na rua Direita, não quer saber da economia e confessa que já nem sai à rua durante a noite para “evitar uma tragédia”, dada a “vontade de espancar alguns”.

“Há falta de prevenção para com os bares e com os moradores e eu já não vou à rua nessas alturas, a maior parte dos moradores são pessoas de idade que estão com medo dos pontapés nas portas e que entrem pela casa dentro”.

Há duas noites, apanhou uma adolescente dentro do quintal a urinar

“Apanhei uma jovem a fazer xixi dentro da minha propriedade, dei-lhe um pontapé no rabo e umas bofetadas porque foi extremamente mal criada comigo quando lhe pedi para sair do meu quintal. Ela virou-se para mim e disse para eu agarrar num balde e limpar e foi aí que lhe bati, mas ela argumentou que era menor, tinha 16 anos, e que eu não lhe podia bater ou ia presa. Eu disse-lhe que ela estava dentro de uma propriedade privada a urinar completamente embriagada e chamei a GNR”, conta Júlia.

Menores de idade deambulam pelas ruas de Caminha. Foto cedida a O MINHO

A moradora fala num clima de escândalo e que os adolescentes “fazem o que querem”, desde urinar, defecar, pontapés nas portas, garrafas contra os estores, e ainda se gabam de que a polícia nada faz. A população que reside nesta rua é maioritariamente idosa e já há moradores a pôr trancas de ferro nas portas”, aponta.

“Miúdas de 15 anos andam com as cuecas na cabeça e às portas das casas é só preservativos, urina e vómito e se nós não limparmos, pisámos o vomitado ou os preservativos e até as cuecas das meninas. Eu já fiz um corte no pé por causa de cervejas partidas e já estou farta de limpar vomitado, e diarreias. Para além disso riscam os carros e na quinta-feira estiveram a dançar em cima dos carros no largo da Feira”, aponta ainda.

Foto cedida a O MINHO

A moradora diz mesmo que a “culpa é da Cãmara que só agora nos últimos dias é que pede reforços”.

“Chutam as portas, urinam e têm relações sexuais”

José Cavaleiro é outro dos poucos moradores da rua Direita. Conta que já lhe partiram a porta e as janelas da casa. “Chutam as coisas, urinam e têm relações sexuais”, aponta.

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Conta que no verão passado, ouviu barulho em frente à porta e quando a abriu estava “um miúdo de 15 anos em coma alcoólico”. “E ninguém chamou ajuda, tive eu de chamar o 112”, revela.

“Estou farto de ouvir asneiredo, garrafas partidas, de os ver a urinar e defecar na rua até às 06:00. Eu e a minha mulher vamos limpando à minha porta e um pouco do espaço em frente, porque a Câmara limpa os vidros mas o cheiro a urina mantém-se”, expõe.

Adolescentes urinam nas portas dos moradores na rua Direita. Foto cedida a O MINHO

O morador crê que “haver mais policiamento pode resolver” porque, embora já exista este problema há alguns anos, “tem agravado e este ano está a ser o pior”.

“A música não me incomoda, isso já sabemos que é uma forma dos bares ganharem dinheiro, embora a vila em si não acho que ganhe nada com isso, porque não está a trazer para aqui gente boa”, diz José. “Antigamente quem vinha tinha outro comportamento, agora é só ameaças, uns dizem que são filho deste e daquele e se os moradores chamam à atenção eles ainda nos maltratam”, sublinha.

Câmara vai suportar custos de reforço de policiamento

A Câmara de Caminha vai suportar os custos de um reforço de policiamento para fazer face aos “atos de vandalismo”, informou a autarquia em comunicado enviado a O MINHO.

O município justificou os “atos de vandalismo” com o “acréscimo invulgar” do número de turistas no concelho que, de acordo com números da autarquia, “cresceu 87% nos últimos cinco anos sem que tivesse havido acréscimo significativo do número de efetivos policiais”.

A “posição de força” de reforço do policiamento foi tomada na sequência de “diversos relatos”, que a autarquia disse ter recebido nos últimos dias, de “atos de vandalismo no espaço público, especialmente durante a noite, com especial incidência no centro histórico de Caminha e em Moledo”.

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

“Sabendo-se do extremar da situação na última semana e perante a ausência de soluções, a Câmara de Caminha, apesar de não se tratar de uma competência municipal, decidiu assumir o encargo financeiro com a contratação de serviços de policiamento da Guarda Nacional Republicana (GNR), de modo a reforçar o patrulhamento e manutenção da ordem pública até ao final do mês de agosto”.

A Câmara de Caminha adiantou que “irá apresentar uma exposição sobre a situação junto do Comando Geral da Guarda Nacional Republicana e do Ministério da Administração Interna, solicitando um reforço policial adequado e proporcional ao crescimento do número de turistas no concelho de Caminha nos últimos anos”.

A autarquia acrescentou estar “em permanente contacto com as forças policiais de modo a acompanhar e a minimizar o impacto” daqueles casos.

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Viana do Castelo

GNR apreende em Viana do Castelo mais de três toneladas de tintureira

UCC

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Foto: Divulgação / GNR

A Unidade de Controlo Costeiro (UCC) da GNR anunciou a apreensão, hoje, em Viana do Castelo, de 3.213 quilogramas de tintureira, com o valor estimado de 6.426 euros, e a identificação do mestre da embarcação por pesca sem licença.

Em comunicado enviado à imprensa, a GNR explicou ter-se tratado de uma operação conjunta da Unidade de Controlo Costeiro (UCC), através do Destacamento de Controlo Costeiro (DCC) de Matosinhos, e a Direção-Geral de Recursos Naturais Segurança e Serviços Marítimos (DGRM).

“Informações da DGRM, permitiram verificar que havia fortes indícios da prática de contraordenação por parte de um navio de pesca, por captura de tintureira sem estar licenciada para tal, em virtude de se encontrarem suspensas as autorizações de pesca da mesma embarcação pela DGRM, constituindo infração punível com coima máxima de 37.500 euros”, especifica a nota.

A tintureira, Prionace glauca, ou tubarão-azul, é uma espécie que habita em zonas profundas dos oceanos, em águas temperadas e tropicais.

O pescado hoje apreendido foi posteriormente vendido em lota.

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Alto Minho

Prisão preventiva para acusado de homicídio em Viana que esteve 7 anos em fuga

Justiça

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Foto: DR / Arquivo

Um homem ficou em prisão preventiva por suspeita de um crime de homicídio qualificado e um crime de ofensa à integridade física qualificada, em Viana do Castelo, após sete anos em fuga, divulgou hoje a Polícia Judiciária (PJ).

Contactada pela agência Lusa, a propósito de um comunicado hoje emitido pela PJ sobre o caso, fonte da diretoria de Braga explicou que o homem, de 36 anos, foi presente cerca das 12:00 a um juiz no tribunal de Viana do Castelo.

No comunicado hoje enviado às redações, aquela força policial explicou que “os factos remontam a 15 de janeiro de 2013, em Viana do Castelo, e vitimaram dois irmãos”.

“O primeiro foi atingido por golpes de arma branca e o segundo foi atingido mortalmente com um tiro de uma espingarda caçadeira, quando, acompanhados por outros familiares, procuravam o suspeito, junto da respetiva residência. Na sequência dos factos, e ainda nessa noite, o suspeito colocou-se em fuga, ausentando-se para o estrangeiro onde tinha familiares emigrados”, especifica a nota.

O alegado homicida, Valdemar Silva, conhecido pela alcunha de ‘Nonó’, foi detido no dia 16 de julho em Longlaville, Nancy, França e, no dia seguinte, presente a um juiz do Tribunal de Recurso de Nancy, que ordenou a extradição para Portugal.

Segundo a PJ, “o Departamento de Investigação Criminal de Braga e a Unidade de Cooperação Internacional, no cumprimento de um mandado de detenção europeu, emitido pelo Tribunal Judicial de Viana do Castelo, procedeu à extradição de França para Portugal, sob detenção, do homem de 36 anos”.

A PJ adiantou que, “ao longo destes sete anos que mediaram os factos e a detenção agora operada, houve intensa troca de informação entre a Polícia Judiciária e as congéneres europeias, visando a localização do suspeito, o qual acabou por ser localizado em França, pela polícia francesa”.

O arguido “identificou-se com o nome de um familiar, procurando iludir o controlo policial”, mas “através da partilha de informação internacional, rapidamente foi confirmada a verdadeira identidade”.

Acusado de homicídio em Viana do Castelo detido em França após 7 anos em fuga

Na altura da detenção, em declarações à agência Lusa, o advogado da família da vítima, Francisco Morais da Fonte, adiantou que “apesar de nunca ter sido localizado, o homem foi formalmente acusado da prática dos crimes de homicídio qualificado e ofensa à integridade física qualificada.

“Chegou a ter julgamento marcado, mas acabou por ser considerado contumaz e o processo esteve até agora suspenso a aguardar que as autoridades policiais o localizassem”, disse.

“A família da vítima nunca desistiu do caso. Lutou de todas as formas para que o homem fosse encontrado e levado à barra dos tribunais para que se faça justiça”, frisou Morais da Fonte.

A vítima mortal, Jorge Matos, conhecido pela alcunha de ‘Cuba’, de 35 anos, foi morto a tiro, enquanto o seu irmão ficou gravemente ferido na sequência de um esfaqueamento.

Na altura, segundo fonte da PSP, os dois casos aconteceram em pontos diferentes do centro da cidade, entre as 23:10 e as 23:25, suspeitando-se que tenham envolvido o mesmo agressor.

Ambos foram transportados ao hospital de Viana do Castelo, mas o mais velho acabou por morrer.

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Alto Minho

População desafiada a trocar roupa habitual pelo traje de Viana na Romaria d’Agonia

Apelo da Associação de Grupos Folclóricos do Alto Minho

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Foto: ©Arménio Belo

A Associação de Grupos Folclóricos do Alto Minho desafiou hoje a população de Viana do Castelo a trocar a roupa habitual pelo traje secular à Vianesa, para “manter o brilho” da Romaria d’Agonia “em tempo” de pandemia de covid-19.

“Em vez de levaram a roupa do dia-a-dia, desafiamos as mulheres de Viana do Castelo a trajarem durante os dias das festas. Se vierem à cidade enverguem o traje. Se saírem para ir trabalhar, para ir às compras, ao café ou jantar fora, que o façam trajadas. Seja de manhã, à tarde ou à noite”, disse hoje à agência Lusa o presidente da Associação de Grupos Folclóricos do Alto Minho (AGFAM), Alberto Rego.

Este ano, pela primeira vez em mais de 248 anos, por causa do surto do novo coronavírus, os números da Romaria d’Agonia, que decorre entre os dias 19 e 23, e que são habitualmente vividos nas ruas da cidade, serão celebrados em formato digital, devido às restrições impostas pela pandemia de covid-19.

Alberto Rego explicou que o apelo ao uso dos trajes durante as festas foi, inicialmente, lançado aos 28 grupos folclóricos do concelho, mas o “interesse manifestado pelas pessoas” alargou o repto a toda a cidade.

“Muitos vianenses possuem os seus próprios trajes e gostam de os vestir durante as festas. Que o façam este ano, passeiem pelas ruas da cidade, individualmente e, para sua segurança e dos outros, com o devido distanciamento social. Queremos que as pessoas dêem brilho à cidade, mas que sejam cumpridos todos os cuidados, sem aglomerações, exibições ou desfiles”, destacou.

Para Alberto Reg,o “Viana do Castelo tem de saber cultivar os valores que herdou”, apelando a que as pessoas, “tal como acontece noutras cidade da Europa, enverguem os trajes tradicionais em datas importantes”.

“Nós não estamos a inventar nada. Só estamos a pedir o que se fazia há mais de 100 anos. Tal como dizia Ramalho Ortigão, a mulher de Viana do Castelo, além de todo o trabalho doméstico que tinha, criou, por necessidade, o seu próprio traje. Não nasceu com a beleza que hoje lhe conhecemos, foi sendo enriquecido. Temos de ter orgulho nos nossos antepassados e temos de saber projetar isto para o futuro”, defendeu.

A mobilização começou junto dos grupos folclóricos para “mostrar que há festa, mas sem pôr em causa as regras de impostas pela pandemia de covid-19”.

“O objetivo é que todos os dias sejam grupos folclóricos diferentes a participar, criando conjuntos com reduzido número de elementos, duas a três pessoas, preferencialmente que coabitem. Apelamos a que evitem as aglomerações, mas que ajudem a transformar a edição 2020 da Romaria d’Agonia num momento único. Quem visitar Viana do Castelo poderá não ver o desfile da mordomia, os cortejos, as atuações, ou os desfiles noturnos, mas se cada um envergar o traje e o exibir pela cidade, as festas ganharão muita da cor vibrante que é habitual”, referiu.

O desfile da mordomia, que abre o programa das festas e que, em 2019, juntou mais de 600 mulheres, de sete países, envergando todos trajes de festa de Viana do Castelo, é um dos momentos emblemáticos da romaria.

O traje assume-se como um símbolo tradicional da região, nas suas várias formas, consoante a ocasião e o estatuto da mulher. Em linho e com várias cores características, onde sobressaem o vermelho e o preto, foi utilizado até há mais de 120 anos pelas raparigas das aldeias em redor da cidade de Viana do Castelo.

Uma tradição cada vez mais enraizada entre as jovens e mulheres de Viana do Castelo e que junta várias gerações, num quadro único e colorido pelos vermelhos, verdes e amarelos dos típicos e garridos trajes das diferentes freguesias.

Neste número, algumas das mulheres chegam a carregar dezenas de quilos de ouro, reunindo as peças de famílias e amigos num único peito, simbolizando a “chieira” [termo minhoto que significa orgulho e vaidade] e outrora o poder financeiro das famílias.

“A Romaria d’Agonia de 2020 manterá a cor dos anos anteriores e as ruas continuarão a ser das Vianesas”, rematou Alberto Rego.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 694 mil mortos e infetou mais de 18,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.739 pessoas das 51.681 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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