Bombeiros com macas retidas várias horas no Hospital de Braga devido a “grande afluência” às urgências

Foto: Joaquim Gomes / O MINHO

A “grande afluência” às urgências do Hospital de Braga durante a última noite levou a que os bombeiros tivessem as macas retidas durante várias horas. A diretora clínica da unidade hospitalar garante que, ao início da tarde desta quarta-feira, a situação está “francamente melhor”.

“Estive três horas e meia à espera que libertassem a maca. Escrevi no livro de reclamações”, conta a O MINHO Pedro Ribeiro, comandante dos Bombeiros Voluntários de Braga, uma das corporações afetadas pela falta de macas.

Contactada pelo nosso jornal, Paula Vaz Marques, diretora clínica do Hospital de Braga, confirma que tal se deveu a uma “grande afluência” àquele serviço.

“Desde o dia 26, temos tido uma grande afluência. Tínhamos uma média de 550 doentes por dia e passámos para perto de 700. Isso leva a um constrangimento nas urgências e à retenção de macas”, justificou a responsável, notando que ontem se registou um pico de doentes, a maior parte graves.

A diretora clínica salienta que, no entanto, o Hospital de Braga tem conseguido “dar resposta” e que a situação foi melhorando ao longo da manhã.

200 doentes ao início da tarde

Ao início desta tarde, o Hospital de Braga ainda tem cerca de 200 doentes nos Serviços de Urgência Geral e Pediátrica, mas “a situação está a melhorar e a ser estabilizada”.

A diretora clínica aproveitou para fazer um apelo aos utentes da região minhota, para só recorreram ali em casos urgentes ou muito urgentes, chamando a atenção que “neste momento temos aqui 36% de doentes que não são casos urgentes”.

De acordo com a diretora clínica do Hospital de Braga, “tais doentes não deveriam estar aqui, mas sim nos centros de saúde, ou só vindo se orientadas nesse sentido pela Linha Saúde 24, pois estão a sobrecarregar as situações urgentes e muito urgentes”.

Fazendo o ponto de situação, cerca das 14:00 desta quarta-feira, Paula Vaz Marques referiu a O MINHO estarem uma média de 175 doentes na Urgência Geral e 25 doentes na Urgência Pediátrica, números mais altos do que habitual mesmo nesta época.

“Os tempos de espera de atendimento estão a demorar um pouco mais daquilo que desejaríamos, sendo de cerca de uma hora para pulseiras amarelas, mas a situação está a estabilizar e a melhorar”, ainda segundo a diretora clínica do Hospital de Braga.

Mesmo reconhecendo que “os números nos últimos dias têm superado aquilo que nestas épocas festivas é habitual”, a par dos casos das gripes, Paula Vaz Marques destacou “não termos sido surpreendidos, porque temos sempre planos de contingência”.

Medida de contenção

Como O MINHO noticiou ontem, dia em que o pico foi de mais de 400 doentes, mas “cerca de 55% dos doentes eram urgentes ou muito urgentes”, o Hospital de Braga não recebeu os casos dos doentes considerados muito urgentes, encaminhando-os previamente para outros hospitais da região minhota, através do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM.

A administração hospitalar bracarense, em função da elevada procura, optou que as situações mais graves fossem atendidas em outras unidades da região, em especial nos Hospitais de Guimarães e de Famalicão, das 20:30 às 00:00.

O plano decorreu desde 20:30 até à meia-noite da madrugada de terça-feira para quarta-feira e pretendeu dar vazão às situações de pessoas no Serviço de Urgência, 98 delas ainda esperavam observação, dados revelados por volta das 23:00 de terça-feira.

Em termos de tempos de espera, registou-se em média de uma hora e 25 minutos para o atendimento de pulseiras amarelas e uma hora e 40 minutos para pulseiras verdes, segundo referiram a O MINHO fontes oficiais hospitalares, em ponto de situação.

Na base da medida de contenção esteve o facto da afluência ao principal Serviço de Urgência do Hospital de Braga “ter estado muito acima da média”, mesmo tendo em conta a época festiva, “onde geralmente a afluência costuma estar acima do normal”.

*Com Joaquim Gomes e Fernando André Silva

 
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