Seguir o O MINHO

Viana do Castelo

Bispo de Viana contra jornalismo de gabinete e sensacionalista

Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais

em

Foto: DR / Arquivo

O Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, João Lavrador, defendeu hoje a necessidade de se evitar um jornalismo de “gabinete, sensacionalista, de opinião ou de redes sociais”.

Na apresentação da mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que este ano se assinala em 29 de maio, o também bispo de Viana do Castelo sublinhou que o jornalismo deve promover a “escuta da realidade”, o que pode ser difícil “neste tempo, que é o tempo mais ruidoso de todos os tempos, com um permanente aliciamento da atenção”, como alertou a jornalista Paula Moura Pinheiro.

Para esta profissional, “este ruído tem vindo em crescendo a dificultar a escuta”, ao mesmo tempo que, aliada à “velocidade” da ação, da produção e do pensamento, causa “disfunção”.

A apresentação em Portugal da mensagem do Papa Francisco decorreu no Santuário do Cristo Rei, em Almada, diocese de Setúbal, cujo bispo, José Ornelas, frisou que “a palavra que se diz, que se escuta, é uma palavra que transforma”.

Para o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, no entanto, “não basta ouvir, é preciso narrar e dar sentido” ao que se escuta.

Na mensagem hoje divulgada pelo Vaticano, o Papa Francisco exortou os jornalistas à “escuta”, que considera “o primeiro e indispensável ingrediente do diálogo e da boa comunicação”, pois “não se comunica se primeiro não se escutou, nem se faz bom jornalismo sem a capacidade de escutar”.

No documento, o pontífice escreve que “para fornecer uma informação sólida, equilibrada e completa, é necessário ter escutado prolongadamente. Para narrar um acontecimento ou descrever uma realidade numa reportagem, é essencial ter sabido escutar, prontos mesmo a mudar de ideia, a modificar as próprias hipóteses iniciais”.

“Ouvir várias fontes (…) garante credibilidade e seriedade à informação que transmitimos”, frisa o Papa, para quem, “a capacidade de escutar a sociedade é ainda mais preciosa neste tempo ferido pela longa pandemia”.

Segundo Francisco, “a grande desconfiança que anteriormente se foi acumulando relativamente à ‘informação oficial’, causou também uma espécie de ‘infodemia’ dentro da qual é cada vez mais difícil tornar credível e transparente o mundo da informação. É preciso inclinar o ouvido e escutar em profundidade, sobretudo o mal-estar social agravado pelo abrandamento ou cessação de muitas atividades económicas”.

“A própria realidade das migrações forçadas é uma problemática complexa, e ninguém tem pronta a receita para a resolver. Repito que, para superar os preconceitos acerca dos migrantes e amolecer a dureza dos nossos corações, seria preciso tentar ouvir as suas histórias. Dar um nome e uma história a cada um deles. Há muitos bons jornalistas que já o fazem; e muitos outros gostariam de o fazer, se pudessem. Encorajemo-los! Escutemos estas histórias! Depois cada qual será livre para sustentar as políticas de migração que considerar mais apropriadas para o próprio país”, aconselha o Papa Francisco na sua mensagem hoje divulgada pelo Vaticano.

O chefe da Igreja Católica lamenta, no seu texto – intitulado “Escutar com o ouvido do coração”, que se esteja “a perder a capacidade de ouvir” as pessoas que se têm pela frente, “tanto na teia normal das relações quotidianas como nos debates sobre os assuntos mais importantes da convivência civil”.

A mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais é divulgada em cada ano na manhã do dia 24 de janeiro, dia de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas.

Populares