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Bebés que passam mais de 10 horas em creches sujeitos a ‘stress’ crónico e doenças futuras

Educação

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Foto: DR / Arquivo

O pedopsiquiatra Pedro Caldeira da Silva adverte que bebés e crianças que passam, em média, 10 a 12 horas em creches e jardins se infância estão sujeitos a stress crónico que pode originar doenças em adultos como a hipertensão ou cancro.


Portugal tem “um recorde muito triste, é um dos países da União Europeia em que os nossos bebés trabalham mais horas por dia, estão entre 10 a 12 horas, em média, em situação de grupo, a ser cuidados por outros em creches”, afirma em entrevista à agência Lusa o diretor de pedopsiquiatria do Hospital Dona Estefânia.

O mesmo acontece com as crianças acima dos três anos que “têm dias de trabalho de 10 a 12 horas”, sublinha Caldeira da Silva, lembrando os dados divulgado no final do ano passado no relatório “Estado da Educação 2018”, do Conselho Nacional de Educação.

Para o pedopsiquiatra, é necessário pensar nesta situação em termos de ‘stress’ crónico: “Um bebé que está numa situação de grupo tantas horas, todos os dias, tem repetitivamente um nível de ‘stress’ elevado”.

Há estudos ligados ao ‘stress’ crónico que mostram que “esta exposição ao ‘stress’ é tóxica para o cérebro e que está associada depois a um conjunto de doenças dos adultos”, que “preocupam muito” como a hipertensão, os acidentes vasculares cerebrais (AVC), cancro, diabetes, afirma o chefe de equipa da Unidade da Primeira Infância do Hospital D. Estefânia, que integra o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central.

“Estas doenças estão ligadas a acontecimentos ‘stressantes’ da infância. É uma coisa que já se sabe, embora não se queira tomar conhecimento”, lamenta o médico, que fundou a consulta dos “Bebés Irritáveis” e a consulta dos “Bebés Silenciosos”, recursos para apoiar as famílias e promover o diagnóstico precoce na saúde mental da primeira infância.

Ao Hospital D. Estefânia chegam alguns casos em que “o que se passa de errado com as crianças tem diretamente a ver com tempo de permanência em creches”, mas o que se sabe “é que isto tem um efeito a longo prazo, manifesta-se mais tarde”.

Para Pedro Caldeira, “as crianças muito pequenas não têm nenhuma necessidade de ser guardadas em grupo, mas aguentam com isso”. Contudo, não devem estar muitas horas nesta situação porque têm menos oportunidades de “interação de um para um” e têm de adaptar-se “a um conjunto de situações do ambiente que não são aquelas para que os bebés estão programados”.

Sobre a idade ideal em que as crianças deviam frequentar a creche, defende que, no geral, não precisam de ir antes dos 3 anos.

“Claro que há crianças que indo para a creche têm oportunidades de estimulação que às vezes as famílias não conseguem conceder, mas em abstrato e em geral, as creches não são uma necessidade das crianças, são uma necessidade dos adultos, porque têm de trabalhar”, sublinha.

Pedro Caldeira Silva sublinha que as crianças pequenas e os jovens, em geral, têm uma “força interior notável” que faz com que “aguentem isto e muito mais”, mas adverte que os adultos têm que “começar a ter consideração sobre o bem-estar e as situações de ‘stress’ crónico, porque começa a aparecer a evidência que isso é importante para uma boa vida adulta”.

No seu entender, é “muito importante” distinguir o que é a experiência da criança do que são as ideias dos adultos.

“A experiência individual da criança não corresponde muitas vezes àquilo que os adultos imaginam e, portanto, é sempre muito bom olhar para a criança e ver o que se passa realmente com as crianças”, defende o também subcomissário da Saúde para o Sistema Nacional de Intervenção Precoce da Infância da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

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Os números do Euromilhões

Sorte

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Foto: O MINHO

É esta a chave do sorteio do Euromilhões desta sexta-feira, 14 de agosto: 9, 10, 19, 42 e 49 (números) e 4 e 12 (estrelas).

Em jogo para o primeiro prémio está um valor de 85 milhões de euros.

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Ventiladores comprados na China chegam no domingo a Portugal

Covid-19

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Foto: DR / Arquivo

Um carregamento de 114 ventiladores comprados há meses pelo Governo português na China tem chegada prevista para domingo ao aeroporto de Lisboa, numa operação coordenada com a embaixada de Portugal na China.

Segundo um comunicado da transportadora aérea EuroAtlantic Airways (EEA), os ventiladores serão transportados por um Boeing 767 proveniente do Aeroporto Internacional de Pequim e que tem chegada ao Aeroporto Humberto Delgado prevista para as 20:25 de domingo.

Os 114 ventiladores fazem parte do total de 1.151 comprados pelo Ministério a empresas chinesas no início de junho.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 754 mil mortos e infetou quase 21 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.772 pessoas das 53.783 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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Avante!: DGS analisa nos próximos dias plano do PCP para o evento

Plano de contingência

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O plano de contingência do PCP para a Festa do Avante! vai ser “analisado tecnicamente nos próximos dias”, adiantou hoje a Direção-Geral da Saúde (DGS), em nota à imprensa.

“A Direção Geral da Saúde recebeu hoje da direção da Festa do Avante! o Plano de Contingência para a iniciativa. O documento irá ser analisado tecnicamente nos próximos dias”, lê-se na nota.

O PCP anunciou hoje que vai limitar a entrada na sua anual Festa do “Avante!” a um terço da capacidade total, ou seja, para cerca de 33 mil pessoas, em virtude do contexto de pandemia de covid-19.

O espaço de 30 hectares das Quinta da Atalaia e do Cabo da Marinha, na Amora, vai assim proporcionar cerca de nove m2 para cada militante ou visitante, entre 04 e 06 de setembro.

Em comunicado, os comunistas, que têm estado em ligação com a DGS nos preparativos para o seu 44.º certame, garantem “toda a responsabilidade” e “condições” para o “usufruto em tranquilidade e segurança”.

“O número de presenças em simultâneo na festa será de um terço da capacidade licenciada (100 mil), assegurando que os 300 mil m2 postos à disposição dos visitantes significam que cada um pode usufruir de uma área superior à que está estabelecida para a frequência de praias e que, em regra, será o dobro daquela que está fixada para espaços similares (no caso, espaço ao ar livre)”, lê-se.

Os responsáveis do PCP sublinham a adoção de medidas excecionais como a “disponibilização de materiais de higienização, do adequado funcionamento de espaços de restauração ou de regras de distanciamento físico nas diversas atividades (incluindo a criação de assistentes de plateia)”, além do uso obrigatório de máscaras.

“O horário da festa conhecerá, também, alterações no que diz respeito à hora limite para a entrada (e reentrada), que será fixada nas 24:00 de sexta-feira e sábado e nas 22:00 de domingo (em vez, respetivamente, da 01:00 e das 22:30)”, segundo o texto.

Por outro lado, serão ainda criados “corredores de circulação de sentido único, separação de canais de entrada e saída e maior fluidez de acesso a transportes públicos”.

A Festa do Avante! tem estado nos últimos dias no centro do debate político, com partidos mais à direita como o PSD e o CDS-PP a criticarem a postura do Governo, com o líder dos sociais-democratas, Rui Rio, a questionar a coerência da lotação do evento comunista face a limitações impostas em outros setores, como os estádios de futebol, e com os centristas a acusarem o executivo de “amiguismo” em relação ao PCP e de “fechar os olhos” ao evento anual dos comunistas.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse na quinta-feira que esperava por uma avaliação da DGS, “compreensível” pelos portugueses e respeitadora da igualdade de tratamento.

No mesmo dia, no final do Conselho de Ministros, a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, sublinhou que o Governo não tem competências legais ou constitucionais para proibir iniciativas políticas, mas frisando que não seriam admitidas exceções às regras em vigor.

Já no início da semana a ministra da Saúde, Marta Temido, numa das conferências de imprensa na DGS para o balanço de acompanhamento da pandemia em Portugal. tinha alertado que a lotação teria de ser reduzida.

Portugal contabiliza pelo menos 1.772 mortos associados à covid-19 em 53.783 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

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