Seguir o O MINHO

País

BE propõe 3.ª travessia do Tejo só de comboio e quadruplicação de toda a Linha do Norte

Anteprojeto para um Plano Ferroviário Nacional

em

Uma terceira travessia do Tejo, exclusivamente ferroviária, para transporte de passageiros e mercadorias, a quadruplicação total da Linha do Norte e um novo eixo do interior são algumas das propostas do anteprojeto do BE para um Plano Ferroviário Nacional.

Em declarações à agência Lusa, o deputado do BE Heitor de Sousa antecipou as linhas principais do Plano Ferroviário Nacional e do programa de investimentos para a sua execução – que será agora alvo de uma audição público e depois transformado em projeto de lei -, um anteprojeto que será apresentado, hoje à tarde, pela coordenadora bloquista, Catarina Martins, na estação de comboios do Peso da Régua, em Vila Real.

“Queremos, de forma supletiva, completar aquilo que o Governo não tem coragem de fazer porque o registo do investimento público que o Governo tem sobre a ferrovia continua a ser um registo mínimo, continua a haver coisas incompreensíveis”, justificou.

Assim, o objetivo do BE “é desenvolver um plano sistemático de investimento público, que transforme o panorama da rede ferroviária nacional que existe atualmente”, lembrando que o perfil de transporte de mercadorias e de passageiros ferroviário em Portugal “é o terceiro pior que existe na União Europeia” devido ao abandono a que tem sido condenado este meio de transporte.

“Defendemos a ideia de uma terceira travessia do Tejo, apenas ferroviária, porque, infelizmente, o anterior Governo de Cavaco Silva fez um ‘project finance’ com a Lusoponte em que atribuía a exclusividade de todas as travessias rodoviárias por um período até o final da concessão”, revelou.

Uma travessia entre Chelas e o Barreiro, exclusivamente ferroviária, que deverá servir para o transporte de passageiros e de mercadorias é a proposta do BE, explicando Heitor de Sousa que esta “tem de ser feita em bitola internacional e também em bitola ibérica porque a Rede Ferroviária Nacional deve continuar a circular no país”.

“Ainda neste registo mínimo, o Governo defende a quadruplicação da linha do Norte, mas apenas é 163 quilómetros, portanto, só em alguns troços. Nós achamos que isto é um absurdo até porque a Linha de Norte já está completamente saturada em termos de canais horários e por isso nós queremos transformar aquilo que é uma proposta parcial de quadruplicação do Governo numa quadruplicação completa”, revelou.

O objetivo deste plano é ainda, detalhou ainda o deputado do BE, “reabilitar linhas que, entretanto, foram desativadas”, como por exemplo a do Douro, recuperando outras nas quais “o serviço tem vindo a degradar-se” com é o caso da linha do Oeste ou das linhas do interior.

“Nós queremos criar um novo eixo ferroviário do interior, norte/sul, que permita ligar pelo interior, da Guarda até Beja e até à Funcheira”, acrescentou ainda, sendo também o objetivo “reabilitar linhas de transporte de mercadorias que havia no Alentejo, que é a linha de Évora e o ramal de Vila Viçosa.

Recuperar para o serviço de transporte ferroviário de mercadorias e de passageiros o troço entre Beja e a Funcheira, que foi interrompido, é outra das apostas do BE.

“Uma linha internacional integrada numa rede transeuropeia de transportes em via única é uma coisa que não existe na Europa, só existe na cabeça do anterior ministro do Planeamento e deste Governo, pelos vistos não está disponível para rever este perfil de linha”, criticou.

Em termos de investimento, como não se trata de projetos concretos, mas sim “apenas ideias”, as contas do BE são ainda “estimativas de custos”.

“Aquilo que nós pensamos é que o plano de desenvolvimento do plano ferroviário 2040, portanto, um plano ferroviário para ser desenvolvido em 20 anos, tem um custo que é sensivelmente o dobro do que o Governo pretende gastar no Ferrovia 2020 mais no PNI 2030 [Programa Nacional de Investimentos 2030] no transporte ferroviário”, respondeu.

Anúncio

País

Portugal deixa de comprar ventiladores no estrangeiro

Covid-19

em

Foto: DR / Arquivo

A ministra da Saúde revelou hoje que chegaram mais 60 ventiladores, que agora vão ser testados, e que o Governo não pretende comprar mais, havendo a expectativa de Portugal conseguir ser autossuficiente com a produção nacional.

Os equipamentos hospitalares “vão agora ser submetidos a processos de verificação e testagem”, frisou Marta Temido, na habitual conferência de imprensa sobre o ponto da situação da covid-19 no país, acrescentando que outros ventiladores, de outro modelo, “revelaram características que tiveram de ser revistas tecnicamente”.

A ministra afirmou também que não estão previstas mais encomendas de ventiladores e que, dos equipamentos comprados na fase pandémica de covid-19, nenhum foi utilizado.

O Governo não tem intenções de comprar mais ventiladores além dos que já foram encomendados, até porque é grande a expectativa de o país passar a ser autosuficiente com a produção nacional, disse a ministra.

Questionada sobre os problemas detetados nos ventiladores, a ministra assumiu que “um conjunto de equipamentos, de um modelo,” se revelou não ser “aquele que os médicos entendiam como mais adequado”, acrescentando que a questão está a ser resolvida.

Segundo a ministra, a avaliação de equipamentos médicos “é normal em contexto covid ou não covid”, e o facto de terem sido detetados problemas “é a melhor garantia” de qualidade.

“Tudo o que adquirimos foi de acordo com as indicações técnicas e todos os ventiladores têm certificado CE. Os aparelhos que chegam são sujeitos a processos de testagem e verificação, formais e operacionais. Não há nenhum que seja colocado a funcionar sem ser testado. Quando algum hospital reporta uma desconformidade, os equipamentos são recolhidos. Não há nenhum equipamento em unidade de cuidados intensivos que não tenha sido sujeito a controlo técnico”, garantiu.

Portugal contabiliza 1.316 mortos associados à covid-19 em 30.623 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia.

Relativamente ao dia anterior, há mais 14 mortos (+1%) e mais 152 casos de infeção (+0,5%).

O número de pessoas hospitalizadas baixou de 550 para 536, das quais 78 em unidades de cuidados intensivos (menos dois).

Devido a uma alteração dos procedimentos de contabilização, o número de doentes recuperados passou agora de 7.705 para 17.549.

Continuar a ler

País

Centeno diz que plano Merkel-Macron é passo importante para união fiscal

Covid-19

em

Foto: DR / Arquivo

O presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, considera o plano do presidente francês Emmanuel Macron e da chanceler alemã Angela Merkel para reativar a economia um passo importante com vista à união fiscal e a uma efetiva união monetária.

“A proposta franco-alemã seria um grande passo com vista a uma união fiscal e a uma união monetária que funcione verdadeiramente, ainda que o plano do fundo de reconstrução [na sequência da crise gerada pela pandemia de covid-19] seja limitado no tempo”, afirmou Centeno numa entrevista ao jornal alemão ‘Welt am Sonntag’.

Ainda assim, Centeno advertiu que as negociações no Conselho Europeu “não serão fáceis”.

Merkel e Macron propuseram a criação de um fundo de 500.000 milhões de euros para apoiar a reconstrução económica dos países mais afetados pela pandemia.

O fundo seria financiado através de títulos de dívida emitidos pela Comissão Europeia e garantidos pelos países membros da União Europeia, de acordo com o peso percentual das respetivas economias no produto interno bruto (PIB) europeu, recebendo os países beneficiários ajudas não reembolsáveis desse fundo.

“A proposta de Merkel e de Macron é uma boa notícia para a Europa. O plano é um passo considerável na direção correta para superar esta crise”, afirmou Centeno.

Para o presidente do Eurogrupo, seria desejável que se chegasse a acordo antes do verão relativamente aos elementos chave de um programa de conjuntura europeu e às linhas mestras do fundo de reconstrução.

A proposta franco-alemã enfrenta, contudo, a oposição da Áustria, Dinamarca, Holanda e Suécia, que formularam um plano alternativo que prevê créditos com juros reduzidos, mas não contempla subvenções.

Para o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, o fundo tem de estar limitado a dois anos para que consista efetivamente em ajudas imediatas contra a crise gerada pelo coronavírus e não se converta num instrumento de mutualização de dívida a longo prazo.

Em declarações ao diário ‘Passauer Presse’, o chefe do grupo parlamentar do Partido Popular Europeu (PPE) no Parlamento Europeu (PE), Manfred Weber, mostrou-se otimista quanto à possibilidade de chegada a um acordo.

Segundo Weber, Sebastian Kurz não questiona o fundo, mas apenas alguns aspetos do seu funcionamento, havendo ainda questões pendentes cuja solução requer “muita habilidade diplomática e capacidade de chegar a compromissos”.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 342 mil mortos e infetou mais de 5,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano passou a ser o que tem mais casos confirmados (mais de 2,4 milhões, contra dois milhões no continente europeu), embora com menos mortes (mais de 142 mil, contra mais de 173 mil).

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), paralisando setores inteiros da economia mundial, num “grande confinamento” que vários países já começaram a aliviar face à diminuição dos novos contágios.

Continuar a ler

País

Presidente recorda “obra invulgar e memorável” de Maria Velho da Costa

Óbito

em

Foto: DR / Arquivo

O Presidente da República lamentou hoje a morte da escritora Maria Velho da Costa, no sábado, aos 81 anos, que recordou como a autora de uma “obra invulgar e memorável” que marcou o seu tempo.

Num comunicado publicado na página de internet da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa prestou “homenagem a uma obra invulgar e memorável”, apresentando condolências à família de Maria Velho da Costa, que morreu de forma súbita em casa, em Lisboa.

“Maria Velho da Costa marcou, a vários títulos, o seu tempo, o nosso tempo”, disse o Presidente, enaltecendo o seu papel no antigo regime, quando sofreu a perseguição judicial e política às “Novas Cartas Portuguesas”, de que foi coautora, um caso que desencadeou um movimento intelectual de solidariedade em vários países ocidentais.

À época, a escritora já tinha publicado o romance “Maina Mendes”, a que se seguiriam “Casas Pardas”, “Lucialima”, “Missa in Albis” e “Myra”, obra romanesca notável que lhe valeu diversas distinções, entre os quais o Prémio Camões, bem como os elogios da crítica e a admiração dos pares.

“Poucos ficcionistas portugueses contemporâneos escreveram livros tão cultos e inventivos, tão exigentes e insubmissos. Maria Velho da Costa era uma ficcionista com aguda consciência de não-ficção, da poesia, do cinema”, considerou o Presidente, destacando a autora como uma escritora “muito atenta à dominação das mulheres e a outros mecanismos ancestrais”, e de “grande consciência ideológica e crítica”.

Marcelo destacou ainda o trabalho de Maria Velho da Costa como professora em Portugal, e mais tarde no Reino Unido, e as funções públicas na Secretaria de Estado da Cultura, na Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e no Instituto Camões.

Continuar a ler

Populares