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Barroso esteve 25 vezes com Putin e coloca em causa saúde mental do líder russo

Guerra na Ucrânia

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Foto: DR / Arquivo

É, possivelmente, o português que terá estado um maior número de vezes com Vladimir Putin. Durão Barroso, na qualidade de presidente da Comissão Europeia, reuniu, pelo menos, 25 vezes com o líder da Federação Russa, e admite que o governante sempre se mostrou ressentido com o declínio da União Soviética e perda de poder da Rússia.

Em entrevista ao semanário Expresso, o ex-primeiro-ministro e antigo líder do PSD admitiu que, aquando da disputa pela Crimeia entre Rússia e Ucrânia, que iniciou em 2014, Putin não foi levado a sério pelos parceiros europeus, embora este tenha sempre manifestado o seu desagrado para com o Ocidente.

Durão Barroso disse, na mesma entrevista, que “se quisessem, as Forças Armadas russas” podiam muito bem “tomar Kiev em menos de duas semanas”. No entanto, o Conselho Europeu desvalorizou a hipótese avançada por Putin, imaginando que tal nunca iria acontecer.

“Ninguém no Conselho Europeu pensou que isto pudesse acontecer. Ultrapassa toda a imaginação: tentar destruir ou fazer desaparecer como país independente um Estado soberano”, disse ao Expresso.

Barroso reconhece que Putin terá “mudado” nos últimos oito anos, assim como a própria situação geopolítica às portas da Rússia “também mudou. “O Putin que conheci era um homem profundamente marcado pelo ressentimento com a decadência russa. Mas também era alguém que fazia cálculos racionais, no sentido de pesar os custos e os benefícios de cada decisão e ver até onde podia ir. Mas não a um ponto de ultrapassar a linha do que seria entendível de um ponto de vista racional”, disse, colocando em causa a saúde mental do soberano.

Barroso, tendo em conta a ameaça nuclear, aconselha a Europa a “ter disciplina para não gerar uma situação que fuja ao controlo”. Já no que diz respeito às sanções, admite que podem prejudicar, mas que por si só não vão chegar para travar a invasão em curso.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar com três frentes na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamentos em várias cidades. As autoridades de Kiev contabilizaram, até ao momento, mais de 2.000 civis mortos, incluindo crianças, e, segundo a ONU, os ataques já provocaram mais de um milhão de refugiados na Polónia, Hungria, Moldova e Roménia, entre outros países.

O Presidente russo, Vladimir Putin, justificou a “operação militar especial” na Ucrânia com a necessidade de desmilitarizar o país vizinho, afirmando ser a única maneira de a Rússia se defender e garantindo que a ofensiva durará o tempo necessário.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional, e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas para isolar ainda mais Moscovo.

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