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Futebol

Barcelos acordou a sonhar com o regresso ao principal palco do futebol português

Gil Vicente volta a subir ao palco principal do futebol nacional

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Fotos: Fernando André Silva / O MINHO

Barcelos vive momentos de euforia com o regresso do mítico Gil Vicente aos relvados da principal liga de futebol em Portugal.


Depois de uma descida de divisão por via administrativa, em 2006, os gilistas viram agora reposta “justiça”, depois de um acordo entre a direção do clube, a Liga de Portugal e o Belenenses, clube responsável pela descida do clube minhoto na secretaria face à utilização, na altura, do jogador Mateus.

Entretanto, a equipa voltou a pisar o principal palco do futebol, depois de vencer a II Liga em 2011, mas voltou a descer de divisão passadas quatro épocas.

O MINHO saiu às ruas de Barcelos e falou com alguns adeptos que se mostram entusiasmados com o regresso do clube aos principais palcos e confirmou um aumento de inscrições de sócios durante as últimas semanas junto de fonte oficial do clube.

Junto ao Estádio Municipal de Barcelos, alguns jovens adeptos faziam fila para a inscrição como sócio no clube. Gonçalo Gomes, de 20 anos e residente em Alvelos, está a fazer-se sócio porque é a equipa da cidade.

Gonçalo Gomes. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

“Gosto de futebol, apesar de não jogar, mas gosto do Gil Vicente. Agora com o regresso estou mais animado e resolvi fazer-me sócio. Já tinha sido sócio mas afastei-me nos últimos anos, mas agora como subiu resolvi voltar”, assegura.

Gonçalo explica que, só na turma, “são uns 20 que se estão a faze sócios”. “Estamos a tentar fazer com que as cadeiras sejam todas seguidas para ficarmos todos juntos. Conta ir ver o jogo com o Porto, clube pelo qual também nutre simpatia, mas vai torcer pelo Gil Vicente. “Se o Gil ganhar fico contente, é da nossa cidade, por isso só tenho de ficar contente”, garante.

Jovens gilistas fazem fila em busca do cartão de sócio. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Miguel Sá Pereira, porta-voz do departamento de comunicação do Gil Vicente, realça a inscrição “massiva” destes novos adeptos. “Posso confirmar que ao longo das últimas semanas recebemos perto de 3.000 inscrições de novos sócios, na sua grande maioria jovens”, apontou a O MINHO.

O responsável explica que, face à campanha de angariação e face ao regresso à liga principal, o número de sócios tem aumentado em grande número, havendo atualmente perto de 16.000 inscritos no clube.

Lino Vieira é o sócio 46 do Gil Vicente. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Quem nunca deixou de ser sócio do clube, mesmo perante a “descida ao inferno”, foi Adelino Pimenta. O comerciante com loja aberta no centro de Barcelos ainda hoje é conhecido pelo nome “Lino Vieira”, que utilizava quando jogava ao serviço do Gil Vicente entre os anos 75 e 81.

Médio centro possante, o sócio n.º 46 do Gil Vicente alinhou “de galo ao peito” na II Liga, tendo registado passagens por outros clubes minhotos, como o Famalicão e o Vianense. Mas foi no Gil onde viveu os melhores momentos.

“Aqueles tempos eram diferentes, jogávamos no antigo estádio, em pelado, e éramos verdadeiros craques, Posso dizer que joguei com uma equipa de luxo, com jogadores como o Testas ou o Marconi. Eram outros tempos”, recorda o antigo craque gilista.

Sobre o afastamento da I Liga, Lino Vieira crê que o mesmo fez com que “as pessoas de Barcelos se desligassem do futebol”. “Eu nunca deixei de ser sócio e continuei a pagar cotas mas no ano passado não fui ver nenhum jogo, porque não contava para nada”, aponta.

Agora, com o regresso, o comerciante garante que irá “voltar ao estádio”. “Acho que se fez justiça”, vinca.

Maria Rosa Garrido. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Na loja de comércio ao lado, Maria Rosa Garrido concorda em parte com o colega, embora nunca tenha deixado de assistir aos jogos. A comerciante de Santa Eugénia é sócia do Gil Vicente há 40 anos e nunca se afastou do futebol.

“A diferença é que antigamente íamos ver os jogos todos mas no ano passado só víamos os jogos em casa”, explica, justificando que “não havia emoção porque não contava para nada”. “Mas continuei a ver o Gil, porque sempre foi gratificante, mesmo quando perdia… A gente gilista, não tem explicação, é gente bairrista e alegre e andámos sempre em festa, mesmo quando nos querem mal”, atira.

De cor, não sabe o número de sócio, mas sabe os cânticos das bancadas e sabe que não vai perder o jogo deste sábado. “Eu até tenho um gosto pelo Porto mas vou torcer pelo Gil, porque é quem precisa mais da vitória, para dar uma prenda aos adeptos logo no regresso”, afirma.

José Correia. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

José Correia é sócio n.º 50 do Gil Vicente, registado há cerca de 60 anos. Concorda que “o regresso não só é bom para o clube mas também para Barcelos”. “Traz outra dinâmica ao comércio e à cidade”, assevera.

O conhecido entusiasta da causa monárquica no concelho confessa que se afastou nos últimos anos, face à descida do clube, mas assegura que sempre continuou a pagar as cotas. “Agora já começa a dar outra vontade de ver os jogos e é claro que vou ver o jogo com o Porto”, garante.

Nostálgico para com o estádio antigo, o velho Adelino Ribeiro Novo, o sócio n.º 50  explica que preferia que o estádio se tivesse mantido mais perto do centro da cidade, mas compreende que os tempos são outros e foi necessária uma mudança de paradigma.

João Faria. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

João Faria é sócio do Gil há 40 anos. Pai de um antigo jogador do clube – também chamado de João Faria -, aponta como “muito positivo” o regresso do clube à I Liga.

Nunca deixou de ser sócio do clube e continuou a “ir à bola”, mesmo durante a época passada que “não contava para nada”. “Para mim é igual, continuo a ir ver os jogos quando posso, menos quando há jogo do meu filho à mesma hora [joga no Vizela]”, diz.

Este sábado, estará presente nas bancadas para torcer pelos barcelenses, mas confessa não ter muita esperança. “Não vai ser nada fácil, mas pode ser que se consiga um bom resultado”, aponta.

Sobre a descida na secretaria e o regresso pelos mesmos meios, João Faria não concorda com os restantes inquiridos por O MINHO. “Eu não acho que a justiça tenha sido feita. Quem pôs o Gil na I Liga neste momento foi o acordo do Francisco Dias [presidente do Gil Vicente] com o Belenenses e com a Liga, porque se não houvesse esse acordo, não era este ano nem nunca”, diz.

“O Fiuza fez a festa [de regresso] mas foi porque o Francisco Dias fez o acordo. Sem acordo ele tão cedo não fazia festa nenhuma”, garante.

Paulino Gonçalves. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Quem já não vai à bola mas nunca deixou de ser sócio é Paulino Gonçalves, talvez um dos sócios mais antigos do Gil Vicente. Aos 93 anos, o antigo mecânico residente em Perelhal, que desde os 15 anos trabalhou na “rua Direita”, tem pena de já não aguentar uma deslocação a um jogo.

Admite que sempre foi sócio do Gil, mas a saúde não tem permitido acompanhar o clube. “A última vez que fui ao estádio foi há três anos”, recorda, com dificuldade nas palavras.

Paulino confessa que ficou “muito triste” com a descida administrativa em 2006, mas mesmo assim continuou a acompanhar o clube, ou não fosse um entusiasta pelo amor barcelista e gilista.

Emanuel Sousa. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Emanuel Sousa, de Barcelos, é sócio do Gil desde 2005. Com dois filhos a jogar na formação do clube, confessa que foi desenvolvendo uma paixão gilista ao longo dos últimos anos.

Logo no ano seguinte a ter-se inscrito como sócio, viu “uma injustiça” abater-se sobre o clube. “O Gil foi prejudicado por causa do jogador Mateus e ele continuou na I Liga enquanto que o Gil desceu”, aponta.

Mas agora, Emanuel crê que “foi feita justiça”. “E espero que o Gil se mantenha na I Liga durante muitos anos”, diz, acrescentando que o “prejuízo” não foi só para o clube. “A nossa cidade é pequena mas recebe muita gente e o facto de o Gil estar na I Liga, ao vir a televisão, atrai muita gente, e quando vêm os clubes ‘grandes’ a casa enche. É bom para a cidade porque vem muita gente para restauração e comércio”, finaliza.

O Gil Vicente marca o regresso à I Liga neste sábado, pelas 19:00, no Estádio Cidade de Barcelos, recebendo o vice-campeão FC Porto.

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Futebol

Football Leaks: PGR e FPF só souberam de ataques informáticos pela PJ

Tribunais

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Foto: Dr / Arquivo

A Procuradoria Geral da República (PGR) e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) só souberam que tinham sido alvo de ataques informáticos através da Polícia Judiciária (PJ), revelou esta quarta-feira o inspetor José Amador no julgamento do processo Football Leaks.

A sexta sessão do julgamento, a decorrer no Tribunal Central Criminal de Lisboa, foi exclusivamente dedicada à inquirição de José Amador pelo Ministério Público (MP). Depois de uma primeira parte mais focada em questões técnicas sobre os recursos usados para anonimização dos alegados acessos de Rui Pinto, criador da plataforma, aos sistemas informáticos de Sporting e Doyen, a tarde ficou marcada pela análise de alguns ficheiros que constavam nos discos apreendidos e que evidenciaram a intromissão na PGR e na FPF.

Segundo o inspetor da Judiciária, o ex-diretor do DCIAP, Amadeu Guerra, “terá sido uma das grandes portas de entrada no sistema”, sublinhando que o acesso às credenciais do ex-procurador geral distrital de Lisboa foi feito por método de “phishing”, tendo ocorrido entre o final de 2018 e o início de 2019.

Situação similar foi reportada por José Amador em relação à FPF a partir da análise de um dos discos desencriptados apreendidos a Rui Pinto.

Em análise estiveram também publicações efetuadas no blogue ‘Mercado de Benfica’, no final de 2018, com o inspetor da Judiciária a catalogá-lo como “uma evolução natural do Football Leaks” e sublinhando o grande peso do Benfica e da sociedade de advogados PLMJ no cômputo geral das publicações.

“Encontrámos ficheiros relacionados com o mercado de Benfica”, referiu a testemunha, observando que as informações detetadas pelo relatório digital da PJ – do qual só foram abordados alguns dos mais de um milhão de ficheiros no disco identificado como RP9 – apontaram para a existência de “elementos constitutivos dessa página”.

Na primeira fase da sessão, José Amador contou que os acessos ao sistema informático do Sporting ocorreram “a partir do dia 20 de julho de 2015”, ou seja, cerca de dois meses antes da criação do Football Leaks [29 de setembro] e visaram “pessoas com cargos de relevância ‘top’”, nomeadamente o então presidente Bruno de Carvalho, bem como responsáveis pelo futebol e pela área financeira, com os acessos “insistentes” a levarem ao “colapso” da rede do clube de Alvalade.

Ainda durante a manhã, o inspetor da Judiciária abordou a intrusão no sistema informático da Doyen e indicou que o método utilizado foi uma “campanha de ‘spear phishing’ [email com conteúdo malicioso para capturar dados pessoais e lançado de forma específica] para a caixa de correio de Nélio Lucas [CEO da Doyen]”.

Assumindo não ter a certeza do remetente utilizado neste contacto, José Amador apontou para alguém da estrutura do FC Porto, chegando a nomear o antigo administrador da SAD Antero Henrique.

O julgamento do processo Football Leaks prossegue esta quinta-feira no Campus da Justiça, em Lisboa, com a continuação da inquirição ao inspetor da Judiciária José Amador.

Rui Pinto, de 31 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, por 14 de violação de correspondência e por seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol e a Procuradoria-Geral da República, e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto, então representante de Rui Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 07 de agosto, “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e o seu “sentido crítico”, mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.

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Futebol

Desportivo das Aves SAD desiste do Campeonato de Portugal

Futebol

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Foto: DR / Arquivo

O Desportivo das Aves SAD vai abdicar da participação no Campeonato de Portugal (CdP) de futebol, após ter falhado até terça-feira as negociações com o Perafita para utilizar as instalações do clube de Matosinhos.

“As inscrições fechavam ontem [terça-feira] e nenhum atleta foi inscrito devido às dívidas antigas da SAD. O Aves SAD não vai competir esta época. Fecho definitivo de portas? Não fazemos ideia do futuro”, explicou à agência Lusa fonte do clube.

Os avenses foram autorizados a usar as instalações do Perafita para arrancar em 11 de setembro os trabalhos de pré-época com 17 jogadores, sob orientação de Paulo Gentil, ex-treinador do clube matosinhense, numa altura em que equacionavam a fusão com o emblema da I Divisão Distrital da Associação de Futebol do Porto.

“Ontem [terça-feira] tinha sido o último dia para que o acordo de arrendamento do estádio para treinos e jogos se realizasse. Como as condições impostas pelo Perafita não foram cumpridas, informamos que, a partir de hoje, não existe mais qualquer margem de negociação com a Aves SAD”, lê-se em comunicado emitido pela direção de Pedro Vaz.

O emblema do concelho de Santo Tirso estava impossibilitado de inscrever jogadores e viu negado o pedido de adiamento do jogo de estreia no CdP, falhando no domingo a visita ao Berço, que pode significar uma derrota administrativa e a dedução de pontos, antes do duelo com o Felgueiras 1932 para a primeira ronda da Taça de Portugal.

“A equipa estava preparada para o próximo jogo e fomos todos surpreendidos. Por questões logísticas, processuais e económicas, transmitiram-nos que o clube não teria condições para competir no Campeonato de Portugal. Lamento pelos atletas valorosos que cá estavam, mas fica a frustração”, partilhou à Lusa o treinador Paulo Gentil.

O Aves SAD reprovou em julho os requisitos de licenciamento nas provas profissionais de 2020/21 junto da Liga de clubes e dispensou o recurso para o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, na sequência de uma temporada assinalada por sucessivos incumprimentos salariais e culminada com a descida no relvado à II Liga.

A estrutura liderada pelo chinês Wei Zhao tem sido acompanhada pelo administrador judicial provisório António Dias Seabra e beneficia de um Processo Especial de Revitalização (PER), que reparte dívidas de 17,1 milhões de euros por 110 credores.

Já a entidade fundadora, presidida por António Freitas e responsável por ações de destituição e despejo dos órgãos sociais da SAD no Tribunal da Comarca de Santo Tirso, inscreveu uma equipa sénior na II Divisão distrital da Associação de Futebol do Porto.

O Desportivo das Aves SAD (série B) junta-se ao Armacenenses (série F) no lote de desistentes após o sorteio do Campeonato de Portugal, que registou nove adiamentos e três faltas de comparência face aos 47 jogos programados da primeira jornada.

De acordo com o artigo 68.º do Regulamento Disciplinar do órgão federativo, “o clube que não compareça injustificadamente em dois jogos oficiais consecutivos ou três interpolados é sancionado com impedimento de participação em competição entre uma e três épocas desportivas e cumulativamente com multa entre 10 e 20 unidades de conta”.

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Famalicão contrata Iván Jaime por cinco épocas

Mercado de transferências

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Foto: FC Famalicão

O médio Iván Jaime, de 19 anos, assinou um vínculo válido por cinco temporadas com o FC Famalicão, anunciou hoje o clube.

Formado no Málaga CF, o espanhol foi promovido à equipa principal do emblema da Andaluzia com apenas 17 anos. Já na última temporada, Iván Jaime fez parte do plantel da equipa que disputou o segundo escalão espanhol, apresentando ainda no currículo várias internacionalizações pela seleção sub-19 de La Roja.

“Senti que esta era uma oportunidade irrecusável. O FC Famalicão apresenta-se como um clube que privilegia um futebol positivo e isso faz me acreditar que irei evoluir ao longo desta temporada”, afirmou Iván Jaime.

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