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Autorização à Arriva para operar ligação Porto-Corunha é “tremendamente positiva”

Subsidiária da Deutsche Bahn alemã

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Foto: DR

O Eixo Atlântico classificou hoje de “tremendamente positiva” a autorização dada à Arriva (uma subsidiária da Deutsche Bahn alemã) para concorrer com a Renfe (Espanha) na linha de comboios internacional entre o Porto e A Corunha.

“É uma notícia tremendamente positiva, de uma relevância e importância extraordinárias, porque acaba por ser a iniciativa privada a dar resposta ao que vimos reivindicando, uma ligação entre o Porto e a Corunha que, no futuro, poderá converter-se numa ligação entre a Corunha e Lisboa como defendemos”, afirmou hoje à Lusa o secretário-geral do organismo que agrega 28 municípios portugueses e galegos.

A Comissão Nacional de Mercados e Concorrência (CNMC), regulador espanhol, autorizou a Arriva a concorrer com a Renfe (Espanha) na linha de comboios internacional entre o Porto e A Corunha

De acordo com o regulador espanhol, a entrada da Arriva não afeta o equilíbrio económico do contrato de serviço público da Renfe com o Estado espanhol e vai beneficiar os passageiros ao fornece novas frequências e permitir o aparecimento de serviços combinados de autocarros.

Xoan Mao sublinhou que o Eixo Atlântico não defende “o desaparecimento da Renfe, nem da portuguesa CP”, mas considerou que a possibilidade daquele operador privado poder concorrer àquela ligação “vai ser muito positiva para ambas as empresas, porque as vai obrigar a carregar baterias e a serem competitivas”.

“Esta possibilidade vai ajudar à modernização do serviço que a Renfe e CP prestam à população”, sustentou.

Xoan Mao realçou ainda o facto de a Arriva operar com “comboios próprios”.

“Todos sabemos o risco de colapso tanto da Renfe como da CP por falta de composições. O concurso para a aquisição de novos comboios só estará resolvido em 2022 ou 2023, tanto em Portugal como em Espanha. Sabemos os problemas que têm os comboios dos dois países: são muito velhos”, disse.

A nova linha ferroviária proposta têm uma extensão de 342 quilómetros e sete paragens ao longo do percurso (A Corunha, Santiago de Compostela, Pontevedra, Vigo Guixar, Valença, Nine e Porto-Campanhã), e a viagem têm uma duração prevista de duas horas e 46 minutos.

O secretário-geral do Eixo Atlântico defendeu ainda a necessidade de o governo espanhol avançar com a construção da saída sul de Vigo àquela ligação ferroviária.

“Não tem lógica que os utentes que vêm de Portugal tenham de continuar a cruzar a cidade de Vigo para ir a Santiago de Compostela (capital da Galiza). Também não tem lógica nenhuma que se percam 20 minutos porque o comboio tem de entrar em Vigo, inverter a marcha, dando uma volta imensa para apanhar a linha com destino a Portugal. Portugal tem de continuar a pressionar Espanha”, explicou.

Atualmente, o comboio que sai de Porto-Campanhã só faz a ligação até Vigo.

Com partidas diárias, o comboio Celta, operado pela CP em conjunto com a Renfe, iniciou a sua atividade em julho de 2013, assegurando uma ligação rápida entre Vigo e Porto, com paragens em Valença, Viana do Castelo e Nine.

Com bilhete único com o preço de 14,75 euros, esta ligação veio permitir percorrer os 175 quilómetros que separam as cidades em duas horas e 15 minutos, quando anteriormente a ligação demorava mais de três horas.

A autorização à Arriva foi tomada depois da elaboração de um “teste de equilíbrio económico” sobre o impacto financeiro líquido do aparecimento de um novo operador no serviço internacional, considerando aspetos qualitativos e técnicos.

O estudo foi solicitado pela Renfe com o argumento de que um novo operador na linha entre A Coruna e Vigo, na Galiza, poderia provocar um significativo prejuízo económico, já que reduziria o número de passageiros que atualmente usam o serviço da operadora pública.

Esta autorização significa que a CP – Comboios de Portugal e a Renfe, que têm um serviço partilhado de comboio nessa linha de passageiros, deverão passar a ter concorrência acrescida.

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