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Associações de militares queixam-se de cortes e de falta de pessoal

Comissão parlamentar de inquérito para apurar as responsabilidades do furto de Tancos

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As associações de oficiais, sargentos e de praças queixaram-se hoje dos cortes orçamentais e a falta de pessoal nas Forças Armadas, admitindo que podem ter contribuído para o furto aos paióis de Tancos, em junho de 2017.

O presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), António Mota, classificou como “muito grave” o furto de material de guerra dos paióis de Tancos, afirmando que “afetou claramente a dignidade das Forças Armadas”.

Primeiro a ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito para apurar as responsabilidades do furto de Tancos, António Mota considerou que o furto “começa por ser estranho”, mas enquadrou o caso no contexto das restrições orçamentais e da falta “colossal” de efetivos nas Forças Armadas.

“Ficam espantados quando estas coisas acontecem? Claro que vão acontecer mais vezes. Continuemos, o país, a permitir que se reduzam efetivos militares à velocidade colossal, continuem a não fazer os investimentos nos orçamentos de funcionamento das Forças Armadas e estas situações irão ocorrer de novo”, declarou.

“Só não irão ocorrer se o poder político revir o que pretende das Forças Armadas e finalmente as dotar de meios humanos e recursos financeiros e logísticos” necessários ou, em alternativa, quando os chefes militares começarem a dizer “que não é possível cumprir as missões”.

António Mota destacou ainda que as Forças Armadas estão a “perder mil efetivos por ano” e que “no terreno os comandantes queixam-se da falta de efetivos”, uma situação que se agrava, disse, quando, “depois, o pouco que ainda há é canalizado para as missões de âmbito operacional”.

Quanto a responsabilidades, António Mota declarou que “efetivamente existem, do soldado ao general”, mas, frisou, “os militares cumprem missões”, e que “é o poder político que determina as missões”.

O coronel insistiu neste ponto, afirmando que “tem de se proporcionar os meios necessários e suficientes para que as missões sejam cumpridas e isso não acontece em Portugal há décadas”.

Questionado sobre as exonerações dos comandantes das cinco unidades responsáveis pela segurança dos paióis, António Mota considerou que foi uma decisão “legal e legítima” do então Chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte.

Na audição seguinte, Mário Ramos, presidente em exercício da Associação Nacional de Sargentos (ANS), considerou grave o furto em Tancos e alertou para “um desinvestimento continuado ao longo de 20 anos nas Forças Armadas”.

Mário Ramos complementou o cenário com a análise de que os efetivos militares estão abaixo dos 32 mil previstos, o material e o equipamento estão degradados e há falta de incentivos para captar jovens para as fileiras.

“Isto é um reflexo de tudo o que aconteceu em Tancos”, declarou o responsável da ANS, queixando-se que os militares têm sido “por vezes, laboratórios para determinadas soluções que mais tarde se verifica serem inadequadas”.

O dirigente da ANS evitou comentar questões operacionais – a forma como era feita a segurança dos paióis – e nada disse sobre a decisão de exonerar cinco comandantes de unidades, remetendo as explicações “para os chefes”.

E criticou a punição disciplinar a um sargento, um cabo e um oficial “para aliviar a pressão momentânea” após o furto, discordando que sejam usados como “os bodes expiatórios”.

O último a ser ouvido, Luís Reis, presidente da Associação de Praças, alinhou nas queixas quanto à falta de pessoal e apontou às falhas do material, como as vedações ou a videovigilância que não funcionava.

Luís Reis afirmou ainda que ninguém compreende porque é que Tancos, sendo “um problema crónico”, ninguém “tomou a decisão de reparar as vedações e a videovigilância”.

Para este dirigente associativo, o ex-Chefe do Estado-Maior do Exército Rovisco Duarte deveria ter-se demitido mais cedo, dado que estava no topo da hierarquia de comando em que foram responsabilizados, por exemplo, um cabo, um sargento e um oficial com a responsabilidade da segurança das instalações.

Na sua opinião, “é curto” o número de militares que fazia as rondas aos paióis de Tancos.

E se o orçamento, queixou-se Luís Reis, pode ter tido aumentos, as cativações feitas pelo Governo, condicionam o normal funcionamento das Forças Armadas.

O caso do furto de armas em Tancos ganhou importantes desenvolvimentos em 2018, tendo sido detidos, numa operação do Ministério Público e da Polícia Judiciária, sete militares da Polícia Judiciária Militar e da GNR, suspeitos de terem forjado a recuperação do material em conivência com o presumível autor do crime.

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Salgado “perplexo” com condenação por violação de prevenção de branqueamento

Banco Espírito Santo

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Foto: Twitter

O ex-presidente do BES declarou, esta quarta-feira, ao Tribunal da Concorrência, em Santarém, a sua “perplexidade” pela condenação, pelo Banco de Portugal (BdP), por violação de normas de prevenção de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo.

Ricardo Salgado está, esta quarta-feira, a prestar declarações no âmbito do julgamento da impugnação que interpôs junto do Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão (TCRS), juntamente com o ex-administrador do Banco Espírito Santo (BES) Amílcar Morais Pires, às coimas aplicadas pelo BdP em maio de 2017, de 350.000 e 150.000 euros, respetivamente.

Ricardo Salgado começou por fazer um depoimento ao tribunal, no qual procurou explicar as medidas adotadas pelo BES junto das unidades no estrangeiro em causa no processo – os bancos em Angola, Cabo Verde, Miami e Macau –, no sentido de implementar estruturas e normas de “compliance”, frisando que o grupo BES foi “pioneiro” nesta matéria em Portugal.

O antigo presidente do BES questionou o sentido de ter sido condenado por conduta dolosa em relação a estas quatro das 26 unidades internacionais do banco, nada sendo apontado em relação às principais sucursais, em concreto Nova Iorque, Londres e Paris.

Em relação ao Banco Espírito Santo Angola (BESA), Ricardo Salgado reafirmou que os quadros colocados nessa unidade tinham provas dadas no BES, incluindo Álvaro Sobrinho, que presidiu à Comissão Executiva do BESA até ser destituído, em 2012 (com efeitos a partir de 2013), e que, acusou, foi o responsável pelas “situações escondidas” e pelas “falhas de reporte”.

Frisando que as próprias entidades de supervisão, tanto angolana como portuguesa, e a auditora externa KPMG nunca reportaram nenhuma situação grave, Salgado afirmou que teve sempre “fundados motivos” para acreditar que as instruções sobre o cumprimento das normas de prevenção de branqueamento estavam a ser cumpridas.

Ricardo Salgado reafirmou a convicção de ter sido diretamente visado pelo BdP neste e nos restantes processos que tem em curso, voltando a dizer que não tratava de questões técnicas e que as decisões eram tomadas de forma “colegial” e a declarar a sua estranheza por outros elementos com funções executivas não serem visados pelo supervisor.

No início do depoimento, que vai prosseguir durante a tarde, o advogado de Ricardo Salgado lamentou a publicação de notícias de “forma cirúrgica” no dia em que os arguidos prestam declarações, referindo-se a uma notícia desta quarta-feira do jornal Público sobre um processo que, disse, está ainda em segredo de justiça.

“A defesa não se vai deixar condicionar por táticas plantadas sempre pela mesma fonte”, declarou Adriano Squilacce.

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EasyJet abre rota Porto-Berlim e aumenta 15% da capacidade no Porto para 2020

Ligação será feita com o aeroporto de Berlin Schoenefeld (SXF)

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Foto: DR

A easyJet vai inaugurar uma nova rota no Porto com destino a Berlim, aeroporto de Berlin Schoenefeld (SXF), e vai aumentar em 15% a capacidade da companhia aérea no aeroporto daquela portuguesa em 2020, face ao ano anterior.

O novo trajeto vai ter início na cidade alemã em 29 de março pelas 06:00 (hora local), e regresso previsto para as 09:10 com partida do Porto, realizando-se quatro vezes por semana até 24 de outubro deste ano.

O diretor da easyJet Portugal, José Lopes, sublinhou a satisfação da companhia aérea ao reforçar “o compromisso” com a cidade do Porto, estando preparada para “reforçar a sua aposta” nos aeroportos nacionais, segundo comunicado da companhia aérea.

Como parte de uma estratégia de crescimento, esta é a 19.ª nova rota a servir o Porto, juntando-se às ofertas de verão da companhia aérea com destino a Funchal, Ibiza, Bordéus, Basileia, Lyon, Toulouse e Genebra.

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PSP deteve 361 pessoas e apreendeu 16 armas de fogo na operação de Carnaval

“Carnaval em Segurança”

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Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

A PSP deteve 361 pessoas e apreendeu 16 armas de fogo e mais de 10 mil artigos pirotécnicos durante a operação “Carnaval em Segurança” que terminou na terça-feira, indicou, esta quarta-feira, aquela força de segurança.

Em comunicado, a Polícia de Segurança Pública refere que, no âmbito da operação “Carnaval em Segurança”, que se iniciou a 17 de fevereiro, foram feitas 361 detenções, 125 das quais por condução com excesso de álcool, 65 por condução sem habilitação legal para conduzir e 32 por tráfico de droga.

Nos nove dias da operação, a PSP apreendeu 715 doses de droga, 16 armas de fogo, cinco outras armas e 10.666 artigos pirotécnicos.

Na sua área de responsabilidade, os centros urbanos, a PSP registou 1.406 acidentes, que provocaram cinco mortos, 19 feridos graves e 385 feridos ligeiros.

Durante a operação, a PSP fiscalizou mais de 31 mil viaturas e realizou cerca de mil ações de fiscalização nas estradas, de segurança privada e controlo de suspeitos.

No total foram mobilizados para a operação “Carnaval em Segurança” 9.367 polícias e 4.087 meios materiais.

 

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