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Associações de doentes alertam para “realidade assustadora” de falta de medicamentos

Infarmed

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Foto: DR/Arquivo

Setenta associações de doentes enviaram uma carta ao Infarmed a alertar para a “realidade assustadora” de doentes cujo estado de saúde se tem “agravado” devido à falta de medicamentos nas farmácias e à não aprovação de fármacos inovadores.

Na carta, a que a agência Lusa teve acesso, as associações de doentes que integram a Convenção Nacional de Saúde referem, em especial, os medicamentos para o cancro, lamentando a demora na aprovação de medicamentos inovadores.

As associações, que pedem uma reunião urgente ao Infarmed – Autoridade do Medicamento, sublinham que consideram inconstitucional qualquer barreira ou limitação no acesso a tratamentos.

As associações de doentes referem também que têm sido contactadas nos últimos dias por “vários doentes preocupados com o agravar do seu estado de saúde”, apontando a falta de medicamentos nas farmácias e também barreiras no acesso à fármacos inovadores por falta de aprovação ou autorização do Infarmed.

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Vistos gold: Investimento chinês cai 11% até setembro e brasileiro sobe 46%

De acordo com dados do SEF

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Foto: DR

O investimento chinês captado através dos vistos ‘gold’ subiu 11% até setembro, face a igual período de 2018, para 180 milhões de euros, enquanto o brasileiro aumentou 46,5% para 132,6 milhões de euros.

De acordo com dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), nos primeiros nove meses do ano o investimento proveniente da China por via de Autorizações de Residência para Atividade de Investimento (ARI) atingiu 180 milhões de euros, menos 11% em termos homólogos.

Entre janeiro e setembro foram concedidos 323 vistos ‘dourados’ a cidadãos de origem chinesa.

Nos primeiros nove meses de 2018 o investimento de origem chinesa foi de 203 milhões de euros.

Já o investimento brasileiro, por via da ARI, ascendeu a 132,6 milhões, mais 46,5% que um ano antes, num total de 176 vistos.

Relativamente ao investimento oriundo da Turquia, este recuou 48,5% entre janeiro e setembro, face ao mesmo período de 2018, para 38,5 milhões de euros.

Até setembro fora atribuídos 71 ARI a cidadãos turcos.

No ‘top 5’ do investimento por nacionalidades, constam ainda os Estados Unidos, totalizando 38,5 milhões de euros até setembro, com 49 ARI concedidos.

A Rússia, com 40 vistos ‘gold’, totalizou um investimento de 26,3 milhões de euros no período em análise.

Em setembro, o investimento total proveniente de ARI ascendeu a 48.450.021,42 euros, uma subida de 29,7% face ao registado em igual mês de 2018 (37 milhões de euros).

Comparativamente a agosto, quando o investimento foi de 82,5 milhões de euros, este registou um recuo de 41%.

Nos primeiros nove meses do ano, o investimento captado totalizou 601,5 milhões de euros, mais 1% que um ano antes.

Em quase sete anos – o programa ARI foi lançado em outubro de 2012 –, o investimento acumulado até setembro totalizou 4.851.321.701,65 euros, com a aquisição de imóveis a somar 4.378.813.787,85 euros.

Os vistos “dourados” atribuídos por via da transferência de capital ascendem a 472.507.913,8 euros.

Desde a criação deste instrumento, que visa a captação de investimento, foram atribuídos 7.960 ARI: dois em 2012, 494 em 2013, 1.526 em 2014, 766 em 2015, 1.414 em 2016, 1.351 em 2017, 1.409 em 2018 e 998 em 2019.

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Pordata lança retrato estatístico de 10,2 milhões, mais velhos do que novos

Terceiro país da União em rácio de idosos para jovens

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Foto: DR / Arquivo

São 10,2 milhões, mais velhos que novos, num país em que nos últimos 50 anos, a taxa de mortalidade infantil se tornou numa das baixas da Europa, segundo o retrato estatístico de Portugal hoje divulgado.

Os 10.283.822 de portugueses contados nos dados da base de dados da Pordata, gerida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, vivem com um risco de pobreza de 18,3% (1,4 pontos acima da média da União Europeia).

Apenas 13,9% da população têm menos de 15 anos (a média da UE é 15,6%), enquanto 21,3% têm mais de 65, segundo o retrato divulgado no Dia Europeu das Estatísticas.

Assim, Portugal é o terceiro país da União em rácio de idosos para jovens: 153 idosos para cada 100 jovens, só superado por Itália e Alemanha.

Entre os 15 e 64, o país está em cheio na média europeia, com 64,4% das pessoas nessa faixa etária.

Em média, cada mulher tem 1,38 filhos, abaixo dos 1,59 da média europeia, com Portugal no 23.º lugar entre os 28 países membros da União Europeia.

A idade média para ter filhos situa-se nos 31,2 anos e 54,9% dos nascimentos verificam-se fora do casamento, bem acima dos 20% que se verificavam em 1993.

A taxa de mortalidade, que em 1960 se aproximava dos 90 por mil habitantes, está hoje em 2,7 por mil, abaixo da média europeia de 3,6%.

Em 2018, houve mais 25.980 mortes do que nascimentos em Portugal, traduzindo uma variação negativa de 1,6%, por oposição aos 2,1% positivos da média europeia.

Os portugueses são dos mais gregários entre os povos da União Europeia, com apenas 23% dos agregados familiares compostos por uma pessoa, o número mais baixo da UE, ‘ex aequo’ com a Croácia e a Eslováquia.

Na maior parte desses agregados (54%) vive uma pessoa com mais de 65 anos.

Portugal é o país europeu com maior percentagem de pessoas entre os 25 e os 64 anos sem o ensino secundário ou superior (50,2%), mais do dobro da média da UE, que se situa nos 21,9%.

A taxa de abandono escolar entre os 18 e 24 é a sétima mais alta da UE, chegando aos 11,8% em relação à média europeia de 10,6%.

No seu retrato, a Pordata destaca ainda que 55% dos doutoramentos pertencem a mulheres.

No que toca aos cuidados de saúde, os portugueses gastam 5,1% do rendimento das famílias, a sexta percentagem mais alta no contexto da União Europeia, onde a média é de 04%, segundo números de 2017.

Portugal é o terceiro país da União com mais médicos por 100 mil habitantes (497, face à média europeia de 360, mas está em vigésimo em relação ao número de camas disponíveis (339 por 100 mil habitantes, quando a média europeia é de 504.

Portugal está em sexto lugar no rácio de polícias por habitante (450 agentes por 100 mil habitantes, mas apenas 7,8% do contingente são mulheres, a percentagem mais baixa em 23 países da UE para os quais há dados disponíveis.

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Três espécies de insetos comestíveis à espera de lei em Portugal

Dia Mundial do Inseto Comestível assinala-se na quarta-feira

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Foto: DR

O mundo tem pelo menos duas mil espécies de insetos comestíveis e em Portugal a indústria está a investir em três, grilo, tenebrião e gafanhoto, à espera de que a lei permita produção para pessoas e animais.

O Dia Mundial do Inseto Comestível assinala-se na quarta-feira e a associação do setor não tem dúvidas que ele vai fazer parte da alimentação do futuro. Mas diz que no presente, por causa de leis da União Europeia, a vida não está fácil para investidores na maior parte dos países.

A Portugal Insect – Associação Portuguesa de Produtores e Transformadores de Insetos vai assinalar a efeméride no próximo sábado na Universidade Nova de Carcavelos, arredores de Lisboa, com uma conferência sobre temas como insetos na alimentação humana, enquadramento legal, aplicações culinárias ou insetos nas ementas das escolas.

No final da conferência vai haver uma sessão de degustação, a título excecional porque ainda é proibido o comércio de insetos para alimentação, como lembrou à Lusa o presidente da Portugal Insect, Rui Nunes.

A propósito da iniciativa desta semana o responsável afirmou que em Portugal já existem há vários anos alguns produtores de insetos, juntos na associação que foi criada no ano passado, e lembrou também que o inseto como fonte de proteínas já é um tema na agenda da FAO – Organização das Nações Unida para a Alimentação e Agricultura desde 2013.

Em maio de 2013 a FAO defendeu num relatório que os insetos consumidos anualmente por 2.000 milhões de pessoas são uma alternativa promissora à produção convencional de carne, com vantagens para a saúde e para o ambiente.

Num planeta com nove mil milhões de pessoas em 2050, “onde vamos arranjar fontes proteicas?”, questiona agora Rui Nunes, acrescentando que dentro do milhão de espécies de insetos há duas mil espécies “comprovadamente comestíveis”, que já são consumidas por milhões de pessoas, embora os europeus ainda tenham “alguma relutância”.

Em Portugal os produtores estão a investir, para alimentação humana e animal, em algumas espécies de grilos, no tenebrião, a chamada larva da farinha, e mesmo gafanhotos.

Por uma questão de segurança alimentar, explica Rui Nunes, a produção tem de ser controlada e em cativeiro, de forma segura, O que acontece, diz, é que atualmente, por força de um regulamento europeu (2015/2283), não é permitido esse tipo de comercialização.

“O que está em causa é que para os insetos poderem ser consumidos tem de se apresentar dossiers de segurança alimentar. E ainda nada está aprovado”, explica Rui Nunes.

Mas o regulamento permite que países que antes da publicação já produziam insetos o possam continuar a fazer. E “hoje temos países onde é permitido comer insetos e há outra Europa onde é proibido porque ainda não estão aprovados os dossiers de segurança alimentar. Há uma Europa que permite produção e consumo e há uma Europa que não”, lamenta.

Na prática, diz na entrevista à Lusa, a Holanda, a Finlândia, o Reino Unido, a Dinamarca, a Bélgica e a Áustria podem produzir e consumir insetos, os restantes países não. E a Portugal Insect não se sente por isso representada pela associação europeia do setor (International Platform of Insects for Food and Feed – IPIFF), preferindo trabalhar, a nível interno, com as autoridades portuguesas.

Atualmente, alimentos a partir de insetos não são permitidos junto da população nem sequer podem servir para alimentar animais, exceto para aquacultura.

O presidente da associação explica que a proibição de rações com fontes proteicas a partir de animais existe desde a “doença das vacas loucas”, uma doença que afeta o gado descoberta nos anos 1980 e que será provocada por um agente infeccioso chamado prião e que supostamente é constituído apenas por proteína.

Rui Nunes, fundador da empresa Entogreen, explica que na altura se proibiu que os animais fossem alimentados por outros animais, e defende que a proibição seja levantada para os porcos e as aves.

E que naturalmente os insetos possam ser comercializados e consumidos pela população, porque é um produto “normal” e “não é estranho nem esquisito”.

José Guimarães, vice-presidente da direção da Portugal Insect e fundador da empresa Nutrix, diz também à Lusa que até à autorização de comercialização se projeta e se investiga, e salienta que além da questão de ser preciso alimentar a população mundial em crescimento a produção e consumo de insetos tem um lado muito importante “na questão dos impactos ambientais”.

Quer no consumo de água, na quantidade de alimentos, no espaço necessário, e na produção de gases com efeito de estufa, o uso de insetos como fonte de proteína tem um impacto “significativamente inferior” quando comparado com outras produções tradicionais.

Por tudo isto Rui Nunes diz que o que se espera é que no próximo ano todos os entraves sejam desbloqueados a nível europeu ou que uma decisão política em Portugal abras portas a um setor “em franco crescimento”, que vai ficar por conta de seis países se nada for feito.

E nesses países a população come insetos? Rui Nunes diz que a aceitação é gradual, que é “um produto de nicho, que está a crescer”.

Na associação, a pensar numa maior aceitação do consumidor, discute-se a melhor forma de apresentar os insetos, se desfeitos numa farinha ou numa barra, se inteiros, “ao natural”.

Para já, e porque nem sequer podem vender, no dia 26, na iniciativa de Carcavelos, vão “dar a provar” quer insetos processados, em forma de bolachas, quer inteiros, como vieram ao mundo. E o “chef” de cozinha Chakall também se associou ao projeto, com sobremesas e entradas de insetos.

José Guimarães está otimista. A alimentação transforma-se ao longo dos tempos. “Há 20 anos, quando o sushi surgiu, as pessoas reagiram de forma adversa. Hoje nem seque é tema de conversa”.

É uma prova de que “a nossa perceção em relação aos alimentos vai mudando”.

É José Guimarães quem o diz. E recua um pouco mais no tempo com outro exemplo. Nos Estados Unidos, há dois séculos, os prisioneiros eram alimentados com lagosta. E reclamavam por isso.

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