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“As pessoas ofereciam, nunca obrigámos ninguém”, diz presidente de lar em Barcelos acusado de corrupção

Ministério Público
"as pessoas ofereciam, nunca obrigámos ninguém", diz presidente de lar em barcelos acusado de corrupção
Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

O presidente da Direção do Centro de Apoio e Solidariedade da Pousa (CASP), em Barcelos, refuta as acusações de corrupção passiva.

“As pessoas ofereciam um donativo de cinco mil euros, mas nunca obrigámos ninguém [a fazê-lo]. E que eu saiba donativos não são crime”, afirma Joaquim Pereira em declarações a O MINHO.

O Ministério Público (MP) acusou de corrupção três responsáveis do CASP por, alegadamente, cobrarem cinco mil euros como contrapartida necessária e obrigatória à admissão de idosos no lar.

A IPSS também foi acusada do mesmo crime.

Os factos remontam a 2016 e os arguidos desempenhavam as funções de presidente, vice-presidente para a área cultural e recreativa e diretora de serviços da instituição.

Joaquim Pereira é um dos acusados, sendo que à época era o vice-presidente para a área cultural e recreativa.

“As pessoas perguntavam-nos: ‘como é do dinheiro para entrar, quanto é que a gente tem que dar?’ Tivemos uma primeira senhora que nos ofereceu um donativo de 5 mil euros para a mãe ficar cá e nós claro que aceitámos, naquela altura estávamos com bastantes problemas financeiros, estávamos a abrir”, recorda Joaquim Pereira.

A partir daí, esse valor ficou como referência.

Questionado por O MINHO se esse donativo era uma condição obrigatória para aceitar idosos no lar, Joaquim Pereira responde: “Não, não era. Eles perguntavam quanto era, que sabiam que em todas as instituições era costume, e nós dizíamos-lhes: as pessoas estão oferecer-nos um donativo de cinco mil euros. Não era ‘ou vocês nos oferecem os cinco mil euros ou não há lugar para ninguém’. Isso nunca dissemos! As pessoas é que assumiam [que tinham de dar] o donativo, foi sempre assim que funcionou. Nunca obrigámos ninguém”.

O atual presidente do CASP acrescenta, ainda, que era sempre passado “recibo como donativo que as pessoas faziam para a instituição, não era para a direção. Isso está tudo contabilizado. Os cinco mil euros que as pessoas deram foi como donativo, está nas contas, não foi nenhum saco azul. As contas são clarinhas como água”.

O dirigente garante que “não [tem] nada a temer” e que está de “consciência tranquila”, mas critica não ter sido ainda notificado pelo MP: “Antes de sair no site da Procuradoria não deviam ser notificadas as pessoas?”.

Em nota hoje publicada na sua página, a Procuradoria-Geral Distrital do Porto considera que, “no exercício dessas funções, agindo em representação da IPSS e no interesse desta, [os arguidos] decidiram solicitar, aquando da outorga dos sucessivos contratos com os utentes e/ou com os seus familiares, o pagamento do montante de 5.000 euros como contrapartida necessária e obrigatória à admissão dos utentes, bem sabendo que tal ato não estava da mesma dependente, atendendo ao protocolo que tinham contratualizado com a Segurança Social”, refere a nota da procuradoria.

Acrescenta que o MP considerou indiciado que, dando execução a esta deliberação dos arguidos e da arguida, entre fevereiro de 2016 e dezembro de 2016 foi exigido aos utentes/familiares, e por eles entregue, como condição para a admissão na IPSS, o montante global de 90.000 euros, “que reverteu para a IPSS mascarado sob a capa de donativos”.

Os arguidos estão acusados da prática de um crime de corrupção passiva no setor privado.

O MP pediu ainda que os quatro arguidos sejam condenados a pagar ao Estado 90.000, “por constituir vantagem patrimonial da atividade criminosa que desenvolveram”.

 
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