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Arriva diz adeus ao Minho após 20 anos de reinado no Ave

Mobilidade

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Foto: Luís Gonçalves

Desde o primeiro dia do ano que já não se vê um autocarro da Arriva a circular na zona do Ave, entre Guimarães, Fafe, Vieira do Minho, Póvoa de Lanhoso, Barcelos, Famalicão, Santo Tirso, Póvoa de Varzim ou Vila do Conde. Uma mudança estranha para quem, ao longo dos últimos 20 anos, viu a predominância dos transportes pintados a azul-turquesa nas rodovias e terminais de autocarros. Transdev e empresas próprias para o efeito devem substituir a operadora britânica.

Em causa [para o abandono], alegou a empresa, estão os sucessivos atrasos nos contratos celebrados com entidades públicas. A 22 de junho de 2020, o presidente da Arriva Portugal, José Pires da Fonseca, escreveu uma carta ao primeiro-ministro onde alertava que “o eventual adiamento dos atuais concursos teria dois efeitos devastadores na forma como os investidores olham para Portugal: por um lado, pela descredibilização das instituições; e, por outro lado, pela reorientação dos investimentos para outros países”.

Mensagem encontrada na abertura do site da Arriva Portugal. Fonte: Arriva.pt

Quase um ano e meio depois, a casa-mãe da Arriva, a Deutsche Bahn, resolveu retirar a empresa do Norte de Portugal, mantendo apenas em Setúbal o serviço da marca TST, e 31,5% na administração do grupo português Barraqueiro. A partir de julho de 2022, sob o nome de Metropolitano Carris, irá concessionar a Área Metropolitana de Lisboa, num contrato de sete anos.

Os municípios afetados foram devidamente avisados e encontraram soluções, algumas definitivas, outras nem tanto. Em Guimarães, começou a operar a GuimaBus, a 01 de janeiro, após concurso público internacional. Em Famalicão, Trofa e Santo Tirso, a Transdev assegura serviço provisório até que esteja no terreno o novo serviço Mobi.Ave, que irá operar naqueles três municípios. A mesma empresa assegurará também o transporte coletivo em Barcelos e Fafe.

De acordo com uma nota enviada pela CIM do Ave, após edição desta notícia, a Transdev passou a assegurar a continuidade dos serviços de transporte por entre os diferentes municípios da região do Ave, sem necessidade de troca dos títulos de transporte.

Com o fecho de operações da Arriva Portugal, caem também quase 100 anos de história, escritas por quatro empresas de cariz familiar que, em 2000, foram adquiridos pela inglesa Arriva PLC.

João Carlos Soares e Filhos S.A., Abílio da Costa Moreira e Companhia, S.A., Viação Costa e Lino, S.A. e Ami – Transportes, S.A. passaram a ser a Arriva em Portugal, e rapidamente foi criado um novo paradigma por entre os utentes de autocarros da zona do Ave, que se dividiam com passes de diferentes operadoras até então. Em 2010, a Arriva PLC foi adquirida pela empresa Deutsche Bahn.

Para além de servir os concelhos por via privada, passou também a deter 100% dos Transportes Urbanos de Guimarães e 66% Transportes Urbanos de Famalicão, bem como 20% dos de Santo Tirso.  Chegou a operar numa área de 2503,3 km2 dividida pelo Vale do Ave e pela Área Metropolitana do Porto, servindo meio milhão de habitantes.  Esteve, até ontem, sediada em Guimarães, com oficinas e centro operacional em Famalicão.

Notícia atualizada às 22h08 (03/01) com apontamento da CIM do Ave.

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