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Apicultores do Alto Minho registam menos prejuízos causados pela vespa asiática

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Foto: DR/Arquivo

O presidente da Associação Apícola de Entre Minho e Lima (APIMIL) apontou esta sexta-feira uma diminuição dos prejuízos causados pela vespa asiática na produção de mel, justificada pela instabilidade das condições climatéricas.

“O fim do período de hibernação da espécie tem, este ano, um atraso de cerca de dois meses. As vespas só começaram a sair dos ninhos em finais de julho, início de agosto, quando, em anos anteriores isso acontecia em junho”, explicou hoje à Lusa, Alberto Dias.

O responsável pela associação mais interventiva do distrito de Viana do Castelo aquando da chegada desta espécie invasora e dos prejuízos que causou na produção de mel da região, em 2012, adiantou que aquele atraso no final do período de hibernação da espécie “fica a dever-se à grande instabilidade meteorológica que se tem registado este ano”.

“A produção de mel também está a ser afetada pelas condições meteorológicas. Por ano, a região produz cerca de 150 toneladas de mel. Este ano registamos uma diminuição acentuada, da ordem dos 40 a 50%”, destacou.

Alberto Dias acrescentou que existe na região um “acompanhamento mais próximo da praga da vespa asiática, quer por parte de entidades responsáveis, quer dos apicultores e agricultores”.

“A propagação está mais controlada e os ataques às culturas de fruta, vinha e à produção de mel são menores, comparativamente a anos anteriores”, destacou, dando como exemplo “a colocação, entre maio e abril, de armadilhas artesanais à saída dos ninhos para eliminar as vespas à medida que vão saindo dos ninhos”.

Dados da APIMIL indicam que cada ninho pode albergar até 2.000 vespas e 150 fundadoras de novas colónias, que no ano seguinte poderão vir a criar pelo menos seis novos ninhos.

A vespa velutina é uma espécie asiática com uma área de distribuição natural pelas regiões tropicais e subtropicais do Norte da Índia ao leste da China, Indochina e ao arquipélago da Indonésia, sendo a sua existência reportada desde 2011 na região Norte de Portugal.

Os principais efeitos da presença desta espécie não indígena manifestam-se não só na apicultura, por se tratar de uma espécie carnívora e predadora das abelhas, mas também para a saúde pública, porque, embora não sendo mais agressivas do que a espécie europeia, reagem de modo mais agressivo se sentirem os ninhos ameaçados, podendo fazer perseguições até algumas centenas de metros.

Esta espécie predadora foi introduzida na Europa através do porto de Bordéus, em França, em 2004. Os primeiros indícios da sua presença em Portugal surgiram em 2011, mas a situação só se agravou a partir do final do ano seguinte.

Viana do Castelo é o concelho do Alto Minho com maior número de casos de ninhos daquela espécie.

A destruição ocorre sempre quando cai a noite, período em que as vespas fundadoras estão no interior das colmeias.

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