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Cávado

Apanhados à vinda da Galiza com canábis para vender em Barcelos

Ministério Público deduziu acusação

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Foto: Ilustrativa / DR

Iam comprar droga à Galiza, em Espanha, para vender em Barcelos. Foram intercetados à vinda pela GNR. Para tentar despistar as polícias os dois alegados traficantes recorriam a carros alugados.

José Miguel, conhecido por “Vaca”, de 35 anos, e Humberto, de 34, ambos de Barcelos, foram acusados pelo Ministério Público de Braga do crime de tráfico de estupefacientes.

A acusação sustenta que o arguido José Lopes dirigia o negócio, contactando telefonicamente os fornecedores, de nacionalidade espanhola, acertava o preço e a quantidade de canábis a adquirir e agendava os locais de recolha, em território espanhol.

Acrescenta que este arguido fora já acusado e condenado em Barcelos, conjuntamente com outros arguidos, por crime de tráfico praticado entre 2013 e 2014.

Não obstante – sublinha o MP -, não inverteu o seu percurso de vida e, pelo menos entre janeiro de 2015 e abril de 2015, voltou à venda de estupefacientes a terceiros, em comunhão de vontades com o Humberto.

Advogado lamenta atraso

Contactado a propósito, o advogado João Ferreira Araújo disse a O MINHO que considera “lamentável” que a acusação tenha demorado cinco anos a ser concluída: “A aplicação da justiça deve ser o mais célere possível, pois, só dessa forma tem o efeito pretendido”. “Neste caso, a acusação demorou cerca de cinco anos, o que é de todo incompreensível atendendo à factualidade em causa”, acentuou.

Dois automóveis

Na acusação, o MP anota que, “quando iam comprar ou vender haxixe, ambos os arguidos se deslocavam em dois automóveis distintos, alugados para não serem facilmente identificados, seguindo o José sempre na dianteira e com uma diferença de alguns minutos, para apurar a existência de controlo policial no trajeto; o Humberto seguia atrás, transportando o produto estupefaciente até Portugal”.

Chegados a Barcelos dividiam entre si o produto estupefaciente, ficando o José com a maior parte, para vender, quer as plantas vivas, quer o restante produto já pronto para consumo, a revendedores. O arguido Humberto ficava com quantidades que destinava ao seu consumo e à revenda.

Entre janeiro de 2015 e abril de 2015, o arguido Humberto vendeu em média a um consumidor, “uma língua” de resina por semana, ao preço unitário de 10 euros.

Apanhados à vinda de Pontevedra

Em abril de 2015, os dois conduziram os veículos alugados até ao Barrio Peinador, em Vigo, Pontevedra, Espanha. O José entrou noutro carro de cor cinzenta e saiu do local, ficando o Humberto a aguardar.

O José, auxiliado por um indivíduo de identidade desconhecida, transferiu quatro caixas de cor castanha, colocando-as no veículo do Humberto.

Os dois regressaram a Portugal, seguindo o José na dianteira, com dois quilómetros de avanço relativamente ao Humberto. Conduziram até Barcelos, tendo o Humberto sido intercetado pela GNR às 20:00, na circular de Barcelos, junto da Rotunda Cibernética, constatando-se que transportava as quatro caixas: duas na bagageira do carro e duas nos bancos traseiros.

As caixas de papelão continham canábis (folhas ou sumidades) com o peso líquido de 5.027 quilogramas. que dariam para dividir em 14.680 doses, e 52 pés de canábis (folhas/sumidades), ainda plantados em vasos, com o peso líquido de 41,820 gramas que daria para dividir em 16 doses.

O José foi parado na Estrada Nacional 306, em frente ao “Café Esparrinha”, em Arcozelo, Barcelos, e, mal se apercebeu da presença dos militares, tirou a bateria ao telemóvel e lançou-o para baixo do banco do veículo.

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