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Colunistas

Annabelle – “remake” do Estado Islâmico

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Vania Mesquita Machado


Artigo de Vânia Mesquita Machado

Pediatra e escritora. Autora do livro Microcosmos Humanos. Mãe de 3. De Braga.

Se for excessivamente agreste e chocante façam o favor de não ler.
Ignorar é uma forma de não ver.
Mesmo incapazes de agir num continente distante, estar a par das atrocidades do outro lado do mundo, e divulgar viralmente práticas de horror até que autoridades e instituições como a ONU ou ONGs possam agir, é na minha opinião, um dever.

O vómito fica entalado no esófago em contractilidade espasmódica, tal a arte cruenta do ser que se diz humano. A náusea impele a ação de vomitar, a revolta encrava-o no mesmo lugar, pela impotência revoltante de não poder ajudar.
Qual ser humano? Encarnação dissimulada do demónio em corpo de homem, “pessoas” com excrementos no lugar do coração, com sinapses neuronais sobrecarregadas de maldade extrema, psicose em estado puro cujo alvo é o mais puro do ser humano, a criança.

Não é um filme de terror sobrenatural como o “Annabelle”mas uma realidade, elementos do ISIS em experimentações acéfalas ( porque no cérebro existem áreas corticais onde atos como o de não prejudicar crianças são bloqueados porque instintivos, exceções feitas doentes mentais.Estes terroristas não são doentes nem dementes, são animais). Experimentalismo com a ingenuidade infantil, não assombram a boneca mas transformam o brinquedo em armadilha, explosivos no interior de bonecas para as meninas, em carros telecomandados para meninos, sabem bem que na infância a brincadeira está em primeiro lugar, sabem bem que uma criança que encontre um brinquedo não controla o impulso de lhe tocar.

Espalhar brinquedos letais é macabra assombração engendrada desde 2015 no Iraque e tem vindo a tornar-se moda: ” estratégia dos terroristas quando são derrotados” ( citação do livro de David Sorenson ” Síria em ruínas, a dinâmica da guerra civil síria” pelo El Mundo).

Frase anti-natura que um médico espanhol ao serviço em Alepo mais ouviu das crianças, também do El Mundo, ” o meu brinquedo magoou-me”, crianças ensanguentadas, desfiguradas, mutiladas, traumatizadas.
O mesmo medico a referir também que as regras na guerra não existem.

São necessárias regras para não magoar crianças da forma mais diabólica possível?
Qual a forma mais ignóbil de atingir um pai? Ferir ou matar o seu filho, que inocentemente encontra um brinquedo abandonado num caminho, a felicidade de poder brincar quando o cenário de vida é guerra e medo num ápice desfeita como se rarefazem as mãos que seguram o brinquedo.

Uma mãe que chorava perda da sua menina, expulsava de si a raiva na frase que assassina a alma de quem sente: “Espero que o mundo pense nos nossos filhos como se fossem os seus próprios filhos”.
“O meu brinquedo magoou-me”…?
…O mundo está gravemente doente.

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Opinião

Obrigado, autarcas!

Opinião

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ARTIGO DE EDUARDO FERNANDES

Engenheiro. Presidente da JSD Guimarães

Pelo título deste artigo, pode parecer que já chegamos ou estamos perto de chegar ao fim desta guerra invisível, não é verdade. Na realidade, estamos ainda muito longe de acabar com isto. E, por isso, convém relembrar aqueles que lutam diariamente, para além dos profissionais de saúde a quem também devemos a nossa vénia, para que este problema se resolva da forma mais rápida e eficiente possível.

A este nível, temos muito que agradecer aos nossos autarcas. Todos eles, dos Presidentes de Junta aos Presidentes de Câmara. Nestes tempos em que a DGS se apresenta aos portugueses todos os dias com uma comunicação desastrada e pouco habilidosa, em que o número de infetados revelado não corresponde inteiramente à realidade, em que não há consenso no que diz respeito à estratégia a adotar para a resolução da grave crise que se abateu nos lares de idosos um pouco por todo o país e, até, no que diz respeito a um suposto cerco sanitário (planeado apenas pela própria diretora da DGS, pelo que consta) para uma cidade com mais de 200 mil habitantes sobre o qual, o próprio autarca dessa cidade não tinha conhecimento.

Concordo quando o primeiro-ministro diz que não se mudam os generais a meio da batalha. Só acho é que a atribuição do título de generais está mal feita. Os verdadeiros generais, tem sido os nossos autarcas que todos os dias estão no terreno. Todos os dias se debruçam sobre grandes ineficiências estatais às quais, muitas vezes por meios próprios, tem de dar resposta. E, sejamos sinceros, foram também os autarcas os primeiros a perceber a real magnitude desta guerra e a preparar cada um dos seus concelhos para o que aí vinha.

A estes, o meu sincero obrigado.

Eduardo Fernandes

Engenheiro e Presidente da JSD Guimarães

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Opinião

Covid-19 e as ciberameaças: Não custa nada estar atento

Opinião

em

ARTIGO DE JOSÉ ALFREDO OLIVEIRA

Advogado. Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca.

O incitamento ao isolamento social e o convite a uma cada vez maior restrição das deslocações aos estabelecimentos comerciais são alguns dos principais objetivos constantes na Resolução do Conselho de Ministros que executam o Estado de Emergência decretado pelo Presidente da República.

Se é verdade que se pretende evitar o risco de propagação do COVID-19 e salvaguardar a saúde dos portugueses com este convite ao recolhimento, não é menos verdade que o medo provocado pelo alastrar da pandemia criou oportunidades de negócio e que, uma vez recolhidos nas suas casas, constata-se um aumento considerável das compras on-line, mais interação com as redes sociais e, por via disso, um aumento do risco de burlas com a partilha de informações e dados confidenciais.

São várias as burlas que aliciam os cibernautas, como são exemplo:

i) as campanhas de phishing que aparecem com frequência por e-mail, SMS ou por redes sociais, a coberto da imagem de entidades oficiais;

ii) a divulgação de plataformas digitais ou de aplicações para dispositivos móveis que aparentam divulgar informação em tempo real sobre a pandemia;

iii) os esquemas de fraude digital partilhados por email ou em redes sociais, que divulgam várias iniciativas de crowdsourcing com vista à recolha de donativos para falsas campanhas de compra de material médico ou de proteção individual;

iv) o envio de SMS, com referência de um valor a ser pago num determinado link, onde informam que, de acordo com a lei, estão a ser aplicadas medidas extraordinárias para o combate ao COVID-19 e “que todos os cidadãos nacionais serão vacinados, sendo garantido um reembolso dos custos pelo governo”;

v) a venda de medicamentos falsos, de ‘sprays’ de desinfeção ou tratamentos milagrosos;

vi) ou mesmo a criação de uma aplicação “CODIV-19 Tracker” que tem sido partilhada em mensagens de correio eletrónico e nas redes sociais e que afinal mais não é que um esquema ransomware para equipamentos Android em que após instalação no equipamento é exigido ao utilizador um montante para resgate (normalmente em Bitcoins).

Covid-19: Número de “tratamentos milagrosos” à venda na Internet “é chocante”

Estes ciberataques, já alertados pelo Centro Nacional de Cibersegurança e mais recentemente pela Comissão Europeia, estão agora associados ao tema COVID-19 e destacam-se pelos conteúdos sensíveis alusivos à pandemia, onde qualquer cidadão bem intencionado e solidário se sente na obrigação de contribuir mas que na verdade acaba por ficar preso num esquema para a captação de dados pessoais ou para a infeção dos seus dispositivos com malware, não devendo o cidadão utilizador instalar qualquer aplicação móvel que não seja de fonte fidedigna e disponibilizada pelas lojas oficiais dos fabricantes Google Play ou AppStore.

A estas fraudes do séc. XXI somam-se os riscos de aumento dos casos das ditas burlas “tradicionais”, nomeadamente as burlas cometidas contra os idosos e que podem assumir várias formas, como seja o contacto pessoal, o correio, o telemarketing, a venda de medicação, viagens, donativos para ações de caridade, empréstimos e hipotecas, investimentos, reparações em casa ou no carro, prémios e sorteios, jogos de confiança ou ainda a pretexto da saúde, seguros de vida ou funeral.

À semelhança da responsabilidade que nos é exigida nas medidas para prevenção e combate à propagação da pandemia, o cidadão deverá igualmente estar mais atento a todos estes riscos, assumindo um papel mais ativo na promoção da segurança do próprio e daqueles que se encontram numa situação mais vulnerável, a começar pelo acesso à informação oficial das instituições governamentais e dos Municípios, cuja ação em toda esta batalha tem sido extraordinária.

Juntos vamos vencer esta batalha, com seguranç@.

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Colunistas

Porque não praticar ‘mindfulness’ na profissão que exercemos?

Por Vânia Mesquita Machado

em

Artigo de Vânia Mesquita Machado

Humanista. Mãe de 3. De Braga. Pediatra no Trofa Saúde – Braga Centro.

Atenção plena:
Parar, escutar, e olhar.
Porque não praticar mindfulness na profissão que exercemos?

Transversalmente a todas as profissões está a necessidade de sermos produtivos, inquestionavelmente importante para a sustentabilidade económica, quer no sector privado como no público.

Deixando modelos utópicos de sociedades ideais de lado, é importante ser pragmático e compreender que nenhum país cresce economicamente se a principal força motriz, as pessoas que todos os dias vão cumprir as suas responsabilidades nos seus respetivos empregos não o fizerem de forma competente, que implica grande capacidade de gestão de tempo e cumprimento zeloso das funções que lhes são incumbidas.

Mas a pressão subjacente à rentabilidade profissional é uma moeda de duas faces.
Os horários laborais colidem quase sempre com os familiares, num mundo em que se vive em modo fast food, em que praticamente deixamos de ser humanos.
Criamos uma espécie de avatar virtual dos nossos seres, e é esse humano robotizado que se levanta mal o dia nasce e cumpre as suas numerosas rotinas até ao final do dia.
Uma forma vertiginosa de viver, com o inevitável perigo do esquecimento do essencial: o nosso lado humano.

A sociedade ocidental é atualmente vítima de uma pandémica crise de valores, que coloca em risco a essência básica da Humanidade: sermos humanos.
Esta doença altamente virulenta estendeu-se a todas as áreas da nossa vida, atingindo todas as idades sem distincaode sexo , raça ou nacionlidade, não poupando estados civis, não selecionando habilitações profissionais, ideologias, crenças.

Importa tentar tratar a doença, usando dos meios de que dispomos, e começando nos nichos onde diariamente respiramos, provando a nossa real existência terrestre como humanos.

É preciso é arregaçar as mangas, e começar.

Podemos iniciar esse processo onde passamos a maior parte do tempo:
no nosso local de trabalho.

Apesar de se ter tornado moda há alguns anos, separemos o trigo do joio, nem tudo o que esta voga é cliché.
A atenção plena , conhecida por mindfulness pode ser uma preciosa aliada em nos desencarcerar da armadura do avatar virtual, e voltarmos a sermos pessoas.

Parar. Escutar e olhar. Atentamente.
Como na passadeira, regra básica para evitar que sejamos atropelados numa distração.

Estamos agora cada vez mais distraídos de sermos humanos.

E em todas as profissões, importa que continuemos a ser humanos.
Todos gostamos de ser bem atendidos no balcão da pastelaria, na bomba de gasolina, na caixa do supermercado.

Quando é a saúde está em causa, a necessidade de nos sentirmos acolhidos aumenta exponencialmente.

Sou pediatra há quase 2 décadas, e tenho 3 filhos.
Sei perfeitamente a angústia sentida quando um filho tem uma dor ou uma doença.

Infelizmente, ouço relatos de quem não se sente humanamente acolhido.
Um dos motivos é o meio digital ter substituído o papel, que facilitava olhar o doente nos olhos,a escrita intercalada com esse contacto mais pessoal do que o teclar ininterrupto que exige mais atenção, o olhar quase hipnotizado pelo monitor, o tempo a passar e a deixar de haver tempo para escutar com o coração a pessoa doente.

A medicina tem um q.b. de exatidão, mas uma imensurável dose de psicologia, só possível com a atenção plena, a cada doente na sua vez.

Mesmo que, vezes sem conta.

E vezes sem conta entram os pais com os seus filhos, no consultório.
Vezes sem conta ouço-os falarem das febres, das dores, das faltas de apetite, vezes sem conta ausculto os seus meninos e lhes palpo a barriga, vezes sem conta lhes espreito os ouvidos e a garganta, o terrível pauzinho inimigo dos meninos e meu também, a bata branca a transformar-me num monstro temível pior que o bicho papão.

Vezes sem conta digito a história clínica no computador, vezes sem conta registo o exame físico, a doença diagnosticada,a medicação prescrita.

E depois de tantas vezes que lhes perdi a conta, porque os anos voaram desde o dia solene em que jurei dedicar-me à missão de tratar de pessoas doentes, e me especializei a tratar dos mais pequeninos, comecei a compreender que curar é muito mais do que o que os livro onde queimei pestanas anos a fio me ensinaram.

Que apesar de vezes sem conta, um doente não se conta, cada um é uma pessoa diferente.

Curar é uma arte, que implica doses infinitas de paciência, e uma empatia que transborde para sedimentar a confiança de quem vem ter comigo pedir ajuda num momento tão frágil como a doença.
No meu caso, médica de crianças, é importante também tentar tirar as dúvidas do difícil e longo curso de pais, que não existe oficialmente e que se vai aprendendo progressivamente, com cada filho que nasce.

Vezes sem conta, mas um de cada vez, igualmente importante.

E todos os dias desloco ligeiramente o monitor de posição de forma a poder olhar melhor nos olhos dos pais e dos filhos, sentados a seu lado numas cadeirinhas pequenas coloridas , úteis também para eu me sentar ao pé da mãe ou do pai quando leio na expressão dos meninos a palavra medo e o choro está quase a chegar, e é melhor serem observados no aconchego do colo.

No fundo é uma forma de mindfulness em Medicina, em que a dedicação tem necessariamente de ser total a cada ser humano que nos passar pelas mãos.

No meu caso, aprendi ainda a exercer a medicina do abraço, a medicina do sorriso, a medicina da maior delicadeza possivel para não assustar os meninos.

Não é fácil praticar medicina atualmente, as pessoas que muitas vezes nem conhecem bem o doutor entram de pé atrás, com receio de não serem recebidas como pessoas, com medo das doenças serem mais graves do que são, dos tratamentos não serem adequados.
O Dr google médico de bastidores a encher de dúvidas, a partilha com amigos das dores e das queixas a criar a incerteza, o pavor das epidemias de doeças galopantes a assombrar a já tremida relação médico-doente, antigamente tão sólida, sendo inquestionável o que o doutor dizia com palavras muitas vezes impercetiveis.

Hoje em dia todos palpitam sobre as doencas.
Hoje em dia tudo fica registado nos computadores, com a vantagem de mais facilmente se aceder a informaçao, mas com a inevitável desvantagem das pessoas se sentirem menos acolhidas na partilha das suas dores.

Somos médicos de humanos reais, não de humanos virtuais digitalizados virtualmente em processos informatizados.
Doutores de pessoas, não de monitores.

E esta forma de agir profissionalmente, tão importante quando o que está em questão são vidas humanas, pode ser aplicada em qualquer profissão.
Em todas se praticam inúmeros atos que envolvem pessoas , vezes sem conta.

Vezes sem conta.
Um de cada vez.
Parar, escutar e olhar…
Para deixarmos de ser distraídos na passadeira da vida, e nos atropelarmos uns aos outros pela pressa que gerou a pandemia da falta de valores.

Vânia Mesquita Machado
25 novembro 2019

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