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Braga

Em 29 de julho sobe-se à Falperra para o culto a Santa Marta

Romaria de Santa Marta das Cortiças

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Foto: Arquivo

Os primeiros registos de culto no monte de Santa Marta, em Braga, remontam aos anos de 900 e de 924, tradição que se mantém até aos dias de hoje, embora, em 2020 e 2021, com as condicionantes da pandemia.

No dia 29 de julho, milhares de pessoas de vários cantos do Minho (e de outras regiões do país) levam o ‘farnel’ e a boa disposição para visitar as capelas de Santa Maria Madalena na Falperra, Santa Marta de Leão, e da Santa Marta das Cortiças, esta última anfitriã de uma das mais concorridas romarias do distrito de Braga.

Este ano, após dois de condicionantes por causa da pandemia, volta a ser celebrada a missa campal se qualquer tipo de restrições, esperando-se, assim, a partir das 10:30, uma enchente naquele recinto. A eucaristia será presidida pelo arcebispo de Braga, José Cordeiro. A organização, como sempre, é levada a cabo pela paróquia e pela Junta de Esporões.

Foto: DR

Foto: DR

Foto: DR

Foto: DR

No alto do monte, em Esporões, podemos observar a capela de Santa Marta das Cortiças, aberta apenas aos domingos entre os meses de maio e setembro, e, claro, durante o dia da festa principal, a 29 de julho.

Segundo o blogue O Galaico, dedicado à etnografia minhota e galega, os ‘antigos’ afirmavam que era um dos dias mais importantes do ano: “Era dia SANTO! Ninguém trabalhava! Iamos todos pela estrada real (Romana) com Presunto, Pão e Vinho! Os cantadores e tocadores de toda a região por ali passavam (Vale do Ave) e, muitos, vinham de longe (Gerês, Lanhoso, Guimarães, Fafe, Famalicão) !!! Pobre e cansados! Cheios de Fome!! Nós, como éramos de perto e ainda nos pertence parte do terreiro, dávamos-lhes de comer a troco de uma moda das suas terras! Cantavamos, Dançavamos, Bebíamos e Comíamos!! Que lindo que era! Esperávamos todo o ano por isso!”

Foto: Ilustração Católica (1917)

Foto: Ilustração Católica (1917)

Um dos locais de veneração, a capela de Santa Maria Madalena, cujo territórios se devide entre Braga e de Guimarães, foi em tempos o grande símbolo da rivalidade entre os dois concelhos, quando o futebol ainda não tinha peso para ocupar tal papel.

Segundo o mesmo blogue de etnografia, a “polémica construção de um dos maiores exemplares da arte barroca, especificamente a capela de Santa Maria Madalena, há muitos anos causa disputa entre as populações” dos concelhos de Braga e de Guimarães.

Foto: DR

Foto: DR

“Uns dizem que a capela está virada para Braga e que pelas carmelitas bracarenses foi construída. Os outros dizem que está em terreno vimaranense e que a maior parte dos romeiros e fieis que mantém a tradição deste lugar são de Guimarães”, pode ler-se.

Certo é que a tradição de se cumprirem promessas deixadas por antepassados é uma constante nesta romaria, pelo que atrai diferentes gerações vindas de diferentes concelhos – e não exclusivamente dos dois que a disputam.

Junto à capela de Santa Marta das Cortiças, recorde-se, existe ainda o monumento de Nossa Senhora da Assunção, as ruínas de Basílica Paleo-Cristã e a “Domus” Romana.

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