Alunos da Secundária de Ponte de Lima querem revalidar título mundial no concurso ‘Land Rover 4×4 in Schools”’

Prova realiza-se entre 12 e 17 de abril em Inglaterra e é composta por oito desafios
Equipa Xtreme-K Escola Secundaria de Ponte de Lima

Seis alunos do Curso Profissional de Eletromecânica da Secundária de Ponte de Lima vão lutar pela revalidação do título mundial do concurso ‘Land Rover 4×4 in Schools technology challenge”

A prova vai realizar-se na sede da Land Rover, em Coventry, Inglaterra, entre os dias 12 e 17 de abril e estende-se por oito classificativas: Scrutineering 100 pontos; Verbal 120 pontos; Portfolio 140 pontos; Pit Display 65 pontos; Engineering 305 pontos; Track 100 pontos; Trailer Tow 40 pontos; Pull Challenge 20 pontos, num total de 890 pontos.

A equipa Xtreme-K constituída por quatro alunos do Curso Profissional Técnico de Manutenção Industrial variante Eletromecânica e dois do Curso Profissional de Instalações Elétricas da Escola Secundária de Ponte de Lima, vão lutar pela revalidação do título mundial, conseguido pelos seus colegas, equipa K-EVO, constituída por quatro alunos, também, do Curso Profissional Técnico de Manutenção Industrial variante Eletromecânica desta Escola, em dezembro de 2017 em Abu Dhabi.

O professor Carlos Urbano Rodrigues, diretor do curso, revelou a O MINHO que “no último Campeonato do Mundo 2017 eramos a única escola pública, entre as 25 equipas participantes, o que demonstra a complexidade e dificuldade deste concurso, que é um dos projetos pedagógicos mais conceituado em todo mundo, pela sua exigência na área da engenharia automóvel”.

Os alunos limianos andam todos no 12º ano, apesar do concurso admitir alunos com faixa etária compreendida entre os 14 e os 19 anos, tendo no Campeonato do Mundo de 2017 em Abu Dhabi se apresentado equipas de alunos do 1º ano da Universidade, caso da equipa dos Estados Unidos, “o que ainda valorizou mais a nossa vitória, assim como a qualidade do ensino que é ministrada nas nossas escolas”.

Este desafio tecnológico tem como objetivos principais motivar os alunos para as engenharias, fomentar o trabalho em equipa e ajudar os alunos a adquirir competências que os levem a enfrentar e a ultrapassar desafios relativos ao desenvolvimento tecnológico e às inovações que a indústria automóvel enfrenta, por isso a Land Rover/ Jaguar desafia alunos a recriar, ao nível da engenharia, da eletrónica e do desempenho, modelos de carros todo-o-terreno reais, e que na modalidade de carros RC (telecomandados) consigam desempenhar todas as exigências e funções a que os verdadeiros carros 4×4 da Jaguar/Land Rover estão sujeitos.

Equipa de Ponte de Lima venceu em 2018. Foto: DR

As equipas passam por as oito avaliações – Pit Display, Portefólio, Engenharia, Pista, Atrelado/Reboque, Apresentação Oral, Escrutínio Técnico e Prova de Força do Motor, parâmetros associados à criação e ao desenvolvimento do projeto envolvente, através dos quais são atribuídos os diversos prémios. O título de Campeão é obtido conquistando a maior pontuação na totalidade das oito avaliações a que as equipas são submetidas.

Prémio

Os alunos da equipa campeã têm como prémio o acesso ao curso superior em mecânica automóvel ministrado pela própria marca. “Eles têm uma academia de formação com 300 vagas e todos os anos há cinco mil candidatos”.

Um curso que custa mais de 30 mil libras (cerca de 35 mil euros, ao câmbio de hoje) por ano, “logo não é para todas as bolsas”. Segundo explicou, ainda a O MINHO, Carlos Urbano Rodrigues, os quatro estudantes campeões do ano passado foram convidados a passar uma semana na Academia britânica.

“Foi-lhes explicado como tudo se processava, conheceram o ambiente em que estarão envolvidos, as disciplinas que vão ter” mas “só um é que ficou inclinado a aceitar. Mesmo tendo tudo pago, com direito a uma bolsa para outras despesas, há ainda algum receio que alguma coisa falhe e muitos deles não têm muitas condições económicas”.

Projeto educativo

Todas as provas a que os alunos são submetidos, só se podem exprimir em Inglês, o que nos obriga a uma articulação curricular com as várias disciplinas das componentes sócio cultural, científica e técnica, “tendo a disciplina de Inglês e a sua professora Sónia Martins um papel muito relevante na preparação destes alunos, de modo a poderem concorrer ao mais alto nível, com alunos em que muitos, ou têm como língua materna o inglês ou são oriundos de colégios ingleses espalhados por todo mundo”.

Carlos Urbano Rodrigues, ao centro, em cima (de cinzento). Foto: DR
Disciplinas como Desenho Técnico, Tecnologias e Processos, Práticas Oficinais e Organização Industrial, têm os seus professores envolvidos, João Carlos Baptista, Rui Quintela e Marta Fiúza, orientando os alunos na conceção dos projetos, carroçaria, chassis, suspensão, jantes, pneus, desde o esboço à produção em impressão 3D.

“O resultado tem sido muito positivo. Os alunos acabam por se empenhar bastante e andam motivados ao longo do curso”.

Concurso

O ‘Land Rover 4×4 in Schools technology challenge’ é um projecto pedagógico lançado há 30 anos, no Reino Unido, pela marca de automóveis onde só podiam participar os países pertencentes à união britânica.

Em 2015, os promotores quiseram internacionalizar o concurso e criaram o Campeonato do Mundo Land Rover 4×4 in Schools technology challenge. Atualmente participam 25 países e alguns apresentam mais do que uma equipa.

“No fundo, funciona como um ‘caça-talentos’ nas áreas tecnológicas”.

Logo no primeiro ano, 2015, “e porque entendemos interessante o projeto, começamos a fazer um estudo aprofundado de como as coisas eram feitas no reino Unido e fomos adaptando à nossa realidade toda a articulação curricular necessária”, explica ainda, o coordenador do curso.

“Participamos pela primeira vez no Campeonato do Mundo em 2015 onde obtivemos um oitavo lugar entre 17 países, em 2016 obtivemos o terceiro lugar entre 22 equipas, tendo o primeiro e segundo lugar sido ocupado por duas equipas australianas, que se apresentam sempre a concurso com elevados orçamentos que os ministérios do seu país lhes proporcionam e finalmente no Campeonato do Mundo em 2017 obtivemos o primeiro lugar entre 25 equipas, que muito nos honra”.

Este caminho, que a escola tem feito desde 2015, resultou no título mundial, no ano passado. E para se perceber o feito dos alunos limianos, referia-se que “a equipa australiana tem 200 mil euros do Ministério da Educação para participar no concurso”.

 
Total
0
Partilhas
Artigo Anterior

Campeão em título Portugal na fase final do Europeu de sub-19

Próximo Artigo

Viana é "um dos destinos mais bonitos à beira-mar" para o jornal The Telegraph

Artigos Relacionados
x