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Braga

Aluno do 1.º ano agredido duas vezes numa semana em escola de Braga

Convocada uma ‘task force’ disciplinar por parte do agrupamento

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Centro Escolar de Ponte Pedrinha. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Uma criança de seis anos tem sido alvo de ‘bullying’ no Centro Escolar de Ponte Pedrinha, em Braga, com os pais a acusarem o agrupamento de “nada ter feito” para evitar a segunda agressão. A diretora do Agrupamento de Escolas André Soares, responsável por aquele pólo, adiantou a O MINHO que existe uma ‘task force’ para resolver esses problemas e que a mesma irá reunir extraordinariamente por causa dessa situação.

Paulo Fernandes e Melanie Fernandes contactaram o nosso jornal depois de o filho, que frequenta o primeiro ano do centro escolar, ter sido agredido pela segunda vez no espaço de uma semana. Primeiro terá levado um “murro no olho” e, cerca de uma semana depois, “levou um pontapé no nariz”.

“O nosso filho começou agora a frequentar o primeiro ano, entrou a 16 de setembro, e na semana passada levou um murro no olho de outro menino. Nós falámos com a coordenadora do centro e ela disse que ia resolver a situação”, expôs Melanie.

Contudo, o caso não terá sido resolvido e o menino voltou a ser agredido pelo mesmo colega no início desta semana, desta vez, dizem os pais, “com um pontapé no nariz que deixou marcas”.

Recreio onde a criança terá sido agredida. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Task force

O MINHO contactou o centro escolar que remeteu qualquer declaração para o agrupamento André Soares. Maria Graça Moura, diretora do agrupamento, confirma que teve conhecimento de uma situação do género, mas que “infelizmente”, isso acontece com frequência, “mais agora com o chamado pós-pandemia, onde os miúdos deixaram de estar fechados em casa”.

“Temos centenas, até milhares de meninos, e eles agora andam no recreio, atiram-se, fazem de tudo por estarem em liberdade, mas vamos tentando resolver todas as situações. Temos até uma equipa disciplinar, chamado por nós de ‘gabinete de reflexão’, que funciona mais no sentido de deixar as crianças a refletir e não tanto pelo castigo”, explica.

Esse gabinete tem uma professora e uma psicóloga e reúne com outros elementos, como professores e encarregados de educação, para tentar resolver problemas disciplinares, as chamadas “rixas escolares”, como dá conta Maria Graça Moura.

Centro Escolar de Ponte Pedrinha. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

“Sabe como é, nesse centro escolar temos perto de 200 crianças todas a brincar no recreio. Nem sempre é fácil, existem fragilidades sociais, e toda a gente está numa altura complicada depois de ter ficado fechada em casa”, adianta.

A diretora afirma ainda que “muitas vezes, estes conflitos escolares são tratados devagarinho”, embora compreenda que os pais “ficam ansiosos”. “Mas nós temos de ter tempo para resolver, e isso tem de ser devagar, tem de se apurar, falar com os pais, porque só eles podem autorizar a consulta com o psicólogo”, aduz.

Sobre a ‘task force’, explica que a análise é feita “de vários ângulos”. “Se um menino é agressivo, termos de perceber o motivo, porque agora não é como antigamente, onde se davam quatro reguadas e o assunto ficava resolvido”, considera.

A equipa disciplinar já resolveu outras questões do género, e tem apresentado “bons resultados”, ainda segundo a diretora. “Agora com a pandemia estamos a perceber que não se fez muita coisa que deveria ter sido feita, e o gabinete tem sido importante”, finalizou.

Centro Escolar de Ponte Pedrinha. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

“Estão à espera do quê?”

Mas Melanie Fernandes não ficou satisfeita com a resposta, após novo contacto de O MINHO, realizado esta sexta-feira.

“Eu avisei quando o meu filho foi agredido e disseram que iam resolver, mas ele foi agredido outra vez. Estão à espera do quê, afinal?”, questionou a encarregada de educação.

“É que hoje ele já nem quis comer na escola com medo de ser novamente agredido”, concluiu.

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