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Viana do Castelo

Aliança quer “romper” com Águas do Alto Minho e criar novo modelo de parceria

Eleições autárquicas

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Foto: DR / Arquivo

O candidato da Aliança à presidência da Câmara de Viana do Castelo disse hoje existirem “todas as condições” para “romper” com a Águas do Alto Minho e criar novo modelo de parceria que garanta “identidade” dos municípios.

“Há todas as condições para que se possa romper com este bloco a que todos fomos forçados a aderir, convertendo-o numa outra modalidade que é o tal agrupamento de municípios sem que nenhum perca a sua identidade”, afirmou hoje Rui Martins.

O cabeça-de-lista da Aliança à liderança da capital do Alto Minho disse não acreditar que o concelho “esteja num beco sem saída”, referindo-se à adesão à empresa Águas do Alto Minho (AdAM) de gestão das redes de abastecimento de água em baixa e de saneamento básico ao município.

“Estamos numa viela um pouco tortuosa. É preciso refletir e ponderar muito cuidadosamente, juridicamente face aos contratos que foram assumidos sobre os aspetos jurídicos e sobre a forma como sair deste problema. Podemos ser parceiros dos outros municípios, da Águas de Portugal, mas não queremos perder a nossa soberania. Decidir aquilo que queremos”, sustentou.

A atividade operacional da AdAM teve início em 01 de janeiro de 2020. A empresa é detida em 51% pela Águas de Portugal e em 49% pelos municípios de Arcos de Valdevez (liderança PSD), Caminha (PS), Paredes de Coura (PS), Ponte de Lima (CDS-PP), Valença (PSD), Viana do Castelo (PS) e Vila Nova de Cerveira (Movimento independente PenCe – Pensar Cerveira), que compõem a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho.

Ponte da Barca (PSD), Monção (PSD) e Melgaço (PS) reprovaram a constituição daquela parceria.

“É preciso trabalhar na qualidade da distribuição da água em alta e em baixa. Ninguém discute essa situação. O que não entendemos é que se perca a identidade e a capacidade de decisão sobre um elemento, água, que é escasso e fundamental, que não pode ser negócio, é um serviço público”, reforçou Rui Martins.

O candidato da Aliança sublinhou “não estar em causa a existência de parcerias para ganhar dimensão e enfrentar os desafios do mercado”, mas frisou que, “sendo a Câmara de Viana do Castelo detentora de um extraordinário património, os serviços municipalizados, estes pudessem ser parceiros” nesse novo modelo.

“Não vamos embarcar, de forma alguma, num processo que venha a gerar uma venda, um negócio da água. Nós queremos liderar o problema. Viana do Castelo deve liderar o Alto Minho, mas tem de demonstrar a sua capacidade e mérito”, frisou.

Rui Martins disse que esta questão é “ponto de honra” da sua candidatura por ser um problema de “sobrevivência da humanidade”.

“Recursos naturais, seja a água, o lítio, sejam os caulinos, seja o mar, queremos ter uma voz na sua gestão e defesa” destacou, lembrando também que “grande parte do território não está servido por infraestruturas básicas de gás natural e eletricidade, situação que resulta em custos tremendos e da qual câmara não se pode desligar”, assinalou.

Além de Rui Martins (Aliança), concorrem nas eleições de domingo à presidência da Câmara de Viana do Castelo Luís Nobre (PS), Eduardo Teixeira (PSD/CDS-PP), Cláudia Marinho (CDU), Jorge Teixeira (Bloco de Esquerda), Rui Martins (Aliança), Paula Veiga (Nós, Cidadãos!), Maurício Antunes da Silva (Iniciativa Liberal) e Cristina Miranda (Chega).

Nas autárquicas de 2017, o PS conquistou 53,68% dos votos e garantiu seis mandatos. O PSD atingiu os 21,25% (dois mandatos) e a CDU (PCP/PEV) alcançou 8,11% (um eleito).

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