Um jovem de 23 anos está a ser julgado por suspeitas de ser o principal executante de um rapto de um condutor que seguia na estrada entre Braga e Guimarães. O arguido alega que foi a própria companheira da vítima que encomendou o ‘serviço’, prometendo-lhe 1.200 euros para distribuir por mais seis ‘comparsas’ que terão participado no ato.
O arguido confessou, no Tribunal de Braga, aos juízes, que convenceu outros comparsas a ajudá-lo nessa tarefa, não só pelo pagamento mas porque receava ser acusado de violação, uma vez que alega ter mantido relações sexuais com a mulher da vítima, a quem acusa de ser a principal responsável pelo rapto.
Segundo o arguido, esta terá coagido o jovem a sequestrar o próprio companheiro dela, para que lhe desse uma “lição”, o sovasse e abandonasse na Serra do Gerês. Na hora do crime, a vítima escapou à morte, saltando do carro dos raptores para a via quando seguiam em alta velocidade. O arguido passou, então, a ameaçar a mulher da vítima, à porta da residência do casal, que continua a viver junto. Acabou detido e encontra-se em prisão preventiva.
A atribulada situação foi investigada pela Secção Regional de Combate ao Terrorismo e Banditismo, da Polícia Judiciária do Norte, sediada no Porto, que depois de fortes resistências, de um magistrado do DIAP/MP de Guimarães, conseguiu mandado de detenção, para a alegada mandante do rapto, de 42 anos, por encomendar uma “lição” contra o seu próprio companheiro, por suspeitar que este “andava com putinhas”.
O principal arguido entre os executantes do rapto e um dos três presos preventivos deste caso, fez uma confissão integral e sem reservas, dizendo ter sido “coagido” pela mulher da vítima a cometer esses crimes, que consistiam em abandonar a vítima nua, na Serra do Gerês, depois de levar uma sova, na madrugada de 08 de outubro de 2020, só que com a fuga do raptado, já com o carro em andamento, esta segunda parte da sua “encomenda” ficou por cumprir, sendo depois hospitalizado no Hospital de Braga.
Interrogado pelo Tribunal Coletivo, o arguido explicou ter raptado este último, “pois tinha mantido relações sexuais com” a mulher da vítima “e ela disse-me que se não desse uma ‘lição’ ao companheiro queixava-se de mim por violação”.
Ainda segundo a versão do arguido, “a preocupação dela era não darmos cabo do carro do marido, mas deu-nos o código do cartão de multibanco dele, para levantarmos todo o dinheiro que tivesse na conta, o que fizemos, por pensarmos que ele já tinha morrido, ao atirar-se do carro, mas afinal viemos logo a saber que devia ter escapado, pois quando íamos fazer o terceiro levantamento, a conta já estava bloqueada”.
Depois de lograda a sova e o abandono da vítima na Serra do Gerês, o grupo levou o seu automóvel para a Praia Fluvial de Cabanelas, em Vila Verde, de onde retirou as peças mais valiosas, após o que incendiou o carro, “a fim de apagar quaisquer vestígios que nos pudessem vir a comprometer”, salientou o arguido.