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Viana do Castelo

Águas do Alto Minho “é um ‘negócio da China’ disfarçado de boas intenções”

Entrevista com Cristina Miranda, candidata do Chega à Câmara de Viana do Castelo

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Cristina Miranda, candidata do Chega à Câmara de Viana do Castelo. Foto: Joca Fotógragos / O MINHO

Aos 56 anos, Cristina Miranda é a primeira na lista da candidatura autárquica do partido Chega, à Câmara de Viana do Castelo. Sem passado político, formou-se no Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto, enquanto conciliava estudo com trabalho. Foi professora do ensino secundário nos concelhos de Ponte de Lima  e Ponte da Barca. Gestora de uma indústria no ramo da construção civil, em Vila Nova de Cerveira, durante 12 anos. Empreendeu na área da Segurança Privada e, hoje, Cristina Miranda é trabalhadora independente na área do apoio domiciliário a idosos e professora de Atividades Extra Curriculares. Iniciou-se profissionalmente aos 17 anos, como operadora de empilhadoras, numa fábrica.

Quais são as suas prioridades para o município de Viana do Castelo?

As nossas prioridades são em 1º lugar a implementação da ISO37001 – também conhecida como norma anticorrupção – no município. Aliado ainda a este objetivo, criar mecanismos imediatos para travar a despesa do erário público – demolição do prédio Coutinho e Praça de Touros – que passará por uma auditoria a esses e outros processos, obrigando o município a operar com transparência e rigor na gestão camarária. Em seguida, liberalizar toda a economia local, seja em que segmento for, desburocratizando, agilizando, simplificando e reduzindo carga fiscal. Sem uma liberalização imediata da economia, não há produção de riqueza e sem ela não há prosperidade.

Como caracteriza a concessão das águas do Alto Minho?

É um negócio da “china” disfarçado de boas intenções. Nada ali foi feito com rigor e transparência, nem tão pouco foi salvaguardado o interesse dos munícipes. Nunca deveriam ter assinado um contrato com cláusulas que permitem, entre outras coisas, que sejam os consumidores a suportar os prejuízos por falta de receita. Isto não é uma parceria. É um embuste.

“Você na realidade está a perguntar-me como se ressuscita um morto ou reanima um moribundo”

Manuel Moreira e Cristina Miranda, cabeças de listas por Viana do Castelo. Foto: DR

A economia do Alto Minho foi extremamente afetada pela pandemia da covid-19. Tanto pelo encerramento de fronteiras com a Galiza, como pelos sucessivos confinamentos. Como planeia aplicar o PRR e que incentivos propõe para a recuperação económica do concelho de Viana do Castelo?

Você na realidade está a perguntar-me como se “ressuscita um morto” ou “reanima um moribundo”. E isso, digo-lhe já que é complicado. Porque quem viu morrer os seus negócios ou tem já os negócios em risco severo, de pouco adiantará o PRR. E para os que sobreviveram a este ano e meio de medidas severas por via da covid-19, poderão nem sequer vir a ser contemplados. Eu explico: quando se tem a responsabilidade de gerir uma autarquia, tem de haver um fundo destinado a estas e outras situações de crise. A Autarquia tem de ter meios para ser ela a primeira a acudir às pessoas, no imediato, e nunca estar à espera de uma verba de Lisboa que é tardia, pode não ser suficiente ou nem sequer chegar. Assim, nós defendemos que tem de existir um Gabinete de Crise com fundos próprios para intervir em situações de catástrofes ou outras, emergentes, tal como um despejo de uma família, por exemplo. Vamos criar esse gabinete e utilizá-lo agora no pós crise covid-19 com técnicos a identificar todas as necessidades, sejam das famílias, agentes económicos e sociais, seja em que segmento for, e fazer chegar as ajudas a todos que dela precisem.

A exploração de Lítio na Serra D´Arga preocupa a população do distrito. Como avalia a mobilização da indústria extrativa para a região?

A indústria extrativa nas nossas serras do Alto Minho não faz qualquer sentido. De acordo com os estudos existentes temos uma percentagem de 0,05%, antes de refinado. A questão é: quantas toneladas de material é preciso explodir, escavar e refinar para obter 1 tonelada de lítio e quanta área de natureza e biodiversidade é preciso condenar à exploração desse minério? Só a ganância de ver milhões a serem distribuídos à conta de uma exploração tão destruidora, explica este absurdo.

Os estaleiros navais de Viana do Castelo representam uma privatização de sucesso?

Sem dúvida alguma. O atual executivo, que até lhe fez um funeral, foi obrigado a reconhecer o seu sucesso.

“É preciso impedir a venda do património histórico a privados”

Cristina Miranda com André Ventura, líder nacional do Chega. Foto: Joca Fotógragos / O MINHO

O Convento de São Francisco do Monte está abandonado. Evitando mais situações semelhantes, que medidas propõe para a preservação e conservação do património de Viana do Castelo?

O Estado tem o dever de cuidar do que é seu. Com uma gestão responsável e rigorosa, não é difícil e há apoios comunitários para esse fim. É necessário catalogar, recuperar, cuidar e sobretudo, impedir a venda do património histórico a privados para não se repetir o que está a acontecer com o convento de São Francisco do Monte.

Como avalia a governação do atual executivo ao longo dos últimos quatro anos?

Na verdade este executivo está há três mandatos e não há um. A avaliação que eu faço é de uma gestão ruinosa, despesista, com falta de rigor e transparência e que fez descer todos os indicadores do concelho e aumentar não só a carga fiscal como também o número de funcionários em 6% tendo-se tornado no maior empregador do concelho.

Porque devem os vianenses votar na Cristina Miranda?

Ao contrário dos restantes candidatos, geri e empreendi no privado, não sou uma política de gabinete que faz medidas sem conhecer o país real que temos. Gente que nunca soube o que é e quanto custa pagar salários a trabalhadores, que nunca empreendeu nem geriu no privado por isso não faz a mínima ideia das reais dificuldades existentes nem como supri-las.

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