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Braga

AEMinho pede a António Costa que baixe carga fiscal para empresas aumentarem salário médio

Associação liderada por Ricardo Costa “perplexa” com apelo do primeiro-ministro

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Ricardo Costa, presidente da AEMinho. Foto: DR

A Associação Empresarial do Minho (AEMinho) encara com “perplexidade” as declarações do primeiro-ministro, António Costa, apelando às empresas para um aumento de 20% dos salários médios, “sem propor nenhuma medida efetiva de estímulo à economia”. Defende, por isso, que essa meta seja alcança com a redução da “carga fiscal sobre o trabalho na exata proporção do aumento percentual do salário médio”.

Em comunicado enviado a O MINHO, a associação liderada pelo empresário Ricardo Costa começa por criticar as declarações de António Costa, considerando que, “num estado de direito espera-se que os governantes sejam responsáveis, equilibrados e não meros propagandistas que lançam propostas inexequíveis por mero ganho político e não pensando naquilo que, de facto, é o interesse do país”.

“Hoje assistimos a uma inflação galopante de todas as matérias-primas, aliadas à sua escassez, bem como ao aumento desgovernado dos custos energéticos, afetando de forma tsunâmica os processos e custos de produção”, refere o comunicado, onde a AEMinho também expressa “preocupação” com “a dificuldade de contratação de recursos humanos e as inerentes dificuldades das empresas em serem competitivas na contratação, quer no cenário europeu, quer no internacional, desde logo pela enormíssima carga fiscal que pesa sobre os rendimentos dos portugueses, criando um fosso de grandes dimensões entre aquilo que são os custos do trabalho para as empresas e aquilo que são os valores realmente recebidos pelos trabalhadores”.

Considerando que “as empresas portuguesas têm sido exemplares em todos os momentos da vida económica do país”, o comunicado afirma que “os empresários e os trabalhadores das empresas pagaram o preço da desgovernação, dos devaneios políticos, das manobras ilícitas que lesaram o país em montantes exorbitantes, fazendo-o sempre com ânimo e uma resiliência inquestionável. Por esse percurso, ambos, empresas e trabalhadores, conquistaram o direito a serem ouvidos e tidos em conta, para que os erros do passado não nos voltem a assombrar no futuro”.

“A AEMinho pauta a sua atuação por tentar ser o ponto de encontro e concilio, a voz que aponta soluções e não se limita a apontar os erros. É nesse contexto e com a consciência de que melhores salários se traduzirão em mais competitividade na hora de contratar, que isso terá um efeito positivo no progresso do nosso tecido empresarial, alerta que não é realista pedir às empresas que suportem esta dimensão de aumento por si só”, pode ler-se no documento.

A AEMinho propõe “um pacto entre o governo e as empresas”. “Se, por um lado, as empresas devem esforçar-se para poderem pagar salários mais elevados, por outro, o Estado tem de gerir muito melhor os nossos recursos e daí conseguir ser mais barato aos contribuintes. Neste enquadramento propomos que o caminho seja feito em conjunto, sendo compromisso das empresas realizar todos os esforços para atingir a meta proposta pelo primeiro-ministro e o Estado se comprometer a reduzir a carga fiscal sobre o trabalho na exata proporção do aumento percentual do salário médio, partilhando assim o esforço, tornando a meta mais alcançável”, salienta.

“Consideramos que aqui estamos também a criar as condições para que o Estado se auto imponha uma maior eficiência na gestão de recursos, na tomada de decisões e que isso se reflita no decréscimo da receita no que ao trabalho diz respeito. Realçamos o facto de estarmos a sugerir a diminuição de impostos sobre o trabalho e não sobre o rendimento das empresas, na medida em que entendemos que, na escala de prioridades, importa primeiro reduzir a carga fiscal sobre os trabalhadores”, conclui o comunicado.

Como O MINHO noticiou, o primeiro-ministro apelou, no sábado, às empresas para que contribuam para um esforço coletivo de aumento dos salários dos portugueses, para que haja “maior justiça” e os salários médios em Portugal possam aumentar 20%.

Segundo António Costa, que falava perante uma plateia de jovens, no Algarve, as empresas têm de ter consciência que deve haver “maior justiça nas políticas remuneratórias que praticam”, sublinhando que, na União Europeia, o peso dos salários no conjunto da riqueza nacional é de 48% e em Portugal é de 45%.

“Isso significa o quê? Que nós temos que nos próximos quatro anos conseguir fazer todos em conjunto, a sociedade, o Estado, as empresas, o esforço para que o peso do nosso salário, dos salários dos portugueses, no conjunto do Produto Interno Bruto, seja pelo menos idêntico àquele que existe na média europeia, ou seja, subir dos 45 para os 48%, o que implica um aumento de 20% no salário médio do nosso país”, sublinhou.

António Costa falava durante a sessão de abertura do 18.º Encontro Nacional de Associações Juvenis (ENAJ) – Fórum Nacional “Ativar Mais”, que este fim de semana decorre no complexo desportivo de Vila Real Santo António, no distrito de Faro.

“Nós temos que ter um acordo de médio prazo, no horizonte desta legislatura, sobre a perspetiva da evolução dos rendimentos. O Estado não se quer por fora desta equação, sabemos que podemos e devemos dar um contributo para que esta melhoria dos rendimentos seja efetiva”, declarou.

Segundo o primeiro-ministro, “o Estado pode e deve ajudar, com políticas públicas”, no sentido de “aumentar o rendimento disponível das famílias, e em particular dos jovens, enquanto as empresas fazem este esforço do aumento significativo dos salários quer pagam”.

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