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Administradores hospitalares dizem que tempo perdido é irrecuperável

Covid-19

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Foto: DR/Arquivo

O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH) considerou hoje que a atividade assistencial perdida nos últimos meses é irrecuperável e apelou à criação de um “plano arrojado” para relançar o Serviço Nacional de Saúde (SNS).


“É necessário um plano arrojado (…) para conseguir, não recuperar o tempo perdido, porque esse não é recuperável, mas para reativar o Serviço Nacional de Saúde e para ter programas de acesso dedicados, principalmente a alguns doentes crónicos que veem o seu estado de saúde piorar e começamos a ter alguns indicadores preocupantes nesta matéria”, disse Alexandre Lourenço à agência Lusa.

Dados avançados esta semana pela ministra da Saúde, Marta Temido, referem que não foram realizadas, entre 16 de março e o final de abril, face ao mesmo período de 2019, cerca de 540 mil consultas hospitalares, 51 mil cirurgias, 840 mil consultas de Medicina Geral e Familiar e 990 mil consultas de enfermagem.

“Não estamos a falar de 50 mil cirurgias, estamos a falar de 50 mil doentes que não fizeram estas cirurgias, pelo menos, e muitos que não tiveram diagnóstico”, comentou Alexandre Lourenço.

Segundo o responsável, os hospitais deixaram de ter referenciações dos centros de saúde para realizar consultas que “originariam propostas cirúrgicas, propostas terapêuticas e realizações de meios complementares de diagnóstico”.

“Agora temos que ter uma resposta forte do Serviço Nacional de Saúde e para isso é preciso ter um plano integrado que considera a resposta dos cuidados de saúde primários, dos cuidados hospitalares, dos cuidados extra-hospitalares, nomeadamente da Rede Nacional de Cuidados Continuados”, defendeu.

Também é necessário um reforço de meios: “O Serviço Nacional de Saúde acaba por estar pior neste momento do que esteve na fase pré-covid, uma vez que os profissionais também sofreram algum esgotamento”.

Mas também há “janelas de oportunidade muito importantes” que podem ser desenvolvidas como a telesaúde e a criação de condições para atrair profissionais de saúde que estão afastados do SNS.

É importante encontrar “soluções de planeamento” para o SNS até para se poder preparar para “um problema” que se vai viver no início do outono, em que será necessária uma resposta à covid-19 e à gripe sazonal.

Por isso, “é que pedimos este planeamento e este esforço de liderança do Ministério da Saúde em todo este processo”, porque “não nos parece viável” que “os hospitais, com os meios que têm, sejam capazes de resolver ‘per si’ o problema que está criado e que urge o desenvolvimento desta resposta”, que tem de ser “em rede”.

“Eu só tenho a expectativa que daqui a um mês não se venha dizer que demos instruções aos hospitais, mas eles não cumpriram, isso é de todo injusto e o que nós exigimos e é a nossa esperança é que exista um plano de reativação e de reforço do meios do Serviço Nacional de Saúde para realmente fazer face a um problema que temos atualmente em mãos”.

Os hospitais demonstraram que são “capazes de resolver o problema da covid-19” e agora vão ter de demonstrar que são “capazes de resolver o problema de um sistema que esteve paralisado durante cerca de mês e meio”.

A APAH tem alertado para a necessidade de desenvolver um “sistema dual” e para o estabelecimento da rede covid-19, concentrando a resposta em alguns hospitais, como acontecia no início da pandemia, e ter a flexibilidade de reativar essa resposta se houver uma segunda vaga.

“Continuamos com hospitais que têm dois, três doentes internados com covid-19 que limitam em muito a capacidade de o hospital desenvolver as outras respostas quer em enfermarias comuns quer em enfermarias de cuidados intensivos”, frisou.

Portugal contabiliza 1.289 mortos associados à covid-19 em 30.200 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúdem, que indica que há 7.590 pessoas recuperadas.

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2.122 internados com covid-19 nos hospitais portugueses. É um novo máximo

Covid-19

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Os internamentos por covid-19 nos hospitais portugueses ultrapassaram nas últimas 24 horas os 2.000, estando agora internados um total de 2.122 doentes, indica hoje o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS).

De acordo com o boletim, o número de pessoas hospitalizadas continua a subir há cerca de duas semanas, sendo agora 2.122 pessoas, mais 150 do que no sábado.

Por sua vez, os doentes internados nas Unidades de Cuidados Intensivos diminuíram ligeiramente nas últimas 24 horas, estando 284 pessoas internadas nestas unidades, menos duas do que sábado.

Portugal contabiliza hoje mais 37 mortos relacionados com a covid-19 e 3.062 novos casos confirmados de infeção.

De acordo com o boletim hoje divulgado, Portugal regista 144.341 casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus e 2.544 óbitos.

Das 37 mortes registadas, 20 ocorreram na região Norte, 12 em Lisboa e Vale do Tejo, três no Centro e duas no Alentejo.

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Governo prolonga interdição aos cruzeiros até 14 de novembro

Covid-19

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O desembarque de passageiros nos portos nacionais e as licenças para terra de passageiros e tripulações de navios de cruzeiro vão continuar proibidos até às 23:59 de 14 de novembro, segundo um despacho do Governo publicado no sábado.

Esta interdição, que se deve à pandemia de covid-19, está em vigor desde 14 de maio e tem sido sucessivamente prorrogada pelo Governo.

“A interdição acima referida, bem como as posteriores prorrogações”, justificam-se “como medidas de contenção das possíveis linhas de contágio, de modo a controlar a disseminação do vírus SARS-CoV-2 e da doença Covid-19, sendo que a situação epidemiológica, quer em Portugal, quer noutros países, permanece por controlar”, lê-se no despacho.

Os ministros da Defesa, da Administração Interna, da Saúde e das Infraestruturas assinam o despacho, datado de 30 de outubro, e publicado no sábado à noite no Diário da República.

“A experiência internacional demonstra o elevado risco decorrente do desembarque de passageiros e tripulações dos navios de cruzeiro”, lê-se ainda no despacho.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e mais de 45,6 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 2.507 pessoas dos 141.279 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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Estratégia do Governo “deveria ter sido aprovada no verão”, diz Ordem dos Médicos

Covid-19

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A estratégia anunciada sábado pelo Governo para o combate à pandemia de covid-19 “é importante”, mas já devia ter sido aprovada no verão, afirmou hoje à agência Lusa o bastonário da Ordem dos Médicos (OM).

Miguel Guimarães sublinhou que o executivo de António Costa já há muito que deveria ter preparado as camas para as unidades de cuidados intensivos (UCI), as contratações de médicos e enfermeiros, reformados ou não, e as próprias estruturas de apoio separado a doentes infetados com o novo coronavírus e aos não Covid-19.

Segundo o último boletim da Direção Geral da Saúde (DGS), divulgado sábado, Portugal contabiliza pelo menos 2.544 mortos associados à covid-19 em 144.341 casos confirmados de infeção.

Miguel Guimarães indicou, por outro lado, ser “absolutamente essencial” reforçar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) no Orçamento de Estado (OE) para este ano e para o próximo, salientando que a verba adicional de 200 milhões de euros, já anunciada pelo executivo, é “pouco”.

“As medidas específicas estão lá, é evidente, mas a verdade é que, aquilo que é o orçamento em si, apesar de ser maior do que o de 2020, os 200 milhões de euros anunciados para o SNS é pouco e seria necessário mais numa altura crítica como esta, em que os desafios que temos são urgentes. Não para o ano, mas para já”, sustentou.

“É muito importante começar a reforçar a saúde pública. Se se começar a ter menos infetados haverá menos doentes internados nos hospitais e nas UCI. Estamos com muitos doentes e vamos ter muitos mais na próxima semana em internamentos e nas UCI e a capacidade que existe não serve. Os doentes ‘não covid’ começam a ficar para trás”, alertou.

Segundo Miguel Guimarães, Portugal ainda não conseguiu recuperar os doentes “não covid” da primeira vaga da epidemia, algo que não se consegue de um momento para o outro nem em um dois ou três meses.

“As camas para doentes ‘não covid’ já estão a ser novamente ocupadas por doentes ‘covid’ e os doentes ‘não covid’ começam outra vez a ficar para trás. Se a situação se agravar, se se tornar mais grave do que na primeira vaga, vamos ter um problema muito sério com os doentes ‘não covid’, com um aumento muito sério de morbilidade. É um efeito colateral da pandemia que se poderia ter evitado se utilizássemos todo o sistema de saúde”, declarou.

O bastonário da OM lembrou que, atualmente, o SNS dispõe de 19.000 camas de internamento e mais cerca de 13.000 no setor social e privado, pelo que existe uma capacidade fora do sistema de saúde público que, neste momento, podia ser alocada ao SNS, tal como no capital humano.

Por outro lado, acrescentou, o SNS conta com cerca de 29.000 médicos, mais os 10.000 em formação, enquanto no setor social e privado há outros 15.000.

“Existe uma reserva do país que pode e deve ser utilizada e rapidamente posta em prática de forma coordenada”, defendeu, salientando que as 202 camas de reforço anunciadas pelo executivo para as UCI “vão ser perdidas nalgum outro sítio, ou nos internamentos, ou nos blocos operatórios, onde for”.

“A não ser que façam novas alas, novas estruturas físicas, 202 camas para as UCI significa que ou se faz tudo de novo, que é impossível no tempo revisto pelo Governo, ou se juntam nos hospitais os dois tipos de doentes. É uma área importante porque estamos numa situação que é crítica”, acrescentou.

Para Miguel Guimarães, contratar médicos e enfermeiros reformados, por outro lado, é “importante”, mas desde que sejam encaminhados para os serviços de saúde pública para evitar o contacto direto com os doentes, podendo, aí sim, dar uma ajuda significativa. “E nem é preciso contratar muitos”.

“Temos falta de recursos para esta pandemia, não para uma situação normal. O que a ministra [da Saúde, Marta Temido] queria que fosse feito, todos os contactos em 24 horas, é impossível sem meios e pessoal adequados. O anúncio da contratação de reformados é importante, mas é para já, na próxima segunda-feira, não daqui a uma ou duas semanas. Podemos cegar aos cinco mil casos diários, ou até mais, e isto demora a começar a diminuir”, alertou.

Em relação ao reforço de médicos, nomeadamente aos estudantes que se encontram no final do curso de medicina, Miguel Guimarães defendeu que podem ser também encaminhados para os serviços de saúde pública, mas não para as UCI, uma vez que podem ajudar mas, sobretudo “na atual situação caótica”, “não estão preparados.

“Mas podem ajudar a nível de saúde pública, nos rastreios, nos contactos e na luta para quebrar as cadeias de transmissão”, acrescentou, salientando que o reforço de médicos para as UCI anunciado pelo governo tem por base os que estão a acabar a especialidade.

“Os médicos a contratar para as UCI são aqueles que acabam a especialidade, ou seja, são médicos que estão já no último ano ou completaram-na, e já estão a trabalhar nas UCI, pelo que não é propriamente um reforço, mas sim pessoas que já lá estão a trabalhar. Estes médicos que o Governo vai contratar, são, grosso modo, os internos que acabaram a especialidade e vão ficar a trabalhar no SNS. É positivo? É positivo. Mas não é um reforço de capital nos cuidados intensivos da parte dos médicos”, explicou.

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