Administração de Serralves lamenta afirmações de Isabel Pires de Lima e rejeita pressões

Ex-presidente deixou críticas
Administração de serralves lamenta afirmações de isabel pires de lima e rejeita pressões
Foto: Lusa

O conselho de administração da Fundação de Serralves lamentou hoje as declarações da anterior presidente daquele órgão, Isabel Pires de Lima, rejeitando ter sido sujeito a quaisquer pressões “internas ou externas”.

Em comunicado, o conselho de administração da fundação sediada no Porto realçou ser “um órgão colegial, constituído por pessoas com diferentes percursos de vida e profissionais, e não se sujeita, nem nunca se sujeitou, a pressões, internas ou externas, não podendo aceitar que se ponha em causa a sua independência e sentido crítico”.

Numa entrevista ao jornal Público, divulgada ‘online’ na noite de quinta-feira e impressa na edição de hoje, Isabel Pires de Lima teceu críticas à sua antecessora na presidência do conselho de administração, Ana Pinho, que passou a presidente do conselho de fundadores ao fim de três mandatos na liderança da administração, referindo que esta estaria a exercer pressão sobre o órgão que havia deixado, de tal modo que “começou a ter reflexos na boa saúde de Serralves”.

Entre as várias críticas tecidas pela antiga ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima afirmou que Ana Pinho “exige algo que parece ser uma vassalagem num feudo próprio, para a qual [Pires de Lima] não [estava] disponível”.

“Tenho noção de que a dra. Ana Pinho é uma pessoa com gosto pelo poder, que tem uma prática de exercício de poder bastante centralizadora. Mas acreditei que ela ia ser presidente do conselho de fundadores e que, portanto, me daria uma transição normal, como aconteceu com todas as outras presidências. Eu sabia que ia ser difícil. Agora, o que eu não esperava era este tipo de dificuldades”, afirmou ao Público a professora catedrática aposentada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Já no comunicado onde dava conta da renúncia por falta de “condições de confiança e solidariedade institucional”, divulgado na terça-feira, Isabel Pires de Lima considerava que “um espaço de produção de arte como é Serralves tem, a todo o momento, de incomodar, desestabilizar, interrogar ou então será apenas um lugar de [pessoas] demasiado contentes consigo próprias, naquela felicidade potencialmente castradora que o sucesso traz”.

No comunicado de hoje, o conselho de administração da fundação reafirmou “o excelente relacionamento institucional com o Conselho de Fundadores e com a sua Presidente, no respeito pelos seus respetivos papéis e níveis de responsabilidade”.

A presidente do conselho de administração da Fundação de Serralves, Isabel Pires de Lima, anunciou esta semana ter renunciado ao cargo por falta de “condições de confiança e solidariedade institucional” para o exercer.

Horas mais tarde, o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto disse manter “plena confiança” na Fundação de Serralves.

“O Governo sublinha que Serralves é uma fundação sólida, com uma programação cultural de referência nacional e internacional, e que mantém plena confiança na instituição que, como sempre assegurará, com estabilidade e continuidade, a prossecução da sua missão cultural”, podia ler-se num comunicado divulgado na terça-feira pelo ministério de Margarida Balseiro Lopes, que em julho tinha visitado a fundação sediada no Porto, a par de outras instituições do setor.

Na sequência do anúncio da saída de Isabel Pires de Lima, o conselho de administração da fundação indicou o nome do presidente executivo da Sogrape e até aqui vice-presidente da instituição portuense, Fernando Cunha Guedes, para presidente interino, ressalvando que se voltará a reunir para eleger um novo membro daquele órgão e um novo presidente.

Para além do presidente interino, o atual conselho de administração da Fundação de Serralves é composto por Luís Silva Santos e Paula Paz Ferreira, como vice-presidentes, para além dos vogais Manuel Sobrinho Simões, Tomás Jervell, Armando Cabral, Maria do Carmo Oliveira e Luís Menezes.

 
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