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Adiada sentença de padre e três freiras acusados de escravizar noviças em Famalicão

Nova sessão em 01 de julho

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Foto: DR / Arquivo

O Tribunal de Guimarães adiou hoje a leitura do acórdão do processo com um padre e três responsáveis de uma “associação de fiéis” de Requião, em Famalicão, acusados de escravizarem jovens raparigas.

Antes da leitura da decisão, agendada para a manhã de hoje, a juíza presidente comunicou a alteração não substancial de factos e, como a defesa dos arguidos não prescindiu de prazo para se pronunciar, o tribunal deu dois dias para que apresente contestação e agendou nova sessão para 01 de julho.

Em aberto ficou a possibilidade de, nesse dia, haver leitura do acórdão ou, eventualmente, a reabertura do julgamento para produção de prova.

Uma das alterações comunicadas pela presidente do coletivo de juízes, Paula Sá, prende-se com o “aditamento” de atos praticados pelos arguidos, que constam da acusação do Ministério Público (MP).

A acusação do MP conta que os quatro arguidos – o padre fundador e três religiosas – angariavam jovens para executarem as tarefas diárias na conservação e manutenção das instalações, e continuação da atividade da ‘Fraternidade Missionária de Cristo Jovem’, “sem qualquer contrapartida e mediante a implementação de um clima de terror”.

“Os arguidos tinham como alvo jovens de raízes humildes, com poucas qualificações ou emocionalmente fragilizadas e com pretensões a integrarem uma comunidade espiritual de raiz católica, piedosas e tementes a Deus”, sustenta o MP.

Em causa está o Centro Social de Apoio e Orientação da Juventude, uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) sob a forma de Instituto de Organização Religiosa, criada por iniciativa da Pia União das Irmãs Missionárias de Cristo Jovem, denominada “Fraternidade Missionária de Cristo Jovem”, também arguida no processo e instalada num convento em Requião, Vila Nova de Famalicão.

O MP refere que os arguidos diziam às jovens que “tinham sido escolhidas por Deus, convencendo-as de que deviam escolher a vida religiosa”, e que, caso negassem as suas vocações, teriam castigos “divinos”, problemas familiares e mortes na família.

A acusação indica que os arguidos sujeitaram as jovens, diariamente, a várias agressões físicas, injúrias, pressões psicológicas, tratamentos humilhantes, castigos e trabalhos pesados.

Escassez de alimentação, negação de cuidados médicos e medicamentosos e restrição da liberdade são outros dos factos imputados aos arguidos.

A acusação fala em bofetadas, murros, pontapés, puxões de cabelo, pancadas com enxadas, ancinho, ferros, mangueira, paus, vassouras, chinelos, sapatos e com um chicote com corda.

Por vezes, as jovens seriam obrigadas a agredirem-se mutuamente com o chicote.

As jovens teriam ainda castigos como proibição de tomarem o pequeno-almoço, de tomarem banho durante vários dias e até semanas, de beberem água durante todo o dia no verão quanto estavam a trabalhar ao sol durante várias horas e de usarem roupa interior durante vários dias ou semanas.

Cada arguido responde por nove crimes de escravidão.

A acusação sublinha que as arguidas, apesar de se apelidarem como “irmãs”, na realidade não são freiras, pois não têm votos, tal como exigido pela Igreja Católica.

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