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Braga

Acusados de asfixiar até à morte mulher em Braga passam culpas um ao outro

Caso começa a ser julgado em setembro

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Foto: DR

O homem que está acusado de, em 2020, com a ajuda da companheira, ter matado, por asfixia com um pano envolvido em lixívia, a mulher de quem era amante, negou no interrogatório que lhe foi feito pela Polícia Judiciária de Braga ter sido o autor do crime. Quando o julgamento começar, em setembro, no Tribunal de Braga, Júlio Pereira de Araújo dirá que foi a mulher com quem vivia em permanência num apartamento do bairro do Fujacal, Maria Helena Gomes, quem, em novembro de 2020, asfixiou a vítima de 69 anos, Maria da Graça Ferreira, quando esta dormia.

Ao que O MINHO apurou será essa a tese a que vai recorrer no documento de contestação da acusação, um direito processual que assiste aos arguidos, antes de serem julgados e cujo prazo ainda decorre. Admite apenas que terá participado na ocultação do cadáver. O MINHO contactou o advogado do arguido, Pedro Rodrigues, de Braga, o qual se escusou a comentar o caso.

Nas declarações que fez à PJ/Braga e ao Ministério Público a outra arguida, Maria Helena, disse que foi ele quem a assassinou, e acedeu a fazer, com os inspetores da Polícia uma reconstituição do crime e dos atos de ocultação do cadáver.

Explicou que, pelas 05:30 da manhã do dia três de novembro, ele pôs-se em cima da vítima, quando esta dormia, imobilizou-lhe os braços e colocou uma toalha fortemente embebida em lixívia, matando-a em poucos minutos. Ela assistiu sem nada fazer.

Testamento em causa

A acusação diz que, na noite do crime, e depois de a terem convencido a tomar um comprimido para descansar, dado que estava com dores de estomago, ele resolveu matá-la para a impedir de mudar o testamento em que lhe deixava os bens, dinheiro e um apartamento.

Uma sobrinha da vítima, que pede 115 mil euros de indemnização, diz, no processo, que, na noite de 02 de novembro, o ato de “esganamento” durou dez minutos, período em que a vítima se debateu, esperneando e lutando, para tentar evitar a morte.

A autópsia revelou que a falecida, além de lesões pulmonares, tinha equimoses no corpo, na cabeça, no pescoço, na face e nos braços.

Homicídio qualificado

Júlio Araújo, de 52 anos, e Helena Gomes, de 49, estão pronunciados por homicídio qualificado, profanação de cadáver e burla informática.

Na acusação, o Ministério Público diz que a vítima namorava com o Júlio, embora este, sem que ela o soubesse, vivesse maritalmente, há oito anos, com a outra arguida naquele bairro. A Maria da Graça havia feito um testamento a favor do Júlio, deixando-lhe os bens, um apartamento e dinheiro, mas, como a relação se começou a deteriorar, estava a pensar, e já o anunciara, anular o documento e fazer outro a favor da sobrinha.

Sabendo de tal intenção, o arguido gizou um plano para os dois a matarem, quando ela fosse lá dormir, o que acontecia amiúde por ela não desconfiar que ele vivia com a outra.

Cadáver em casa

Depois de a assassinarem, Júlio foi ao multibanco e levantou 200 euros, tendo dado 100 à companheira. Esta ficou, também, com um fio com um crucifixo e com um anel, ambos de ouro.

O cadáver ficou na cama, mas, como começou a exalar maus cheiros, a Helena foi à garagem e trouxe dois sacos de plástico grandes, de cor preta. Vestiram-na, embrulharam o corpo num lençol e fecharam os sacos com atacadores. Na madrugada seguinte, meteram-na na mala do carro e foram até Montélios, deixando o cadáver no caminho da Geira e dos Arrieiros, perto do apartamento onde a vítima residia. Tiraram o lençol e os atacadores, que atiraram para um campo vizinho e puseram a mala de mão junto ao corpo. Que viria a ser descoberto logo pela manhã por transeuntes.

Apagar vestígios

De seguida, foram lavar o carro, por dentro e por fora, para apagar vestígios.

No dia seguinte, a PJ/Braga entrou na casa do Fujacal e encontrou vestígios abundantes do crime: o telemóvel de Maria da Graça, objetos pessoais e uma cópia do testamento que fizera a favor do ‘namorado’. E um frasco aberto com lixívia. Isto para além de vestígios de ADN.

O julgamento terá 20 testemunhas, entre as quais, quatro agentes da PJ de Braga e dois peritos do Tribunal.

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